O mal do Brasil é este falso moralismo que impera. O "faço o que eu digo e não faça o que eu faço". Exigirmos honestidade dos outros, integridade moral quando não a praticamos em nossas vidas diárias.
E não se trata de sermos desonestos nas grandes coisas, nas pequenas mesmo, como dizia o grande mestre Jesus; " quem é fiel no mínimo também é fiel no muito".
O pequeno delito é escala para um grande. Achamos normal subornar um guarda de trânsito, um funcionário público para obter vantagens, levar a melhor em tudo nas relações que mantemos com o próximo.
Mas nos escandalizamos quando um grande escândalo de corrupção vem à tona.
Ora, isso é apenas um passo maior que começou com um passo menor. A questão é de ter ocasião e oportunidade, aí somos verdadeiramente testados. Falamos mal da classe política, mas essa classe política é um reflexo da sociedade brasileira, seu mais exato retrato, está no congresso nos representando, eleita por nós.
Achamos indigno que alguém compre votos, que abuse do poder econômico para conseguir ganhar uma eleição. Criminalizamos as pessoas que submetem e coonestam tais práticas, geralmente atribuindo esse comportamento pernicioso a quem não tem consciência política, leia-se o eleitor de baixa renda e escolaridade, a quem imputamos as falhas do sistema político que elege políticos inescrupulosos.
E o que dizer daqueles que gostam de ostentar título de formação acadêmica e votam apenas porque é amigo do candidato, da família do candidato, por simpatia ao candidato, por achar que o fato de o candidato ter formação acadêmica vai ser um excelente parlamentar, porque sabe que o apoio dado resultará em benefício pessoal na máquina administrativa, em forma de emprego ou alguma outra vantagem pessoal? Isso também é uma forma de corrupção ainda mais nefasta do que aquela outra em que o eleitor "mazelado" vende seu voto em troca de migalhas.
O erro está em todo sistema de financiamento de campanha.
Como pode um candidato seja de que partido for, gastar centenas de milhares de reais para eleger-se a um cargo eletivo se durante todo seu mandato não vai receber salários que cubram todos os gastos feitos em campanha, mesmo com as benesses que o cargo lhe assegura? Muitos dos parlamentares eleitos para o congresso ou câmaras de vereadores, são pessoas que sacrificam suas atividades profissionais, onde poderiam ganhar muito mais dinheiro se nelas estivessem atuando em detrimento de um mandato parlamentar.
No entanto preferiram a vida pública porque sabem que poderão defender interesses de grupos, ideologias de classe que representam para depois ser novamente financiados e voltar aos parlamentos. É assim que funciona.
Qualquer candidato decente, que se recuse a gastar dinheiro em campanha, a comprar voto dos eleitores com dinheiro ou promessas nada republicanas, que defenda apenas idéias, que diga abertamente que seu único compromisso é o de atuar como manda a constituição, fiscalizar os atos do executivo, propor leis e intermediar os debates de interesse da sociedade no parlamento, "vai ganhar o que Maria ganhou nas capoeiras", "fumo".
Para mudarmos este sistema nefasto temos de começar pela remuneração do parlamentar. Uma boa remuneração, muito maior do que a recebem atualmente, afim de que não se sintam tentados a ceder a lei do menor esforço e se submeter a corrupção. A não se sentir seduzidos pelos grandes lobby.
O eleitor é o culpado pela corrupção de nossos parlamentares. Se não gastarem rios de dinheiro não se elegem. Se gastarem elegem-se mas estarão endividados.
Como pagarão a conta? Pagarão por meio de negociatas. Dos esquemas escusos. Mudemos o sistema de financiamento de campanha e sejamos por uma remuneração digna para nossos parlamentares e acabemos com este falso moralismo.
Teríamos eleições mais limpas e o eleitor extremamente politizado, se os serviços públicos funcionassem decentemente, se os nossos direitos fossem respeitados, se a constituição idem. Não obstante o que acontece é exatamente o oposto. O cidadão vai a um posto de saúde e lá falta remédio. Vai a um hospital público e não tem médicos. Precisa de um tratamento que livre sua vida do risco de morte e lhe é negado, quando não um simples exame demora de 6 a 9 meses, às vezes até mais. Fica meses e anos na fila por uma cirurgia.
Aí ele vai recorrer a quem? Aos seus recursos financeiros se os possuir como a esmagadora maioria não os possui, se socorre às brechas do sistema. Procuram um vereador, um deputado dos mais influentes que tenha amizades com médicos e diretores de hospitais para que a fila seja furada e sua consulta, seu exame, sua cirúrgia sejam marcados. Em função disso uma dívida moral foi contraída com quem lhe ajudou, com aquele que facilitou e resolveu seu problema.
O sujeito estará amarrado a um compromisso que será pago nas eleições com o voto.
Se ao contrário, os serviços públicos funcionassem a contento em favor dos usuários sem intermediação de terceiros, o eleitor estaria livre para decidir de acordo com sua consciência e não se submeteria a esse tipo de constrangimento. O mesmo vale para qualquer outra situação em que o cidadão não consegue fazer prevalecer seus direitos e tem de se socorrer a ajuda de um político, que vai lá e resolve o problema e resolvendo é justo que "a taxa de sucesso" que obteve seja paga com o voto. É assim que funciona.
Os políticos apenas usam o sistema em benefício próprio. Enquanto aceitarmos que seja assim sem protesto, sem manifestações em massa, sem ameaçarmos o sistema indo as ruas, continuará ad infinitum e não venhamos aqui dá uma de vestal, de Catão, porque é assim mesmo que funciona. Só este STF politizado é que acha ser diferente quando são os petistas os espertalhões a usarem dos mesmos esquemas que estão aí desde o "arco da velha".
* Texto escrito e enviado por Kid Jansen de Alencar Moreira Jansen

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