A crise dos direitos humanos*

A velha mídia em sua eterna luta para derrubar o governo Lula fabrica mais uma crise com vistas a favorecer o candidato que apoia, a saber, o governador de São Paulo José Serra. O curioso é que toda movimentação que abala a caserna, por conta do terceiro plano nacional de direitos humanos, partiu do ministro da defesa Nelson Jobim, serrista de carteirinha e ministro infiltrado no governo Lula.

A velha mídia sabe que mexer com as idiossnicrasias dos melicos é um terreno pantanoso e minado, por isso insufla apostando na personalidade contemporizadora do presidente que tem mania de conciliar quando o certo era tomar uma posição pró-ativa em uma questão tão sensível para memória do país.

Não se trata de revanchismo ou de rever a lei que possibilitou a anistia para os dois lados em conflito, militares e guerrilheiros de esquerda a quem a velha mídia habitualmente trata de terroristas. Mas de desnudar aquele período nebuloso de nossa história e contar em detalhes abrindo todos documentos secretos diretamente ligados a ditadura militar. A mera possibilidade de se fazer uma investigação séria e profunda dos anos de chumbo, causa calafrios nos grandes conglomerados de comunicação do pais, obviamente porque tal investigação alcançaria seguramente os principais meios de comunicação brasileiros.

É do conhecimento geral da nação que as organizações globo, o grupo folha da tarde, que inclui também a folha de São Paulo, que por sua vez emprestava suas peruas para conduzir militantes de esquerda para os porões do doi-codi onde eram torturados, a editora abril e outros mais não só apoiaram o regime militar como contribuiram para sobrevida do regime que poderia ter sido mais curto. Uma comissão da verdade nos molde da que foi criada na Africa do Sul para virar a página do famigerado apartheid encontra sérissimos obstáculos no Brasil, em parte pelos motivos acima expostos.

A sociedade civil não pode se quedar silente diante da resistência que se levanta contra o terceiro plano nacional de direitos humanos, marco fundamental para que a verdadeira face da didatura seja finalmente exposta e fielmente retratada. Aqueles que enfretaram o braço forte do estado na epóca do arbítrio têm todo direito de conhecer a verdade em sua extensão. É o mínimo que o estado hodierno pode fazer para reparar esta horropilante dívida histórica. O Brasil pode ser denunciado à comissão inter-americana de direitos humanos, orgão da ONU, caso impeça que a verdade sobre a ditadura venha a tona. Somos o único país da américa do sul que ainda se opõe abertura dos arquivos militares.

A presidente da Argentina, Cristina Kishner, revogou a lei que anistiava os militares abrindo espaço para que sejam julgado nos tribunais argentinos. Um bom exemplo a ser seguido, mas a julgar pela prática titubeante do presidente Lula, é quase certo que as coisas permaneçam como estão e sobre para o ministro Paulo Vannuchi que desmoralizado só terá um caminho a seguir: pedir demissão.

*Texto de Kid Jansen de Alencar.
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Publicado por IN

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