Como eu era uma dentre os vários convidados do programa, e essas gravações costumam ser demoradas, nós tivemos a chance de conversar por um bom tempo sobre a vida e os relacionamentos.
Conforme íamos falando a atenção dela foi ficando redobrada, até que finalmente perguntou em tom de surpresa: Então, você realmente acredita que o amor existe? Sim, eu respondi.
Acredito que o amor existe, mas nem sempre as pessoas sabem como expressá-lo, pelo medo de serem rejeitadas ou sofrer. Lembro que ficou maravilhada. Era bom demais conhecer alguém que acreditava no amor, e acreditava verdadeiramente.
De lá para cá muito tempo passou, mas continuo encontrando pessoas que não acreditam no amor. Imaginam tratar-se de uma ficção romântica ou algo em que somente os mais sonhadores e desavisados podem crer, como se fosse algum sinal de fraqueza ou burrice.
Compreendo que nem todos gozem da felicidade de encontrar o seu verdadeiro amor, até porque isso não é fácil e nem exatamente voluntário, mas é possível e real. Para vivenciar o verdadeiro amor precisamos trabalhar na construção dos afetos que realmente valem à pena; e isso, obviamente, tem um custo para cada pessoa.
Imaginemos um pedreiro envolvido na edificação de duas obras. Uma ele faz rapidamente, com materiais de segunda, pois tem pressa em terminar para receber o seu salário. Na outra demora mais, prestando atenção aos detalhes e usando material de primeira, pois se envolveu tanto com esse trabalho e se sente tão bem ao executá-lo que gostaria de não terminar o serviço, assegurando assim, um salário para toda a vida. Essa é a diferença entre um relacionamento passageiro e um duradouro. O amor só se configura no segundo exemplo, pois precisa de tempo para ser construído.
A obra do pedreiro para ser firme precisa ser fundada num alicerce. O amor também precisa de um alicerce para crescer forte, e esse alicerce é a verdade. O que acontece hoje em dia é que as pessoas têm medo de ser verdadeiras. Elas escondem o seu “eu” real, e mostram aquele que acreditam será mais bem aceito socialmente. São falsas.
E, às vezes, nem é por mal, apenas para se proteger. Acontece que o verdadeiro amor não nasce da falsidade, não é possível. Proliferam os relacionamentos construídos com material de segunda: artimanhas, sedução, joguinhos, dissimulações. Escasseiam os relacionamentos construídos com material de primeira: sinceridade, respeito, carinho, renúncia. Não me admira que muitos já não acreditem no amor. Grassam caricaturas desse nobre sentimento.
Se você quer vivenciar um verdadeiro amor, comece sendo verdadeiro, que a chance de viver um amor aparece. Lógico que você vai ter que cultivar a sementinha; e isso implica em adubar, regar, podar, entre outros. Também vai precisar lançar mão de materiais de primeira. Você pode encontrar algumas boas sugestões no livro: Para ser feliz no amor, da editora Paulus. Invista na qualidade do seu relacionamento. O amor existe sim!
* Texto escrito e enviado pela escritora Maria Regina Canhos Vicentin [E-mail: contato@mariaregina.com.br - Site: www.mariaregina.com.br].
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