O abraço dos afogados *

É repetitivo mas necessário acompanhar a movimentação da grande mídia em torno do projeto neoliberal que defende, muito bem representado no candidato que escolheu para promover os interesses escusos da velha elite branca de São Paulo entrincheirada nas linhas de fogo do instituto millenium, cujos patronos Roberto Irineu Marinho, Otávio Frias, Victor Civita fecharam acordo para cerrar fileiras com artilharia pesada contra a candidata do planalto e o partido dos trabalhadores, ainda que se valendo de uma concessão pública de televisão, desvirtuando o propósito para o qual a recebeu, requentando matéria com tons de escandalização em um roteiro que segue padrão bem definido:

faz-se uma matéria pseudo jornalística baseada em ilação, tendo como fonte indivíduos desqualificados que respondem inúmeros processos na justiça, alguns dos quais beneficiários do instituto da delação premiada, logo podem dizer o que quiserem, cabendo ao ministério público avaliar se o teor das revelações tem fundamento, não dão vez e voz aos acusados, dispensando regras elementares do bom jornalismo, publica com grande estardalhaço no carro chefe do esgoto da editora abril, a revista Veja, no dia seguinte a Folha de São Paulo, O Estado de São Paulo repercutem, agências de noticias espalham pelo Brasil afora em um verdadeiro efeito manada e finalmente o Jornal Nacional dá o arremate final para o prazer e gozo do senhor Ali Kamel e de inúmeros colunistas que não têm nehum compromisso com um jornalismo sério e objetivo.

Foi o que aconteceu com Vacari, tesoureiro do pt e ex-presidente da Bancoc, cooperativa dos bancários investigada pela justiça, mas usada pela veja para dizer que dinheiro desviado daquela instituição teria sido usado para formar caixa dois do PT e alimentar o famigerado mensalão do governo Lula, fato amplamente desmentido pelo ministério público federal.

Nesta mesma linha a Folha de São Paulo passou quase uma semana fabricando uma crise artificial em torno da Eletronet, empresa objeto de uma disputa judicial entre o setor privado e a União, disputa que a União ganhou e em função disso o presidente estabeleceu que os cabos de fibra ópticas ociosos da Eletronet integrará a base do PNBL (Plano Nacional de Banda Larga ) para garantir o provimento de acesso à internet a população carente.

Eis o busílis da questão, a internet é a pá de cal no tipo de jornalismo que a grande imprensa pratica hoje. Em questão de segundos uma informação pode ser peremptoriamente desmentida. Como estavam acostumados ao monopólio da informação, fazem de tudo para que o pobre não tenha acesso a banda larga que o governo pretende implantar onde não seja viável economicamente para as grandes empresas investir.

Impedindo que muito mais pessoas se esclareçam e arrebentem com os grilhões do péssimo jornalismo. No entanto, este filme o povo viu em 2006 e o reprovou majoritariamente. Eles, porém, não se inteiram. Preferem seguir uma macha suicida que irá afetar seriamente o pouco de credibilidade que ainda lhes restam.

É o chamado abraço dos afogados. Apostar todas fichas em uma candidatura que ao que parece, vislumbra uma derrota acachapante, em detrimento de divulgar os fatos como são, sem manipulações e sem tentar influir no processo eleitoral de um modo antidemocrático. Se querem apoiar candidato X, que tenham a dignidade de informar seus leitores-telespectadores, como faz Mino Carta em sua revista carta capital e, também, inúmeros veículos nos E.U.A que tomam partido por uma candidatura, mas diz aos seus leitores.

Quem não simpatizar pela candidatura que defendem que procure uma mídia alternativa, simples assim. Ninguém é obrigado a ler a Veja, Folha de São Paulo, O Estado de São Paulo, assistir a Rede Globo. Mas também ninguém é obrigado a engolir suas mentiras.

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* Texto escrito e enviado por Kid Jansen de Alencar Moreira
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Publicado por Jornalismo

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