Células-tronco: o que são e para quê servem?

Quem de nós não vê o noticiário, seja escrito ou televisionado, e não se depara com novas descobertas sobre as famosas células tronco? É preciso, inicialmente, que entendamos no que consiste a essência dessas estruturas antes que saibamos de que modo seu estudo e manipulação podem trazer vantagens e desvantagens à saúde do ser humano, e a partir disso mostrarmos nosso posicionamento a respeito desse assunto.

O processo de formação do ser humano se inicia com a fecundação do óvulo pelo espermatozóide com a formação de uma célula primordial chamada zigoto que reúne informações do pai e da mãe. Esta célula passa a ser dividir por um mecanismo chamado mitose originando dentro de pouco tempo bilhões de células que constituirão o indivíduo no momento do nascimento.

Paralelamente aos estágios de mitose essas células vão se diferenciando e assumindo características próprias (uma célula que constitui o cérebro, por exemplo, é diferente de uma célula que forma um osso).

Vários outros mecanismos estão presentes no decorrer da formação dessas células. Um deles é o que dará origem às células-tronco. Esse processo é chamado de mitose assimétrica, em que uma célula precursora específica dá origem a uma célula que se diferenciará e a outra que permanecerá indiferenciada (até que um fator específico promova sua diferenciação), e não a duas células que se diferenciarão como acontece na mitose “normal”.

Há dois tipos de células-tronco: totipotentes e pluripotentes. As primeiras se manipuladas corretamente podem dar origem até mesmo um novo individuo (um clone), já as segundas, a qualquer tecido. Assim, fica mais fácil entender a grande importância dessas células para o tratamento e a reconstituição de um ou mais tecidos lesados, seja por traumas ou por doenças degenerativas (ex.: o Mal de Alzheimer), em que o próprio indivíduo possuiria o poder “oculto” de sua recuperação.

Então por que tanta discussão sobre as pesquisas com tais células que podem promover melhoras significativas em muitas pessoas?

Primeiramente, muitas questões morais, filosóficas e religiosas estão presentes no debate desse assunto; para alguns é inaceitável que um corpo possua células de duas pessoas diferentes ao se o sacrificar um embrião em formação quando se retira células totipotentes, assim como a manipulação de um ser humano (seria, para eles, brincar com a vida).

O sacrifício de embriões em laboratórios para experiências relacionadas às potencialidades das células-tronco é rotineiro e divulgado, como se vê de vez em quando no noticiário. Outro ponto importante é a imprecisão na manipulação dessas células na atualidade, o que se torna um risco para o indivíduo que almeja ser beneficiado, podendo vir a ter danos irreparáveis tanto anatomo quanto fisiologicamente.

Os investimentos para pesquisa existem e são da ordem de muitos milhões de dólares nos EUA, onde o governo aprova e incentiva os testes, apesar de inúmeras manifestações contra sua manipulação.

Aqui no Brasil, algumas instituições como UFRJ, USP e Unifesp realizam estudos com células-tronco, mesmo com investimentos aquém do necessitado e com também opiniões contrárias de outrem. Mesmo com todas as disposições contrárias, nosso país está em um patamar de respeito quanto à pesquisa e possui avanços consideráveis para essa área.

A partir da consciência dessas informações, podemos traçar nossa opinião e argumentos sobre o uso dessas células, lembrando-se de ponderar sobre os pós e contras envolvidos na discussão.
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Publicado por justo júnior

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