Relatamos fatos pitorescos e outros imaginários, tendo como cenário o sertão cearense, a Ribeira dos Icós e outras ribeiras, de onde, característico do sertanejo , reina a fantasia e desfilam figuras folclóricas e seus “causos”, muitas dessas descrições viajam pelas ribeiras, mudando o nome dos personagens face a grande semelhança das figuras.Nos anos 70 e anteriores, as pessoas tinham mais tempo para as confraternizações diárias e o assunto não eram sobre os personagens de novela, pois nem televisão existia, mas sobre o dia a dia das pessoas.
Nesse cotidiano, afloravam os talentos, dentre eles os repentistas amadores que não deixavam passar nada em branco.
Zé Alberto [filho de Alberto Fernandes, também chamado Alberto Marinheiro, proprietário da Fazenda Bom Jardim, situada a seis quilômetros da cidade de Icó, no Ceará], era um destes poetas, que uma vez interpelado sobres as veias poéticas de Manoel Saturnino [conhecido político da UDN, da qual era chefe local], que estava ao lado, num local muito prestigiado da cidade, a Sorveria do Ribamar Monteiro, saltou para o desafio chamando-o carinhosamente de Poeta Chapéu de Égua.
Mal esperava o nobre desafiador que a reação seria de imediata, teve de engolir a trova abaixo, ouvida também por muitos presentes:
Toda moça quer casar. Toda fornalha quer lenha. Procure que talvez tenha, na distância de uma légua do Bom Jardim ao Icó poeta chapéu de égua!
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* Texto escrito por Gilson Costa Moreira e publicado no O Povo Online [gilsoncmoreira@yahoo.com.br]
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