O Salgado fim da Folha *


"Criar e manter um jornal em circulação, em uma cidade interiorana, de pouca leitura, mesmo com periodicidade quinzenal, como é o nosso caso, é uma decisão tão difícil e sacrificosa que beira o ato de heroísmo".

Este foi o início do Editorial intitulado "Para que serve um jornal?", publicado no Jornal Folha do Salgado - Edição de 11 a 24 de fevereiro de 2011. O texto, apesar da distância de alguns meses, torna-se tão atual que tivemos que trazê-lo e republicá-lo, neste canto de página, para fazer nosso registro do fim do único jornal em circulação em Icó.

É isto que ficamos sabendo. O Jornal Folha do Salgado - Notícias do Vale está com as horas contadas e publica sua última edição impressa, a de n° 239 de sua longa história. E curta, caso deixe de ser publicado.

E o Icó é Noticia não poderia deixar de lado este momento, triste, por significar o registro da época do "emburrecimento de ideias". Em uma cidade afeita à festas quase que diárias, tornam-se passageiras as palavras, em livros, jornais, enfim, em tudo o que pode acrescentar ao ser humano o conhecimento. Mas, no Icó, a poeira é a única companheira das palavras.

Aqui não podíamos deixar de registrar que, em se confirmando, de fato, a última edição escrita do quinzenal icoense, repetimos a frase do início deste texto: "O Salgado fim da Folha". Salgado para quem vê a educação e a leitura à margem, quando deveria ser prioridade. Em poucos dias, o Icó da leitura e da imprensa vai à lona: 3º pior município do Ceará no PAIC e o fim do único meio de comunicação impresso.

Como todo meio de comunicação, que teve seus altos e baixos, aqui registrados. Reconhecemos que podem ter ocorrido falhas, como em matérias acusadas de publicização política. Mas nem por isso se pode desconhecer a grandeza do trabalho e de toda a história, e de quem passou por este meio de comunicação, o qual nos honrou pela parceria.

As rotatórias de 1989 não são as mesmas de 2011, período entre a primeira tiragem e a atualidade, mas foram cúmplices da história do Icó e viram passar, em cada folha do Folha, as nossas histórias. Entre matérias, artigos e colunas, o Icó se fazia presente, e, juntamente com o "A Praça", de Iguatu, marcava e marca presença na imprensa do Centro-Sul e Vale do Salgado.

Mudou de nome, de 'Folha do Salgado' para 'Notícias do Vale' e novamente para 'Folha do Salgado - Notícias do Vale'. Sua marca seria sua força, a Folha do Salgado, e em cada novo número, a coragem de informar e formar, sem ter o mínimo do custo da impressão quitada com os patrocínios, assinaturas e vendas em bancas.

De parabéns, pela luta periódica por uma continuidade do Folha, Getúlio Oliveira. Nossos parabéns aos repórteres
/ integrantes da equipe: Edilyanne Dias, Nara Cristina, Daniel Fialho, dentre outras pessoas que passaram e estão neste veículo.

Finalizamos, e esperamos estar errados somente neste caso, com uma das frases emblemáticas do Jornalismo. "Parem as máquinas!". Esta, significando uma novidade de última hora que merece entrar no jornal para maior vendagem, no caso icoense representa o fim de uma era de conhecimento e do enaltecimento dos "sem leitura".

ATÉ QUANDO?

Icoenses, não deixem as máquinas pararem!
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Publicado por Jornalismo

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3 comentários :

Anônimo disse...

O aparecimento da internet causou o declínio do jornalismo impresso.

Este é um fenômeno mundial
verificado no fechamento de grandes periódicos como o Jornal do Brasil e de outros em paises como os E.U.A

O texto abaixo vai no âmago da questão:

Sexta-feira, 11/4/2008
A morte do jornal, pela New Yorker
Julio Daio Borges

+ de 1900 Acessos
+ 7 Comentário(s)






Digestivo nº 362 >>> Primeiro, foi a melhor revista do mundo, The Economist, proclamando, em setembro de 2006, que os jornais estavam tecnicamente mortos. Agora, no último 31 de março, foi a vez da New Yorker, a "segunda" melhor revista do mundo, proclamar: os jornais estão morrendo. Segundo Eric Alterman, que assina o texto "Out of Print": na era da internet, ninguém descobriu ainda como salvar o formato jornal — nos Estados Unidos e no resto do mundo. De acordo com Alan Mutter, empreendedor do setor de mídia (entrevistado para a matéria), nos últimos três anos, os jornais norte-americanos, ou melhor, as empresas que os produzem, perderam 42% de seu valor de mercado na bolsa. The New York Times, por exemplo, viu suas ações caírem 54%, em Wall Street, desde 2004. E não é apenas especulação financeira: desde 1990, um quarto dos empregos em jornais norte-americanos foram simplesmente extinguidos. Sem contar que apenas 19% dos americanos entre dezoito e 34 anos afirma "ter dado uma olhada" num jornal de papel no último mês (a idade média do leitor de jornal, nos Estados Unidos, está em 55 anos, e subindo). Não à toa, as famílias que foram, por décadas, proprietárias de marcas estabelecidas nos EUA, como The Wall Street Journal e Los Angeles Times, venderam a maior parte de sua participação. A empresa que dirigia The Washington Post deixou de ser só de "mídia" para acrescentar um braço de "educação". Mas analistas de mercado, como os do Deutsche Bank, aconselham seus clientes a se desfazerem logo das ações de jornais, mesmo que sejam do "melhor do mundo", The New York Times. Um pouco atrasados, os jornais vêm migrando para a internet — contudo, como reforça a New Yorker, suas receitas on-line ainda não cobrem as perdas em anúncios e circulação. Lembrando a previsão de Philip Meyer — de que os jornais vão desaparecer antes de 2050 —, a segunda melhor revista do mundo pede que se abra, logo, o Newsmuseum, o museu do jornal.

Manter um jornal seguindo uma linha editorial sem está umbilicalmente ligado ao poder, é morte na certa.

O bom combate é travado na internet, nos blogs, na livre manisfestação que a rede mundial de computadores permite, enquanto as teles não tomarem de assalto o PNBL e o congresso não aprovar leis draconianas que restrigirão a livre manifestação de pensamento na WEB, como tentou o ex-senador Eduardo Azeredo com seu projeto de lei que ficou conhecido como o AI 5digital.

Edilyanne Dias disse...

Pensar que o prazer em folhear um jornal ou mesmo um livro está sendo extinto a cada momento com mais voracidade me faz pensar na conjuntura atual de maneira bastante preocupante...

Onde fica aquele velho costume de "pegar" um livro e lê-lo de forma a entrar em um novo mundo, a viajar por caminhos e imagens que só a leitura pode nos proporcionar?

Onde fica o desejo por expressar ideias e sentimentos através de palavras que possuem tanta relevância e significação?

Onde fica a constante busca pelo aprimoramento na escrita e na leitura?

O mais triste de tudo é saber que vai chegar um dia, não tão distante, em que nos perguntaremos para quem escrever...

Não falo apenas em relação ao Jornal, mais também em todos os âmbitos da sociedade, que se mostra a cada dia mais informatizada, mecanizada e fria.

Apesar de toda a realidade vigente, ainda tenho em mente que jamais devemos desistir da escrita.
É através dela que nos expressamos da forma mais bela e sincera possível. É ela que eternizará todas as nossas ideologias e experiências vivenciadas diariamente.

Fabrício Moreira da Costa disse...

Soube com profunda reflexão e pesar, que o matutino Folha do Salgado, circulará em sua última edição nesse final de semana.

Fechará seu caderno e vai engrossar a extensa lista icoense da “galeria do já teve”.

Resta-me, apenas, cumprimentar aqueles que idealizaram o projeto findo, mesmo sem apoio nenhum de quem seja da terra dos icós.