A 'Guerra Santa' contra o aborto na Campanha Presidencial *

Numa verdadeira cruzada, grupos religiosos pressionam os candidatos à Presidência da República a renegarem opiniões acerca de temas morais e éticos.

A questão ficou mais acirrada após o primeiro turno, quando hipotecicamente os votos "reliogiosos" foram para Marina Silva (PV). Serra continuou vestindo azul e Dilma mudou o figurino para tons em branco. O vermelho já era.

Os Candidatos e seus Partidos Políticos aceitam, aparentemente, as pressões daqueles grupos, apresentando-se, ambos, piedosamente beatos, devotos e tementes a Deus. Como fé é um assunto de foro íntimo entre Deus e o homem cabe ao misericordioso prescrustar o coração do crente!

Os assuntos, objeto das chantagens éticas e religiosas centram-se particularmente na questão do Aborto.

A questão da homofobia não tem tido sucesso, em razão do amplo apoio dos grupos GLBT por grande número de partidos políticos manifestados, inclusive, nas grandes passeatas da diversidade, e apoiar opiniões conservadoras a este respeito poderia ser um tiro no pé de qualquer candidato. Porém a questão do aborto pegou e ambos os candidatos tem buscado justificar-se sobre opiniões emitidas por eles próprios em passado recente.

Por outro lado as feministas reivindicam a “legalização do aborto”, como aconteceu no último dia 28/09, em São Paulo no lançamento dia internacional de luta pela legalização do aborto, organizado pela Marcha Mundial das Mulheres.

Justificam os grupos feministas que “todos os anos ocorrem 42 milhões de abortos no mundo. A estimativa brasileira é de mais de 1,25 milhão de casos. As complicações dessa prática já representam a terceira causa da morte materna no país”.http://www.brasildefato.com.br/node/2388

A descriminalização do aborto é de competência do Congresso Nacional, já eleito, e não ao chefe do executivo, não obstante a sua força política em tais assuntos, jamais serão legislados, através de medida provisória, que é o instrumento a que recorre o executivo para legislar, herança dos malfadados Decretos-Leis. Ao chefe do Executivo restará vetar ou sancionar a matéria, que muito dificilmente será levada a plenário do Congresso Nacional.

Sabidamente sobre tais assuntos “éticos” e “morais” os atuais candidatos tem opinião formada ao longo de suas vidas públicas, cujas opiniões podem ser comprovadas numa simples busca na internet.

Em nome do cristianismo, numa espécie de "Jihad" os tais grupos e pessoas individuais lançam, na Internet, por todos os meios, acusações, as mais várias, contra ambos os candidatos.

Sob a temática de “Defesa da Vida”, essas acusações são disparadas por todas as mídias populares disponíveis, mas o viés das matérias publicadas é de fundo religioso, cuja fundamentação está centrada onde se inicia a vida humana e onde começam os direitos do ser humano, os direitos da mulher que o gera, de dispor, ou não de sua própria vontade ou da vontade do estado para gerar filhos. Questão polêmica e profunda, que não deveria estar na agenda de eleições presidenciais. A eleição para presidente não é fórum nem plebiscito.

O que me causa estranheza não é de onde provém a opinião sobre o assunto, nem tão pouco a legitimidade de opinar e mesmo lutar contra ou a favor do tema, isso faz parte da Democracia e do Estado de Direito, mas a imposição das ideologias religiosas sobre assuntos e a hipocrisia da sociedade – não somente o aborto – sabidamente civis.

Percebe-se uma intromissão cada vez maior das igrejas cristãs na política, impondo conceitos puramente religiosos a uma sociedade plural, afinal não temos somente o cristianismo como religião praticada neste país e a desassociação entre Igreja e Estado foi uma das premissas da República, já no século XIX.

É legítimo que a esfera política esteja aberta aos clamores do povo, inclusive à porção religiosa, todavia mesmo com a força política desses setores e sua importância, que não é pouca, não é por aí que a aí que as legislações devem ser guiadas.

Já se viu e se vê na história humana no que dá a imposição de ideologias religiosas na vida civil e não se pode aceitar fanatismos, de nenhuma espécie, na elaboração de leis, não vivemos sob uma Teocracia. Pois, afinal, vivemos ou não numa Nação constitucionalmente laica, livre e democrática?


LEIA SOBRE O TEMA:
http://www.pastoralfamiliarcnbb.org.br/novo_site/artigos/artigo.asp?id=342
http://coletivodar.wordpress.com/2010/03/07/feminismo-e-anti-proibicionismo-–-um-dialogo-necessario-na-luta-contra-as-opressoes/
http://www.brasildefato.com.br/node/2388
http://www.abortoemdebate.com.br/wordpress/?p=1353
http://verticalgospel.com.br/lider-da-assembleia-de-deus-afirma-“dilma-tem-que-fazer-manifestacoes-publicas-claras-contra-o-aborto�


_________________
* Texto escrito por Washington Luiz Peixoto Vieira
, em seu blog Opinion
Publique no Google Plus

Publicado por Jornalismo

This is a short description in the author block about the author. You edit it by entering text in the "Biographical Info" field in the user admin panel.
    Comentar no Site
    Comentar usando o Facebook

0 comentários :