Até o final da década de 1950 toda a Igrejinha do Senhor do Bonfim de Icó tinha aspecto de capela, tal qual fora construída para abrigar a imagem do Santo, por um Bento da Silva e Oliveira, que consta como primeiro Capitão-Mor de Icó, em 1749. Certamente à inspiração da devoção da Bahia.
Era um templo simples onde existia a pequena nave, com as imagens de Nossa Senhora das Dores, esta em composição com o Cristo Crucificado, e Nossa Senhora da Penha, talvez implantada por algum frade capuchinho missionário.

O oratório-altar que abrigava a imagem do século XVIII continha portinholas que abriam-se apenas nas missas e nas "adorações" das sextas-feiras, fechando-se em seguida.
A dimensão da igreja bastava para a população do Icó daqueles tempos, que não passava de uns quinze mil fiéis.
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Com o aumento populacional, promovido pela chegada de órgãos federais nos anos de 1950 houve a necessidade de ampliação da igrejinha, assim o antigo altar do século XXIII que abrigava a imagem do Bonfim foi demolido e ampliada toda à nave original, com parte nova que hoje existe e se pode observar com facilidade.
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.Nessa ampliação de iniciativa do Padre Antonio Vieira da Costa, que foi pároco ao final dos anos de 1950 e início de 1960. Note-se que neste mesmo período iniciou-se a construção da “Igreja Nova” numa intenção era transformá-la em santuário, o que nunca ocorreria e hoje é a “Igreja de São José”.
A demolição do antigo altar em forma de retábulo foi uma das inúmeras destruições ocorridas em Icó. Com essa demolição a tradicional "adoração", de iniciativa dos leigos, particularmente as mulheres, composta de muitos cânticos, terços, ladainhas em latim e hino ao Senhor do Bonfim foi substituída por missas.
A imagem acima tenta reconstituir virtualmente o antigo altar-santuário no momento de "Elevação" em uma missa Tridentina, numa versão mais ou menos aproximada e demonstra de forma didática o quanto o nosso patrimônio histórico e artístico foi mutilado, junto com as tradições imateriais.
* Texto e autor da Imagem: Washington Peixoto Vieira, utilizando-se de diversas imagens adicionadas em Picassa e Paint. Do blog Opinion

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