INTRODUÇÃO
Eu Luan desde pequeno escutava lendas misteriosas sobre nossa cidade através dos ensinamentos de Tio Miguel, mas um dia ele me contou uma lenda bastante interessante sobre a Igreja do Monte, então em uma tarde nublada, baseado nesta lenda compus uma história adaptada e confesso que o clima me inspirou há escrever um pouco.
Trata-se de uma história que aconteceu no início do século XX, aproximadamente em 1905, sobre uma lavadeira de roupa que um dia se deparou com um mistério sobrenatural em Icó, seu nome era Margarida Silva.
Trata-se de uma história que aconteceu no início do século XX, aproximadamente em 1905, sobre uma lavadeira de roupa que um dia se deparou com um mistério sobrenatural em Icó, seu nome era Margarida Silva.
HISTÓRIA
Certa vez Margarida se encontrava sentada na calçada de sua casa na antiga Rua do Meio, e seu netinho cujo nome era Joaquin Ribeiro Silva pediu-lhe para que ela lhe contasse uma história, então ela contou:O galo cantava de madrugada em nossa vila simples e logo escutei o cântico dos pássaros que se animavam nas árvores, percebi que era o início de mais um dia de trabalho em Icó, antiga vilinha do Ó.
Sou uma pessoa simples, humilde e religiosa, morava na época nesta mesma casinha, rezava o terço todos os dias antes dos trabalhos diários, rezar era meu costume e ainda continua sendo. Ainda estava muito cedo e todos dormiam, mas mesmo assim em silêncio levantei para trabalhar, fiz o sinal da cruz e juntei as roupas sujas para lavar naquela manhã.
Na época eu era uma lavadeira mãe de família, que saiu de sua casa para lavar suas roupas lá na lagoa da Torre, hoje inexiste. Era uma lagoa da nossa cidade muito bonita que ficava perto da Igreja do Monte, lá eu tinha o costume de cantar Salve Ó Maria quando lavava nossas roupas e pensava sempre na vida naquele espaço repleto de águas, onde os bichos saciavam sua sede na maior alforria.
Mas um dia aconteceu uma coisa errada, assombrada, e logo fiquei assustada, nunca acreditei em assombrações, mas acho que não foi ilusão, o vento frio soprava em meu rosto e de longe avistei a Igreja do Monte ao lado do cemitério e pensei preocupadamente: Hoje e dia de missa senhor? Está muito cedo.
Eu estava certa, não era tempo de festa da padroeira daquela Igreja, mas mesmo assim tive curiosidade para saber o que nela estava acontecendo naquela hora onde todos dormiam. Imediatamente subi a grande escadaria da capela com muita pressa, sentia muito frio e percebi que uma imensa nuvem chuvosa se aproximava.
De longe o avistei de frente para o altar, o padre rezando sua missa com sua batina branca até os calcanhares. Estava tudo muito estranho, o povo de joelho com velas nas mãos, não rezavam, apenas escutavam a celebração com suas cabeças permanentemente inclinas olhando para o chão, então entrei na Igreja do Monte com minha trouxa de roupas sujas.
Ao entrar tentei olhar para o povo que rezava, ver se eu os conhecia, mas suas cabeças continuavam esquivadas e isso não facilitou minha minha busca em reconhecer alguém. Continuei caminhando para ver qual era o padre que celebrava, então foi ali em frente ao altar da igreja que meu coração disparou, o padre se voltou para a assembléia misteriosa e pronunciou para todos ‘’Orate Frastes’’.
Foi quando eu percebi que aquele sacerdote já era um homem falecido, então os fies misteriosos se levantaram para olhar o sacerdote e finalmente percebi e reconheci que todos já estavam mortos, eram pessoas falecidas conhecidas... Gritei: Valei-me minha Nossa Senhora do Perpétuo Socorro! Socorrei-me! Meu corpo foi tomado por uma forte tremedeira e não aguentei, desmaiei.
Estava tudo muito escuro, o vento frio ainda continuava a soprar em meu rosto, tentei mover minhas pernas que pareciam ter 10 quilos em cada uma e gotas de água fria começaram a cair sobre mim.
Acordei e olhei em volta, estava na calçada, às portas da igreja estavam todas fechadas, nuvens rochas invadiram o céu em volta daquele local e ainda meio trêmula levantei com muitas dificuldades, meu coração ainda estava disparado, minha mente meio atordoada pensava:
Será que tudo aquilo foi um sonho? Todos aqueles falecidos? Como vim parar aqui fora da igreja se eu desmaiei dentro?Eu não sei e nem quero mais saber.
Essas foram meus pensamentos finais, apanhei minha trouxa de roupas do chão ainda com medo e fiquei pensando nas palavras do Padre morto, orate frastes, orate frastes...
- Vovó e o que aconteceu desde então? – A voz do menino meio assustada interrogou sua avó.
- Nunca mais aconteceu aquilo comigo – respondeu Margarida e continuo. – Mas eu nunca deixei de fazer o que Padre falecido pediu ‘’Orate Frates’’, quer dizer... Orai irmãos.
FIM
________________
* Texto escrito por Luan Sarmento, no Blog Icó Arte Barroca
* Texto escrito por Luan Sarmento, no Blog Icó Arte Barroca
0 comentários :
Postar um comentário