Pedacinho do Icó - História da Comunidade Gama *

Por Edilyanne Dias - Folha do Salgado

Nesse espaço contaremos um pouco da história do Conjunto Gama, segundo seus moradores, como iniciou, suas histórias e atualidades, uma homenagem do Jornal Folha do Salgado a uma das principais comunidades de Icó.

A Comunidade Gama, propriedade totalmente do DNOCS nos anos 70, era uma das localidades mais almejadas pelas famílias que enfrentavam a seca na época, pois oferecia lotes com irrigação à pressão, facilitando assim a produção agrícola que predominava nesse período, e dava toda assistência necessária para uma melhor qualidade de vida. Além das condições para produzir ainda era proporcionada a assistência das “Atencionistas” que visitavam as famílias semanalmente, chamadas atualmente por Agentes de Saúde.

Para conseguir adquirir esses lotes era necessário fazer um cadastro e passar por uma rigorosa análise da instituição, que levava em consideração a constituição familiar, a disposição para o trabalho braçal e as condições de saúde apresentadas pelos mesmos, entre outros fatores.

“Para conseguir o lote era uma dificuldade horrível. Foram exigidos vários exames, e se algum deles apresentasse alguma doença, ou qualquer coisinha que fosse, perdíamos a chance do lote. Todos nós tínhamos que fazer esses exames, tanto eu e meu esposo Agripino Augusto, quanto meus sete filhos”, diz a Senhora Creuza.

A senhora Guilhermina Batista esposa de um dos primeiros moradores, o Sr. Miguel Ferreira, conta que os cadastros foram feitos de 1970 a 1973 e as famílias chamadas em agosto de 1975.

O DNOCS oferecia esses lotes e em contrapartida as famílias deveriam produzir algodão e artigos alimentícios. De início feijão e milho, e posteriormente banana e tomate.

Todas as condições necessárias para a produção ser efetivada e eficaz eram proporcionadas pela mesma instituição. “A administração do DNOCS nos fornecia todo maquinário necessário para produzirmos, como máquina de debulhar feijão e plantadeiras”, comenta o Senhor Miguel Ferreira.

Depois de produzidos, os produtos eram encaminhados à cooperativa existente na época e essa os vendia. Depois da venda a cooperativa repassava o dinheiro para os colonos, como eram chamados na época. O DNOCS ao decorrer do tempo descontava, nos ganhos obtidos com a produção, os gastos tidos com o maquinário, a água e a energia utilizada.

É interessante destacar que inicialmente a comunidade não tinha energia elétrica e água encanada. A água era retirada de um tanque próximo às casas e o DNOCS, mandava um carro pipa para abastecer as famílias. A luz era apenas das lamparinas e lampiões. Só a partir de 1979 a energia elétrica veio a fazer parte da vida dos moradores.

É importante destacar ainda que a localidade era totalmente cercada com arame, não permitindo assim a entrada de “pessoas indesejadas”, como diz os moradores antigos. “Aqui antigamente era cercado, tinha apenas uma cancela com um guarda que controlava tudo. Só era permitida a entrada de alguém se a pessoa se identificasse e dissesse o que iria fazer”, diz o Senhor Francisco Pereira, mais conhecido por. Viúvo há dez anos e pai de dois filhos.

Um deles mora fora e outro também está pretendendo ir embora. Mas de qualquer forma, mesmo podendo ficar sozinho o Sr. Franquinho diz não querer sair de sua casa. “Não sinto nenhuma vontade de ir embora. Construí minha vida e a de minha família aqui, e vou permanecer até o fim de meus dias!”, acrescenta.

A comunidade inicialmente era composta por seis famílias e hoje apenas três destas residem na comunidade, O Sr. Agripino Augusto e sua esposa Dona Creuza, o Sr. Miguel Ferreira e sua esposa Guilhermina Batista, a Viúva Francisca Pinto e o Viúvo Francisco Pereira. Muitos de seus filhos foram para outras cidades.

A maioria das casas e terras da comunidade atualmente tornaram-se propriedades privadas. “Algumas pessoas já morreram e seus filhos venderam os lotes. Tem muitos destes que moravam aqui e hoje mendigam o pão de cada dia na cidade”, acrescenta o senhor Agripino Augusto.

* Matéria do Jornal Folha do Salgado - Edição 235 - 18 a 31 de março de 2011
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Publicado por Jornalismo

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