Conforme os fatos narrados por nossa tradição oral, em tempos passados em nossa cidade, existia um homem que comercializava artigos religiosos.O conto icoense não apresenta o nome desse comerciante, porém, narra com bastante exatidão, que o mesmo tratava-se de um espertalhão que pensava apenas em vender seus artigos, visando sempre o lucro que suas vendas podiam proporcionar.
Por esta razão, ele cometeu em um dia, algo no qual ele achou que podia lucrar com a situação que se apresentou diante dele, mas foi neste dia que ele se ferrou.
Existia em um dos sítios icoenses, uma humilde dona de casa que alcançou uma graça por meio de Nossa Senhora dos Impossíveis, então ela queria adquirir uma imagem da santa para entronizar em sua casa, e conhecendo a fama do tal vendedor de objetos religiosos do Icó, dirigiu-se até a cidade com o objetivo de realizar a seguinte compra.
Ao chegar na cidade, ela solicitou ao comerciante uma imagem de Nossa Senhora dos Impossíveis. O comerciante sabia que ele não tinha essa imagem, mas percebendo a inocência e ingenuidade da pobre mulher, trouxe uma imagem de Santo Onofre afirmando que era Nossa Senhora, aproveitando-se então, da oportunidade lucrativa. Segundo Lima, o diálogo dos personagens aconteceu da seguinte forma:
- Pronto minha senhora; aqui está o quadro que a senhora procura.
A pobre mulher com ar de interrogação diz:
-Nossa Senhora barbada? Não pode ser!
Retrucou o trapaceiro comerciante.
- Aí é onde está o engano, da senhora. Por isso é que chamamos de Nossa Senhora dos Impossíveis, ela é barbada.
A mulher desconfiou, mas mesmo assim foi convencida pelo lojista, saindo direto para a casa do vigário, para mandar benzer, porque sem isso não tinha validade.
- Seu padre, benze este quadro de Nossa Senhora dos Impossíveis.O pároco pegando a moldura falou:
- Não minha filha; não é Nossa Senhora dos Impossíveis, e sim Santo Onofre.
-Pois senhor padre, o desgraçado disse-me que este quadro era de Nossa Senhora dos Impossíveis por isso tinha barba.
O barraco estava feito! Ciente de que havia sido enganada, irada a pobre mulher foi tomar satisfações com este comerciante trapaceiro. Ordenou então, que ele lhe devolvesse o dinheiro, obrigando-o a receber de volta o quadro de Santo Onofre que ele tinha dito ser Nossa Senhora dos Impossíveis, por causa da barba.
Provavelmente esta situação se espalhou por toda a cidade e se tornou- se lembrança para provocar risos dos icoenses nos bares, calçadas, comércios, esquinas e escolas. É apenas uma hipótese para este acontecimento ficar registrado em nossa história, tornado-se uma das nossas melhores lendas até hoje.
ANEXO
Santo Onofre* Interpretação e texto escrito por Luan Sarmento, no blog Icó Culturalles
REFERÊNCIA - LIMA, Miguel Porfírio de. Icó em fatos e memórias. Icó: vol. 2, 1998.
0 comentários :
Postar um comentário