CABOQUINHO: EMPRESÁRIO E HOMEM DE ATITUDE.*


Lourival Augusto e Silva, respeitosamente conhecido por Caboquinho, de saudosa memória, era empresário icoense e homem de muitas atitudes.

No Icó, todos os seus amigos têm alguma história sua pra contar, desde a época em que era caminhoneiro, ao lado de Chico Florzinha, Aristóteles Costa, Antonio Sampaio, Geraldo Enjeitado e tantos outros, até a sua assunção enquanto empresário renomado de nosso torrão.

Enquanto permaneceu vivo, muitos ajudou, sem cobrar-lhes nada em troca.

Tinha vasto patrimônio, além de sua própria biografia. Centenas de casas espalhadas em Icó, todas ocupadas por amigos e compadres, sem a devida cobrança de alugueis. “Quando eu precisar cobro o aluguel. Continuem morando”, dizia ele.

No entanto, apesar de mostrar-se sempre fechado, o seu espírito era de criança, sempre com uma piada na ponta da língua, uma história e uma graça para contar.

Certa vez, conta-nos Geraldo Sebasto, amigo de Caboquinho, que um de seus filhos, vendeu a um transeunte da cidade, quatro pneus fiado, para pagamento em longo prazo.

Passados cinco anos daquela compra, sem o devido pagamento, eis que o cidadão encontrou Caboquinho, e sem que este nada lhe perguntasse, foi logo se justificando: “SEU CABOQUINHO, COMPREI FIADO A SEU FILHO QUATRO PNEUS, TEM CINCO ANOS, MAS AINDA VOU PAGAR. EU PROMETO”.

Sentindo insultado com aquela capenga explicação, Caboquinho, sempre inspirado, não contou conversa na resposta: “PAGUE NÃO HOMEM. ENGANE MESMO. POIS, NÃO SEI COMO MEU FILHO TEM CORAGEM DE VENDER QUATRO PNEUS FIADOS A UM FUDIDO COMO VOCÊ”.

Assim era Lourival Augusto e Silva, nosso querido Caboquinho.

Tive a oportunidade de conhecê-lo na intimidade. Observei um homem simples, de muitas atitudes, sincero, leal e de muita coragem. Em casa, distante de suas atividades comerciais, que o preocupava bastante, surgia um homem dócil com os amigos e familiares. Assim como meu pai, Caboquinho achava que as visitas tinham que ser servidas com muita quantidade e qualidade; ele mesmo ficava ao lado do fogão, autorizando as suas funcionárias para que nada faltasse.

Quando chegou a óbito, fruto de problemas de saúde repentinos levou muitos ao seu encontro. Volto a repetir, na calçada da igreja do Senhor do Bonfim, todos contavam alguma história de Caboquinho. Lembranças boas, ousadas, tiradas próprias de quem viveu o mundo, e as estradas do Brasil.

Morreu sem reclamar da vida. Embora sempre inquietasse com as coisas que não lhe preenchia, não lhe agradava. Neste aspecto, ele não escondia debaixo do tapete o que sentia. Colocava pra fora, com meia dúzia de palavrões bem ao seu estilo.

Fui a sua missa de sétimo dia. Orei e rezei por ele. Lembrei de cada depoimento que ouvi a seu respeito, de Dr. Elder a Deinha de Rafael; De Bezinho a Neto Guedes, etc.

Meu pai era seu admirador. Cresci ouvindo Aristóteles e Neyle, meus genitores, sempre falando bem de Caboquinho por suas qualidades.
Em janeiro próximo completa um ano de sua partida ao encontro do Pai celestial.

Enfim, foi-se um homem, ficou sua história de vida e experiência.
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*TEXTO ESCRITO E ENVIADO POR DR. FABRÍCIO MOREIRA DA COSTA.
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Publicado por Victor Luiz

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