Este sábado (18) se comemora o dia da padroeira de Icó, Nossa Senhora da Expectação. Conhecida antigamente por Nossa Senhora do Ó, os festejos em seu nome atravessam gerações em quase 300 anos, quando da construção da Igreja Matriz de Nossa Senhora do Ó.O dia da padroeira, feriado municipal, tem início às 9hs, na Igreja Matriz, com a realização da Missa Solene. Pela tarde, às 17hs, acontece a procissão da imagem da padroeira pelas principais ruas da cidade, bênção do santíssimo e a descida da bandeira.
EVENTO SECULAR - A história do início da devoção à santa se confunde com a própria história de Icó, visto que foi primeira edificação, aos moldes da futura vila, foi a Igreja em homenagem à padroeira, bem como da presença do monumento no cotidiano dos habitantes da provinciana Icó.Outro exemplo é a criação da Freguesia de Nossa Senhora do Ó, em 6 de abril de 1764, com sede na Vila de Icó.
Nossa Senhora da do Ó é uma devoção mariana surgida em Toledo, na Espanha, remontando à época do X Concílio, presidido pelo arcebispo Santo Eugênio, quando se estipulou que a festa da Anunciação fosse transferida para o dia 18 de Dezembro.
Sucedido no cargo por seu sobrinho, Santo Ildefonso, este determinou, por sua vez, que essa festa se celebrasse no mesmo dia, mas com o título de Expectação do Parto da Beatíssima Virgem Maria.Pelo fato de, nas vésperas, se proferirem as antífonas maiores, iniciadas pela exclamação (ou suspiro) “Oh!”, o povo teria passado a denominar essa solenidade como Nossa Senhora do Ó.
PORTUGAL - Em Portugal, o culto à Expectação do Parto, ou a Nossa Senhora do Ó, teria se iniciado em Torres Novas (Frei Agostinho de Santa Maria. Santuário Mariano), onde uma antiga imagem da Senhora era venerada na Capela-mor da Igreja Matriz de Santa Maria do Castelo.
Esta imagem era conhecida à época de D. Afonso Henriques por Nossa Senhora de Almonda (devido ao rio Almonda, que banha aquela povoação), à época de D. Sancho I por Nossa Senhora da Alcáçova (c. 1187) ou, a partir de 1212, quando se lhe edificou (ou reedificou) a igreja, por Nossa Senhora do Ó. Registam-se outras imagens da Senhora do Ó em Águas Santas, em Elvas, em Tomar, em Viseu e em Sobral da Adiça.
BRASIL - No Brasil, o culto iniciou-se à época desde o início da colonização, com o Capitão donatário Duarte Coelho, na Capitania de Pernambuco. Tendo fundado a vila de Olinda, nessa povoação erigiu-se uma Igreja sob a invocação de São João Batista, administrada por militares, onde era venerada uma imagem de Nossa Senhora da Expectação ou do Ó.
De acordo com Frei Vicente Mariano, também se tratava de uma imagem pequena com cerca de dois palmos de altura, entalhada em madeira e estofada, de autoria e origem desconhecida. A tradição reputa esta imagem como milagrosa, tendo vertido lágrimas em 28 de Julho de 1719.
A partir dessa primitiva imagem em Olinda, a devoção se espalhou em terras brasileiras graças a cópias na Ilha de Itamaracá, em Goiana, em Ipojuca e em São Paulo, nesta última em casa da família de Amador Bueno e na do bandeirante Manuel Preto que fundou a igreja e o bairro bem conhecidos até hoje.
Os bandeirantes, por sua vez levaram a devoção para Minas Gerais, onde, em Sabará, se erige a magnífica Capela de Nossa Senhora do Ó, em estilo indo-europeu.
CURIOSIDADES - A imagem de Nossa Senhora do Ó sempre apresenta a mão esquerda espalmada sobre o ventre avantajado, em fase final de gravidez. A mão direita pode também aparecer em simetria à outra ou levantada. Encontram-se imagens com esta mão segurando um livro aberto ou também uma fonte, ambos significando a fonte da vida. Em Portugal essas imagens costumavam ser de pedra e, no Brasil, de madeira ou argila.
CURIOSIDADES II - "Celebra a Igreja Católica no dia 18 de dezembro a festa da Expectação (festum expectationis) e dizem os sabedores destas cousas que desde que o Anjo anunciou à Maria de Nazaré que ela conceberia por graça do Espírito Santo, ficou o mundo a esperar, ficou na expectação do nascimento de Jesus; por esta razão é que também esse dia (18 de dezembro) é chamado dia de Nossa Senhora do Parto.
Em umas Igrejas, sete dias, em outras nove, antes do Natal cantam-se antífonas, as quais começam pela interjeição OH ! Daí procedeu chamar-se popularmente festa de Nossa Senhora do Oh.” - artigo de Eusébio Néri Alves
ICÓ MUDA NOSSA SENHORA DO Ó POR EXPECTAÇÃO - Teve-se no princípio intitular-se esta festa a festa do Ó, e também o de dar-se este título à mesma Senhora em suas imagens, que era o mesmo que intitularem a Senhora em seus desejos, ou celebrar a festa dos desejos da Senhora. Não foi o caso do Icó, onde prevaleceu Nossa Senhora da Expectação e não do Ó.
HISTÓRIA E RELIGIOSIDADE - Foi a partir da construção do Arraial Novo, em 1708, por Francisco de Monte e Silva, sob a autorização da autoridade maior da capitania do Siará, Gabriel Silva Lago, começou o Icó de Cima, onde se encontra atualmente a cidade.O Padre João Matos Serra, um dos primeiros do Ceará Colônia, das missões, iniciou os trabalhos missionários e invocou ao Icó a proteção de Nossa Senhora do Ó.
A construção da capela de Nossa Senhora da Expectação se deu sob doação de terreno da família Montes. Estórias relatam ser a filha morta do coronel Francisco de Monte, o que ainda é não é comprovado realmente.
A capela foi uma das primeiras edificações do Icó, nos idos de 1708 e 1709, sob a invocação da padroeira de Icó. Em 1764 a capela tornou-se Igreja Matriz de Icó.
A partir daí, ao redor da igreja iniciou-se a formação do núcleo urbano da cidade icoense, transformando-se, em algum tempo, no século XVIII em pólo aglutinador de migrantes e centro de abastecimento da região Sul do Ceará.Isso transformou o Icó em uma das mais importantes cidades do Ceará, junto a Aracati e Sobral. Icó se tornou a 3° vila do Ceará e a 1° do interior, em ordem cronológica, a se tornar Vila, em 17 de outubro de 1735.
Ao redor da cidade se encontravam prédios históricos como a Casa de Câmara e Cadeia, 4 Igrejas e 2 capelas históricas, mercado central, teatro mais antigo do Ceará, rua grande e a Casa de Pólvora. Esses exemplos mostram a importância que se tornou a cidade a partir da primeira igreja edificada.
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