Um bom dia aos meus diletos conterrâneos!
Passados tantos anos sem reportar-me à vocês, hoje volto à estas paginas, para juntos comemorarmos o retorno daquele, que jamais deveríamos termos permitido a sua destituição – o CAMI (Conselho Administrativo Municipal de Icó), mas como diz o jargão judiciário: lei é para ser cumprida e não discutida, então cumpriu-se a lei, que era retornar a administração municipal de nossa cidade ao sistema arcaico, ultrapassado e ineficiente – Prefeito, Vice-Prefeito e Vereadores.
Quando dá destituição do CAMI final de 2011, o povo ainda tinha aquela esperança de que o mesmo teria a sua continuidade, pois achavam que alguns de seus conselheiros, retornassem a administração municipal – no Poder Executivo (Prefeito ou Vice-Prefeito) ou no Poder Legislativo (Vereadores). Como a prática da política e dos conchaves esdrúxulos ainda estavam latentes na memória, ações e atitudes dos antigos políticos de nosso torrão, mais uma vez o povo foi levado no engoudo de falsas promessas e até mesmo comprado como mercadoria sem qualidade – por um preço irrisório.
Mediante tais situações os antigos e combatentes conselheiros do CAMI amargaram a mais devastadora de todas as derrotas a qual um homem público que tanto serviços relevantes prestou a uma população poderia imaginar. Nenhum dos doze conselheiros conseguiu lograr êxito no pleito de 2012, nos cargo que pleitearam, tanto no Executivo como no Legislativo.
Durante os quatro anos da administração que sucedeu o CAMI a população viu um império transformar-se em ruínas. Quase todas as benfeitorias daqueles nobres e aguerridos conselheiros estavam sendo destruídas ou esquecidas ao longo dos anos, a população já não tinha mais o mesmo sistema de saúde, era preciso novamente deslocar-se a municípios vizinhos para os mais banais procedimentos que a medicina requer.
O Hospital Regional que tornou-se referência médica até para outros países fechou as suas portas. Que desastre presenciou essa população quando o assunto chegou a educação, marco triunfal da administração do CAMI, o qual permitiu tornarmo-nos um município quase que independente da União.
Os índices de analfabetismo, prostituição infantil, consumo dos mais variados tipos de drogas tiveram um crescimento assustador, se comparado com os mesmo índices deixados pelo CAMI. O nosso centro comercial hoje já não existe mais, foi devastado com a fúria de um tufão incontrolável.
Nossos conterrâneo hoje dependem da capital ou dos municípios: Iguatu, Orós, Jaguaribe e até mesmo do Distrito de Lima Campos para fazerem suas compras mais triviais. O Perímetro Irrigado Icó-Lima Campos foi devolvido ao DNOCS e voltou a ser o deserto improdutivo que conhecíamos antes de ser administrado pelo CAMI.
O Rio Salgado teve a sua barragem destruída e quase não existe mais. A empresa de pescados está em situação de falência, onde todos os associados juntos não produzem peixe nem mesmo para o consumo diário de suas famílias.
Alguns dos conselheiros do CAMI abandonaram suas casas e foram procurar dá continuidade à sua vida pessoal e profissional em outras terras, pois além de não aceitarem tamanha derrota, ainda tiveram alguns a sua vida particular (que na época do CAMI era pública) execrada.
Profissionais liberais dos mais diferentes eixos (Professores, Radialistas, Advogados, Médicos e tantos outros) começaram a desacreditar em nossa cidade, e também à abandonaram, pois achavam que ali seria impossível acontecer uma mudança que pudesse pelo menos se assemelhar ao que foi o Icó quando administrado pelo CAMI. Esses profissionais abandonaram nossa terra com receio de contaminarem-se, e acharem que o errado venceria o certo ou até mesmo de que o crime compensa.
Meus diletos conterrâneos juro à vocês que também pensei não poder retornar a nossa cidade e desfrutar de suas coisas belas, de não ter mais o mesmo povo sofrido mas de coração acolhedor e sempre hospitaleiro. Mas às vezes penso que essas qualidades e meiguice de nosso povo, também favorece para que pessoas de má índole se sobressaia sobre os nossos conterrâneos e tire proveitos em causa própria dessa qualidades de nosso povo.
Imaginem diletos conterrâneo que quando não se via mais nenhuma alternativa de salvação para nosso torrão, eis que surge um gigante adormecido à anos e que desperta e impõem toda a sua força em prol dessa cidade já quase desaparecida – O POVO.
Esse gigante que durante dez anos viveu em berço esplêndido quando o Icó foi administrado pelo CAMI e passando pelas privações e constrangimentos que um povo não deve receber de seus representantes, resolveu despertar sem fazer alarde ou empunhar nenhuma arma branca ou de fogo, o simples desejo indômito de uma vida melhor e mais digna despertou nesse povo um espírito revolucionário.
Sem nenhum conchave, sem nenhuma atitude que arquitetasse um golpe para destituir quem estava no poder, o povo de Icó, soube esperar o dia D para manifestar de forma pacífica e consolidada o seu repúdio e sua insatisfação com a vida e o tratamento que estava sendo desprezado a ele pelos seus representantes.
A surpresa da revolução pacífica de nossos conterrâneos deu-se quando do pleito de 2016, quando nenhum candidato a cargos eletivos (Executivo e Legislativo) obteve sequer 1% voto dos votos válidos do município. Esse repúdio foi visto por todos que estavam no poder, como a resposta mais indesejável que um “homem público” pôde receber em troca de seus atos.
Essa resposta significou muito mais para eles como o maior fiasco político, do que a derrota sofrida pelos antigos conselheiros do CAMI, que tinham certeza de que aquela derrota não vinha da vontade do povo. Foi uma derrota comprada pelos seus opositores. Mas eles não.
O povo era quem estava dando um ultimato à aqueles que tão mal tratou esse mesmo povo que os elegeu. Esse gigante fez retornar ao nosso torrão quem não via mais nenhuma solução para tamanha destruição de uma cidade. Hoje com certeza o povo do Icó vai desfrutar do prazer de ter aprendido a usar uma força que vive dentro de cada um de nós: só sofremos até o momento que quisermos, pois somos o único ser vivo com direito ao livre arbítrio.
As autoridades competente no que diz respeito a Justiça Eleitoral Federal vendo tamanha vontade de um povo, reconheceu a necessidade de uma decisão através de um plebiscito, onde o povo decidira por uma nova eleição ou pelo retorno do CAMI. Chegado o dia do referido plebiscito não foi preciso nenhuma manifestação, o retorno do CAMI foi aprovado por unanimidade, mesmo reconhecendo que toda unanimidade é burra.
O CAMI retornou como começou. Tendo que percorrer os mesmos caminhos que percorreu quando assumiu administração do Icó pela primeira vez. Algumas modificações na composição do novo CAMI, mas uma grande maioria dos conselheiros são remanescentes do primeiro CAMI.
Mais uma vez a cidade ficará uma verdadeira monotonia no que diz respeito as discussões políticas e as preocupações da população, pois o povo sabe que poderá confiar nesses conselheiros, pois que fez uma administração sem erros ou desmandos durante dez anos, não será agora que irá decepcionar.
Agora só precisamos esperar um pouco para que o CAMI comece a consertar as suas obra que foram destruídas e recomece uma administração mais uma vez em prol da população.
Parabéns ao povo de Icó. Que o exemplo de vocês seja posto em prática por muitos municípios de nossa nação, para que os políticos, passem a nos respeitar como merecemos.
Que não nos vendamos, pois uma vez que nos compram, não nos devem mais nada à eles, já pagaram pelo nosso voto. Só um povo desprovido de quaisquer atrelamento político ou livre de troca de favores, pode manifestar sua força de querer mudar o que está errado.
Parabéns a todos os icoenses que participaram direta ou indiretamente dessa revolução histórica em nossa terra e no Brasil.
“Quem manda deve ouvir, ainda que sejam as mais dura verdades e depois
de ouvidas, deve aproveitar-se delas para corrigir os erros.”
(Simon Bolívar)
“Só a realidade pode superar a beleza dos sonhos”
(Damião Diniz – 1989)
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* Texto escrito e enviado por Damião Diniz – Teresina(PI), 13 de outubro de 2009
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