Novo mapa das capitanias herediáris aponta que Icó pode ter feito parte de três capitanias

"Uma Questão de Limites". Com este título, a Revista de História da Biblioteca Nacional trouxe uma reportagem especial, em setembro do ano passado, sobre um estudo realizado pelo engenheiro Jorge Cintra, professor titular de Informações Espaciais na Escola Politécnica da USP, que redesenhou o mapa das capitanias hereditárias, 150 anos depois da publicação de sua versão mais conhecida.

O estudo intitulado "Reconstruindo o Mapa das Capitanias Hereditárias" foi publicado recentemente nos Anais do Museu Paulista e contesta a versão clássica do mapa das capitanias presente até hoje em livros didáticos, e mostra que a divisão de terras do norte do país, na verdade, seguia linhas verticais e não horizontais.

O fato coloca em debate a versão até então utilizada no aprendizado escolar nacional e, entre as curiosidades e novidades, está a que apontaria o então povoado de Icó, que teve sua primeira incursão oficial em 1682 por Nabo Correia e os homens do Rio São Francisco.

Antes desta última data, incursões isoladas realizadas de 1530 em diante em um sertão dominado pelos índios Ikós, que dominavam boa parte do Siará e Parahyba, aconteciam em um espaço em que o futuro povoado do Icó via seu território fazer parte das capitanias do Ceará, Rio Grande do Norte 1 e Itamaracá.

O novo mapa das capitanias hereditárias destacam um Icó que tornar-se-ia povoado e Vila dentro de um espaço de tríplice fronteira e no espaço de três capitanias. O fato trazido à tona coloca o território de Icó ou dos Ikós na marcação que ultraspassaram fronteiras, seja com os índios que seguiam pelo Rio do Peixe, na Paraíba, seja na questão oficial, por ser centro comercial, jurídico e eclesiástico nos séculos XVIII a XIX.

De acordo com a matéria do periódico, que analisa a pesquisa, "por questões políticas, o rei Dom João III autorizou a colonização do Brasil 30 anos após a chegada de Pedro Álvares Cabral a este lado do Atlântico. Em 1533, a Coroa decidiu repartir as terras do além-mar entre 15 capitães donatários, gente que não tinha grande fortuna ou negócios na metrópole, mas que teria condições de administrar a nova colônia. Assim nasceram as capitanias hereditárias que, durante mais de cem anos, pareciam ser (geograficamente) 'uma série de linhas paralelas ao equador que iam do litoral ao meridiano de Tordesilhas', conforme explicou o historiador Boris Fausto em História do Brasil (1996)".

De acordo com o responsável pela pesquisa, ele disse na matéria que "eu comecei a fazer um estudo sobre os limites da região Sul e encontrei alguns erros. Decidi conferir tudo e vi que o maior quebra-cabeça estava no norte”.

Segue a matéria: "Ao ter acesso a cópias de documentos originais, como a carta de doação a João de Barros [da capitania do Rio Grande], Cintra pôde perceber que se as linhas dos segmentos do norte seguissem para oeste, o rei estaria repassando pedaços de mar a alguns donatários. E, além disso, se mantivessem o ritmo, em paralelo, jamais se cruzariam".

Finaliza a reportagem afirmando que, "por enquanto, não há indícios de que editoras deste tipo de livro publicarão o estudo em suas páginas".
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Publicado por IN

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