Na Ribeira dos Icós - O relato de Patroni (Parte I)

Saber da história de Icó é tem em mãos a sua identidade, com erros e acertos e reconhecimento. E se você soubesse como era o Icó por quem visitava a cidade?

Ter uma visão da cidade além de dados e fatos, mas de um modo subjetivo. É com esta ideia que iniciamos o novo quadro "Na Ribeira dos Icós", que ajudará a mostrar e a debater o Icó de ontem para termos uma visão de hoje.

Toda terça-feira sim, terça não, traremos informações e muito texto sobre este município que marcou a história do Brasil. Hoje, traremos a primeira parte dos relatos de Patroni. Na verdade, Filippe Patroni Martins Maciel Parente, natural da antiga província, e hoje estado, do Pará.


O VIAJANTE - Durante o período da passagem nas diversas províncias, Patroni era advogado na Corte do Rio de Janeiro, quando foi nomeado juiz de fora da Praia Grande e Maricá. Após essa mudança, foi a Lisboa, portugal, retornou, e seguiu para o Pará, em janeiro de 1828. Nessa época casou e irira retornar ao Rio de Janeiro.


A VIAGEM - Porém, na viagem passou mal do estômago e, ao chegar no Ceará, resolveu fazer a viagem até a capital fluminense por terra. Portanto, a viagem retratada foi casual e não planejada.

Ele viajou, nos anos de 1829 1830, pelas províncias brasileiras, termo da época em referência aos estados. A viagem teve início no Ceará e passou por Bahia, Minas Gerais e Rio de Janeiro, além do Rio São Francisco.

A publicação do livro "A viagem de Patroni pelas províncias brasileiras" somente foi feita pela mulher do mesmo, que instalou uma tipografia.

Este livro será o qual traremos o relato do viajante casual pela Ribeira dos Icós. O capítulo V trata da "viagem desde o arraial de São João até a villa do Icó". Aqui, abaixo, você verá a primeira parte das visões de Patroni sobre o Icó antigo.


TRANSCRIÇÃO (texto original) -

" Na manhã do dia 3 (de julho), deixamos o arraial de Santa Roza, e prosseguimos a nossa viagem para a villa de Icó (19 léguas), onde chegamos no dia 5 pelas 8 horas da tarde (= da noite), havendo pousado sempre em muito bons sítios e fazendas, quaes as dos Defuntos, Jaguaribemerim, Torrões, e Reacho do Brum.

Do que passou o autor na villa do Icó, e jornada que d'ahi fez ao Crato - Eu não tinha conhecimento da villa do Icó, e não esperava encontrar alli a grandiosa e magnífica hospedagem que achei: mas o meu amigo o Sr Gouvêa, do Ceará, quiz surpreender-me, prevenindo a meu respeito o Sr José Pinto Nogueira, o mais rico negociante de Icó, e homem dotado de raras virtudes, e maneiras assás polidas e obsequiosas, o qual nos agazalhou em um pomposo alojamento, onde nada faltava para suavisar os incômodos de uma longa e penosa jornada.

E como se não fôra bastante, o meu grande hóspede teve a delicadeza de empenhar todos os seus irmãos, parentes, e amigos, a qual mais nos prestasse deferências todo o tempo, que nos demóramos n'aquela villa (de Icó).

O meu generoso hóspede se encarregou voluntariamente de me fazer aprontar tudo; e enquanto elle tratava disso, eu descançava enchendo os dias com passeios pela villa, e visitava aos senhores que me haviam honrado com seus cumprimentos.

O Icó é uma grande villa; sua população, comercio, abundancia e riqueza, a constituem digna de ser a capital da província do Ceará, com preferência à cidade de Fortaleza, e mesmo à villa do Aracati, não obstante ser marítima.

A posição central della (vila de Icó), sua proximidade com o Carirí, que é sem dúvida o melhor paíz da província, seus contornos ferteis e populosos; tudo promete um rápido desenvolvimento, e anuncia a opulencia de uma capital famosa, posto que seu comercio se faça por carros, os quaes vão a Pernambuco buscar fazendas; incommodo este aliás, que se pouparia, fazendo-se, com pouco trabalho, navegável todo o rio de Jaguaribe. ..."


[...A viagem continua daqui há dua semanas...]


* Lembre-se de adequar o texto para os costumes e modo de vida de um Icó de 1829, ainda em crescimento. Porém nesta época não havia chegado Pedro Théberge (chegou em 1845) e muito menos existia o Teatro da Ribeira dos Icós. O Icó estava ainda no início do boom econômico.
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Publicado por Jornalismo

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