Vendo o movimento dos profissionais da área de saúde lutando ao Congresso Nacional em defesa do direito de exercerem sua profissão, contra o ato médico (projeto PLS 25/02), me pego a refletir e questionar, uma vez que, na categoria de paciente, nunca ninguém perguntou o que pensamos a respeito deste projeto que oprime o direito destes profissionais da área da saúde. E "eu" que com minha biografia de vida e por tudo que passei desde meu nascimento, até sermos indicados a um especialista em Goiânia, que a partir deste momento "eu" e minha família fomos orientados e encaminhados a diferentes atendimentos da área da saúde como a fonoaudiologia, fisioterapia, terapia ocupacional e outros atendimentos que ao longo de minha infância fizeram e ainda fazem parte da minha rotina do dia a dia.
E graças a esses profissionais e pela minha livre opção de escolha aos atendimentos que me fazem melhorar a minha qualidade de vida é a eles a quem devo todo meu progresso , apreço e gratidão e que não poderia deixar de lutar juntos a estes profissionais, por esta causa tão nobre.
Se estes profissionais não tivessem seu valor, não seriam necessárias as Faculdades e universidades que promovessem a formação acadêmica para estes profissionais e sim, a Medicina abrangeria todo este universo científico. Os profissionais da Medicina dito os senhores "Doutores", jamais, perderão sua posição, perante a sociedade e com o próprio paciente, que sempre buscam o parecer médico, antes de procurar um profissional da área de saúde.
A grade curricular do curso de Medicina deveria ser revista, veja bem, além da formação ser apenas enfocada no "clínico" e no " diagnóstico" que muitas vezes só é feito com auxílio de uma bateria de exames, ainda temos as especialidades que fragmentam o paciente em pedaços ex: especialista de pulmões, especialista de ombro e coração e assim por diante, sendo que antes de sermos vistos como pedaços, somos um corpo humano que funciona como um todo e estamos vinculados a personalidades diferentes, problemas diferentes e sintomas diferentes, que nos conduzem a uma gama diversificada de cidadãos, deixando de lado na maioria da vezes, mesmo sendo consultas particulares e ou conveniadas a relação interpessoal entre "médico" e "paciente".
Já no âmbito terapêutico estes laços interpessoais são reforçados e aprimorados a cada atendimento, transformando em uma mútua troca de experiência e aprendizado, lembrando que cada paciente é um caso específico com abordagens e planejamento diferenciado e não visto como receitas prontas.
Lembremos e faz-se necessário ressaltar que não podemos e nem devemos julgar ou generalizar as condutas e posturas médicas, porque cada médico além de possuir um título de "Doutor", também é um cidadão munido de personalidade, desejos, projetos de vida, capacitação e principalmente reconhecimento de até onde vão suas aptidões e especialidades e tudo isso faz a diferença em ser um " Bom Médico". Sim, ter a humildade em saber que buscam salvar vidas, curar e amenizar as dores e não vê-los apenas como mais um paciente consultando no decorrer do seu dia.
Partindo destes princípios de pensamentos e filosofia de vida percebemos que os Conselhos Regional e Federal de Medicina, apresentam vários aspectos a serem repensados, refletidos e reformulados. A começar pela estruturação das Faculdades de Medicina que ao em vez de mobilizar um ato médico para banir e furtar os direitos dos profissionais da área da saúde , deveriam estar revertendo este processo para própria classe médica e crer que o trabalho em equipe : multidisciplinar, interdisciplinar e mesmo transdisciplinar é a melhor forma de atendimento e se não for a melhor pelo menos é a mais eficiente. E acontece quando existe respeito de sabermos que o direito de um profissional acaba quando começa a do outro.
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*Texto de Daniel Gonzaga Jaime Ramos.
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