É 30 de dezembro: O dia amanhece em Icó. Já se ouve o estrondo das bombas na Rua Larga. A banda de música festivamente percorre as ruas da cidade.Os notívagos, que passaram a noite nas barracas enchendo a cara, “muiados”, como se diz por lá, ainda encontram força, de seguir atrás da banda.
- Viva o Senhor do Bonfim!
- Vivaaa!
As casas com cheiro de tinta nova esperam os visitantes. Os familiares que vem de longe. Muita gente de São Paulo, de Brasília, de Fortaleza, do Recife. As buxadas de bode já estão preparadas. É tempo de matar a saudade, rever os amigos, olhar as novidades ou as antiguidades, ir à beira do Rio, olhar e voltar... Ver o Senhor do Bonfim, eternamente crucificado...
Mistura-se o fim do ano, com a festa do Bonfim. O religioso insistentemente penetra em todas as cabeças, invade todas as casas, por todos os meios: Amplificadora, transmissão das rádios locais e regionais, pelas tradições culturais.
O Menino-Deus nascido, da “Lapinha de Almério” e nas outras lapinhas, mescla-se com o Jesus Crucificado em seu trono angelical do Bonfim. É a vida e a morte tão próximas uma da outra sem nenhuma aversão. O pisca-pisca natalino enfeita o Arco de flores artificiais e coloridas que adornam a secular imagem.
O profano manifestado ao longo das barracas que se estendem pela Rua Senhor do Bonfim e Rua Larga, ecoam as músicas do sucesso do momento, preferencialmente o brega, numa disputa com os sinos, a voz de “Dedé” e os cantores da Igreja que depois de muitos ensaios fazem o melhor que podem. Os sinos das torres repicam festivamente. Tudo é festa.
Como uma espécie de Meca ou Jerusalém os filhos do Icó retornam à casa. Este ano o orgulho de sua icoensidade se ufana diante do Pavilhão Municipal ostentado no alto da torre da Praça do Padre Cícero.
Bradam as emoções dos “peregrinos” de fim de ano.
- Viva o Senhor do Bonfim!
- Viva o Icó!
- Ó Deus de Bondade, de Amor sem fim, sede hoje exaltado, Senhor do Bonfim!
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* Texto escrito por Washington Luiz Peixoto Vieira e publicado em seu blog Opinion
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