O histórico das secas no Ceará, pelo que se tem notícia, iniciou em 1605, que faltou água até para beber. Sucederam as ausências de chuva em 1614; 1692; 1711 e 1721. A história conta que um período de marcante redução da população foi de 1723 a 1727, com outro período constrangedor de 1736 a 1737 que alem da seca adveio a peste.
O sofrimento continuou em 1738 com uma acentuada escassez de alimentos, ao ponto do “Senado da Câmara da Vila do Icó”, atual Câmara dos Vereadores, proibir a saída da farinha de mandioca do município por qualquer preço. O ciclo indesejado das secas vai dizimando os habitantes de 1745 a 1746 ; 1754 a a 1755 ; 1777 a 1778 ; 1790 a 1793 ; 1803 a 1804 ; 1816 e 1817.
Chegou o ano de 1824 continuando em 1825 uma grande seca acompanhada da peste da varíola, alem de outras, o Icó quase deixa de existir. Falta chuva em 1830; 1845. Agora o terrível período que ficou popularmente conhecido até hoje pela seca dos dois sete: de 1877 a 1879. Foi nesta era, a tão comentada frase do imperador dom Pedro II: “venda-se o último brilhante da minha coroa, contanto que não morra um cearense de fome!”.
Será que o cearense é antes de tudo um forte, como disse Euclides da Cunha com o nordestino? Nem a data da lei áurea escapou. A seca bate o solo cearense em 1888; 1898; 1900; 1905; 1908; 1919; 1925; 1932; 1945; 1951 e 1958.
Para um povo que na época tinha como atividade básica a agricultura, podia chamar de tragédia, amenizada um pouquinho em 1908 com a criação do IOCS que mudou para IFOCS e depois para Dnocs. O cearense retirante sim, pra não morrer de fome. Tão forte que sempre fez humor até nos piores momentos de seca braba.
* Texto escrito por Gilson Moreira e publicado no O Povo Online
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