Manifestação de Lula sobre mensalão do Dem *

Como de hábito, o presidente Luis Inácio Lula da Silva, foi novamente "arrastado" para uma crise politica, que não tem origem em sua base aliada, e que foi captaneada por um de seus mais ferrenhos opositores: José Roberto Arruda, governador de Brasilia.

O catão de até bem pouco tempo, que se apresentava como um dos guardiâes da moralidade e dos bons costumes, useiro e vezeiro em taxar, junto com outras vestais, o governo Lula como o mais corrupto da história contemporânea brasileira, se viu enredado em um espetáculo degradante, exibido em cadeia nacional de televisão, recebendo propina oriunda de corrupção.

Devidamente filmado e gravado por um de seus comparsas, Arruda viu seu " mundo mágico de pureza e honestidade " desabar sobre si como um furacão. A seu favor conta o fato de que em todas as esfera de poder, guardadas as devidas proporções, acontece o mesmo.

A diferença é que nem sempre cenas deprimentes como aquelas, são gravadas e exibidas com a frequência desejada pelos homens de bem, que ainda existem, embora nesses momentos de catarse, a opinião pública menos informada, seja levada a crer que a politica é um negócio sujo feito de bandido para bandido.

Vide o caso Yeda Crusius no Rio Grande do Sul, envolto num mar de lama igual ou pior do que o de agora, mas que não alcança a mesma repercursão tão somente porque lá a protagonista pertence ao PSDB, o partido queridinho da mídia golpista hegemônica, ou ainda tantos outros, Brasil afora, em estados e municipios, que estão ocultos, mas são reais, apenas não subiram a surperficie, se porém viessem atona provocaria os mesmos engulhos na opinião pública. Que o diga a Controladoria Geral da União!

Cada dia me convenço mais de que a vista do que acontece, nos dias que correm, a turma do Collor era um bando de amador, de trombadinhas. Não obstante, onde entra Lula neste dramalhão mexicano?

Questionado por um destes repórteres que madruga em busca de escândalos, preferencialmente se tiver as digitais do atual governo, como o presidente estava acompanhando os desdobramentos do inferno astral de Arruda, Lula respondeu dizendo enfaticamente que não estava acompanhando e que era um assunto da polícia federal e, se pertence a policia federal, não cabia ao presidente fazer nenhum comentário, senão aguardar o desenrolar dos fatos para então emitir alguma opinião.

Não satisfeito com a resposta do presidente, o repórter perguntou se as imagens de Arruda embolsando propina não falavam por si. Ipsis literis, respondeu o presidente: " Não, mas vamos aguardar. Imagem não fala por si. O que fala por si é todo processo de apuração, todo processo de investigação. Quando tiver toda apuração, toda investigação terminada, a policia federal vai ter que apresentar um resultado final, um processo, aí anuncia.

Aí você pode fazer juizo de valor. Mesmo assim, quem vai fazer juizo de valor final é a justiça. O presidente da república não pode ficar dando palpite, se é bom, se é ruim. Vamos aguardar a apuração. " Em que parte da resposta do presidente fica claro que há tolerância com a corrupção?

Lula, passado na casca do alho e conhecedor dos frequentes assassinatos de reputação praticados, amiúde pela imprensa, tendo ele próprio sido vítima de tais campanhas, apenas se esquivou de se utilizar da posição de presidente da república de fazer um prejulgamento. Afinal, por mais clara que sejam as imagens, elas não substituem o processo legal.

Foram feitas com autorização da justiça,não são as únicas provas, talvez as mais consistentes, contudo quem vai dizer quem é culpado ou inocente é a justiça,em sentença transitada em julgado, ou então voltemos aos anos de chumbo, a inquisição, as caças as bruxas.

Se se leva anos para que a justiça se pronuncie, em função de recursos protelatórios e, se o entendimento garantista do supremo conduz, por fim, situações semelhantes à impunidade, que se mude à lei, a constituição. Até lá, este é o estado democrático de direito de que dispomos e é com as regras dele que devemos contar. Se, porém, não desejamos que tais coisas aconteçam, só nos resta um caminho: aprender a votar.
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* Texto escrito por Kid Jansen de Alencar Moreira
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Publicado por Jornalismo

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