Policiais x Professores: Assembleia aprova projeto do Governo, que gera confronto

Confronto, sangue, tensão e truculência. A cena de campo de batalha se fez presente na Assembleia Legislativa do Ceará [AL-CE], no momento da votação, e posterior aprovação, da nova tabela de vencimentos dos professores da rede estadual de ensino, em greve há 55 dias.

Policiais, representando o Estado, entraram em confronto com os professores estaduais na AL-CE. Excesso de ambos os lados, em especial dos PMs, deram números tristes: o saldo de dois professores feridos. A Polícia, que havia detido professores que faziam parte da greve de fome, liberou-os em seguida.

GOVERNO VOLTA ATRÁS - A mensagem foi enviada pelo Governo, que na última reunião com o comando grevista garantiu que não daria continuidade no envio da proposta. Na ocasião da votação, foi presenciado o momento mais tenso, com o confronto direto entre policiais e professores.

A iniciativa do governo Cid Gomes, pela mensagem, seria de tentar amenizar a tensão entre Executivo estadual e docentes. Mas o efeito foi contrário, por não cumprir a reivindicação da categoria, que reivindica, principalmente, o piso nacional dos professores - considerado constitucional pelo Supremo Tribunal Federal (STF).

VALORES - Pelo novos valores, um professor começa a carreira recebendo rendimentos de R$ 1.187. Fatiada em dez faixas, a tabela vai até o nível 10, de acordo com o tempo de serviço e a titulação do professor. O último valor é R$ 2.255.

Na prática, a tabela cria uma espécie de gratificação fixa para os profissionais da educação. Além dos novos valores, o projeto de lei aprovado altera o Plano de Cargos e Carreira. Votaram contra a proposta do governo Cid Gomes os deputados Heitor Férrer (PDT), Agostinho Moreira e Roberto Mesquita, ambos do PV, e Eliane Novais (PSB).

SEM CONVERSA - A secretária da educação do Estado, Izolda Cela, considerou “lamentável” o confronto registrado. Foi o que ela disse, durante entrevista ao programa Revista O POVO/CBN, da rádio O POVO/CBN.

Izolda Cela disse que o Estado sempre esteve aberto ao diálogo e que a mensagem aprovada pela Assembleia nesta quinta-feira nada tem a ver com o principal das reivindicações da categoria. Houve reuniões com a presença, inclusive, de parlamentares. Há, segundo a secretária, um grupo de professores que não recebia o piso da forma como o Supremo definiu. O governo teria que resolver essa situação que estava irregular e envolvendo cerca de 200 docentes, o que a mensagem aprovada corrige.

Ela considerou justo que os docentes se mobilizem, mas “não podemos sacrificar os alunos”. A secretária lembrou que o governador havia avisado para os professores que a negociação ocorreria, mas sem clima de greve. Ou seja, não dava para tratar de planilhas e salários sem que houvesse aula, já que os alunos estão às vésperas de provas do Enem.

Sobre agressão de professores, ela disse que o fato se registrou no âmbito do Poder Legislativo e que houve uma manifestação do presidente da Casa, Roberto Cláudio, que ela disse admirar. Para ela, o presidente agiu para defender a integridade dos servidores da Casa e do patrimônio público. Avalia que as responsabilidades serão apuradas.

REPÚDIO - A Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação [CNTE] divulgou uma Nota de Repúdio ao Governo do Ceará "com veemência as ações truculentas praticadas pela Polícia Militar, por meio do batalhão de choque sob o comando do governador Cid Gomes".

O repúdio ainda se estende "ainda a atitude do presidente da Assembleia Legislativa, deputado Roberto Cláudio, por ter permitido a ação violenta do batalhão de choque da PM, dentro da Casa, contra os educadores."

Finaliza o documento que "a direção da CNTE vai denunciar o fato aos organismos internacionais, como a Internacional da Educação e a Organização Internacional do Trabalho – OIT e também permanecerá atenta a qualquer atitude de violência aos direitos dos educadores do Ceará."


* Com informações e imagens do O Povo Online e Apeoc
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Publicado por Jornalismo

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