A sucessão em Fortaleza

Podia-se dizer até bem pouco tempo atrás que o PT era o partido que melhor praticava a democracia interna.

Não era retórica quando se apregoava que a militância ia debater e uma decisão seria tomada pelo voto da maioria. Não havia cooptação, senão pela força do argumento.

As muitas correntes que existiam no partido se engalfinhavam, uma tentando se sobrepor a outra, mas era certo que prevaleceria a vontade da maioria esclarecida pelo convencimento da melhor opinião, nunca pelo conforto de um cargo de confiança na administração pública que embota as convicções e faz do indivíduo um rendido pelas circunstâncias do momento.

Destes debates muitos militantes se destacaram, alguns dos quais foram depois contemplados com mandato eletivo e ficaram conhecidos do eleitor. Muitos ainda estão no partido, outros saíram. Alguns pelo desencanto, outros mais por não conseguirem conservar o mandato.

O eleitor não lhes reconduziu ao parlamento ou a um cargo executivo. Voltaram para suas atividades seculares. Para universidade, para o sindicato, para as atividades que antes exerciam. No PT não havia caciques, havia lideranças forjadas pela militância que uma vez convencida por um projeto político de poder ia as ruas defender as posições tiradas nos diretórios.

Ainda permanece no partido a prática de se chamar a militância para referendar decisões. Mas quem é esta militância? Seguramente não é aquela militância que se filiou ao partido em nome de uma ideologia progressista, humanista e de esquerda que visava um projeto de nação, de inclusão social dos milhões de desassistido.

A militância que se encontra hoje no partido é aquela que tem seu quinhão assegurado pelas centenas de cargos de livre provimento na administração pública. Cargos que estão em mãos do gestor de plantão, seja ele do Partido ou de um aliado.

É esta militância cooptada que comparece ao chamamento do partido para referendar decisões de cúpula. É esta militância que aparelha a máquina pública que vai dizer amém as vontades de quem está no poder para impor o nome que lhe aprouver para dá ares de democracia a decisões previamente tomadas e que nem de longe guarda semelhança com a militância de um passado recente que se movia ideologicamente, nunca por interesses mesquinhos de cargos e benesses.

Este tipo de militância em nada difere do eleitor que se vende, que troca o voto por telhas e tijolos. Na verdade é muito pior porque entregou-se ao comodismo e não vai cobrar do governante os compromissos partidários assumidos com o povo.

Está lá primeiro para garantir a posição que ocupa, justificada por racionalizações que não mexem com os brios, embora possa estatutariamente posicionar-se para melhorar as práticas políticas do partido, fecha com o grupo no poder, massacrando um outro grupo, mesmo que neste último esteja quem melhor poderia dá ao partido um rosto.

É assim que o PT caminha para o suicídio político em Fortaleza. A prefeita que tem as rédeas do partido nas mãos, a revelia do mais comezinho bom senso, resolve bancar a candidatura de um neófito, Elmano de Freitas, em detrimento de outros nomes de peso como Artur Bruno que tem um passado irrepreensível na legenda, grandes serviços prestados, eleito deputado federal, foi secretário de governo, mas para os militantes petistas dos dias negros que correm não é o suficiente para ser o candidato do PT. Não levaram sequer em consideração os anos de filiação dedicados ao PT.

A prefeita na sua megalomania, imagina que conseguirá eleger Elmano, assim como Lula elegeu Dilma. Lula é Lula. O governador, um homem experimentado se melindrou com a afronta da prefeita em lhe entregar um prato feito, sem discussão prévia nenhuma. Agiu corretamente o governador Cid Gomes.

A aliança deve continuar, mas se o PT quer o governador como aliado que indique um nome que tenha respaldo na sociedade. Simplesmente não dá a prefeita tirar da manga um candidato completamente desconhecido do Fortalezense quando o partido dispõe de tantos outros especialmente quando Luizianne não está com esta bola toda e vai depender do apoio do Governador e do ex-presidente Lula.

E não adianta dizer que Elmano venceu as prévias do PT contra Artur Bruno. Isso não prova que o PT pratica democracia interna. Os militantes que lá compareceram são aqueles que estão lotados na prefeitura, dispondo das benesses de um cargo de confiança. Ter Elmano vencido Artur é uma vergonha para o PT da capital.

Massacraram aquele que é o melhor quadro que o partido poderia ter para disputar as próxima eleições. É triste dizer mas o PT em nada difere de qualquer outro partido nas práticas que utiliza seja para escolher um candidato que suceda outro que está no poder, seja para impedir legitimamente quem está no poder e é do partido candidatar-se a reeleição, como ocorre no Recife com o prefeito João da Costa. Mas aí é outra história.


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* Texto escrito e enviado por Kid Jansen de Alencar Moreira
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Publicado por Jornalismo

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