Reino do louro *

Editorial do Jornal Folha do Salgado - Edição 215


A publicação do livro de autoria do teatrólogo, ‘Bem Vindo ao Reino do Louro e da Peixada’, na semana passada, no Theatro José de Alencar, em Fortaleza, é mais uma contribuição literária de qualidade ao resgate da história e tradições da Ribeira dos Icós.

A obra enfatiza os aspectos culturais, religiosos e a culinária da cidade e do distrito de Lima Campos e faz uma viagem ao casario do centro histórico, tombado pelo Instituto do Patrimônio, Histórico e Artístico Nacional, Iphan, em 1997.

A publicação trata-se de um projeto do Programa Monumenta, com apoio de várias instituições – Governo Municipal, Unesco, Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), Iphan, Ministério da Cultura e Governo Federal.

Icó nos séculos XVIII e XIX era centro desenvolvido e integrava importante rota comercial no ciclo do gado. Caminho para Acarati e Fortaleza de escoamento de produtos da região e de Estados vizinhos. A sua economia era baseada na produção na pecuária e na agricultura.

Reza a tradição que havia no lugar muitos periquitos, atraídos pelas vastas áreas de produção de milho. Há documentos históricos, que relatam que essas aves provocam enormes prejuízos à lavoura.

O Senado da Câmara adotou medidas de repressão. Em 1760, determinou-se que cada morador recolhesse cabeças de periquitos, sob pena de multa. O crédito ou benefício seria redução de débitos fiscais, de impostos.

Essa isenção trouxe escassez de dinheiro para o erário por volta de 1800. Na época, o juiz e capitão, Roberto Correia da Silva, aplicou multa e exigiu dos moradores pagamento em dinheiro dos débitos fiscais. A medida revoltou a população.

Em face desses acontecimentos, a cidade passou a ser conhecida por ‘Terra do louro’, apelido que trouxe durante décadas irritação aos moradores.

Esses relatos estão no livro ‘Bem Vindo ao Reino do Louro e da Peixada’, com base em outra obra de autoria de Batista Aragão. Ainda bem que autoridades locais e os próprios moradores, com o passar dos anos, finalmente, souberam tirar proveito do apelido, transformando o periquito em símbolo da cidade, atração turística e em marketing promocional.

Por aqui, não se irrita mais com a denominação ‘Terra do louro’. Mas agora é preciso um esforço maior das autoridades para transformar Icó em um verdadeiro centro de atração de visitantes e turistas que podem aproveitar melhor os passeios pelo centro histórico e saborear a deliciosa peixada de Lima Campos. O desafio está lançado.
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Publicado por Jornalismo

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1 comentários :

Anônimo disse...

A Edição 215, da Folha do Salgado, conta uma história diferente da que me foi apresentada, na infância. Disseram-me que descia um louro, numa enchurrada do Salgado, quando ao passar pela cidade, um icoense o teria o tentado salvar: "me dá o pé louro", ao que este teria perguntado: "aonde estou??". À resposta do salva-vidas "está no Icó", teria declarado: "deixe-me prosseguir".
A propósito quem é o teatrólogo autor de "Bem Vindo ao Reino do Louro e da Peixada"?
Luiz Cavalcante Lopes, icoense desde 1944.