Sou a favor do trabalho infantil! Antes de me apedrejar, por favor,
procure entender minha argumentação. Lógico que precisamos levar em conta
qual o tipo de trabalho que a criança ou adolescente irá exercer.
Não sou
favorável a trabalhos forçados nem minas de carvão, muito menos pedreiras
ou lavouras de cana de açúcar.
Esses ofícios costumam ser desumanos até
para adultos. Penso é que crianças e adolescentes ociosos correm o sério
risco de enveredar para o crime, as drogas, os vícios e manias como
videogames, fliperamas, internet, entre outros. Conheço inúmeras crianças
e adolescentes viciados nesses jogos eletrônicos. Passar horas a fio em
frente a um computador pode. Auxiliar em algumas tarefas domésticas ou
remuneradas não pode. Algo está errado.
Se as crianças ou adolescentes tiverem um tempo para estudar e brincar,
que mal há em exercerem alguma atividade laborativa? É uma forma de se
manterem afastados da rua e das más companhias. É um meio de entrarem em
contato com o exercício de sua cidadania. Ou será que só nos interessa os
reconhecermos graduados em sexo e banalidades?
Você percebeu quantas meninas passaram a engravidar aos 13, 14 e 15 anos
ultimamente? Reparou quantas crianças de 08, 09 e 10 anos já
experimentaram maconha, cola de sapateiro, álcool e crack? Será que
pequenos ofícios contribuiriam para minimizar essas ocorrências? Não
seriam uma forma de manter crianças e adolescentes ocupados com tarefas
edificantes e construtivas?
Óbvio que alguns cursos de línguas, arte,
artesanato, música... também servem para suprir esse tempo ocioso;
entretanto, não podemos fechar os olhos diante das dificuldades
enfrentadas por algumas famílias onde, muitas vezes, falta o básico para
criar uma série de filhos. Que mal há em se trabalhar como empacotador ou
babá nas horas vagas?
Certa vez, um amigo advogado já falecido se pronunciou a respeito desse
assunto com muita propriedade, defendendo a atuação da Polícia Mirim. Ele
sabia que, antigamente, as crianças trabalhavam, e muitas vezes no serviço
pesado, como aconteceu com o meu esposo que aos 09 anos carregava sacas de
café nas costas.
Sabia também que as crianças de antigamente eram muito
diferentes das de hoje, e que existia menos violência e mais respeito.
Precisamos acordar para o evidente abandono de nossos filhos, que passam
horas nas ruas perambulando ou hipnotizados diante do fascínio do
computador. Num cotidiano em que nossos filhos têm mais direitos que
obrigações, concluo este artigo citando dois provérbios sempre atuais: “a
ocasião faz o ladrão” e “o trabalho afasta de nós três grandes males: o
tédio, o vício e a necessidade”. Bom dia a todos!
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* Texto escrito e enviado pela escritora Maria Regina Canhos Vicentin [e-mail: contato@mariaregina.com.br - site: www.mariaregina.com.br].

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