Quando fui à Icó nesta semana santa, presenciei algo que me chamou muita atenção e uma recordação inconfundível.
Explico. Na quinta-feira santa, como de costume, vemos os conhecidos e folclóricos “caretas”, homens que se enfeitam e saem às ruas pedindo o desjejum, para repartir com todos integrantes do grupo, bem, isso deve ser de conhecimento daqueles que conhecem de perto a vida interiorana.
Mais o que me reportou voltar a minha infância foi quando me deparei com um grupo de caretas, ali próximo ao balão do padre Cícero. De repente, vieram cenas da minha vida de criança. Lembro-me que à época que eu tinha 10 anos de idade, e sempre na quinta-feira santa me acordava cedo, porque já sabia que neste dia as ruas estavam tomadas daqueles brincalhões.
Eu ficava na área da minha casa, com portões fechados de cadeados, pois o medo era grande, e, quando escutava o som do chocalho ficava com uma ansiedade; o coração palpitava intensamente. Entretanto, via meu pai dando o desjejum daqueles humildes e cheio de alegrias, que saíam dançando, pulando, e eu no meu canto, só observando pensando que eram perigosos. Mas, hoje, vejo que não passam de um povo divertido que na semana santa não deixa acabar essa tradição.
Como escrevi no intróito quando presenciei aquela turma, numa base de 20 homens e uma carroça levada por um jumentinho, e em cima o Judas, naquele momento vi que uma criança saia correndo gritando por sua mãe, pois, por certo morava ali perto. E o seu amigo pegou sua bicicleta e saiu disparado, também procurando seu refúgio. Nesse momento eu achei graça, viajei no túnel do tempo e vi que, hoje, as crianças sentem o mesmo medo que eu sentia.
O quanto é bom recordar a infância, que saudade da minha!!!
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*TEXTO ESCRITO POR VICTOR LUIZ.
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