O trivial *

O episódio ocorrido ontem em São Paulo, onde uma construção de um viaduto no Rodoanel desabou, enlouqueceu os apaixonados pelo poder. O governador e presidenciável José Serra foi ao local do acidente e tagarelou aos quatro ventos que as vítimas seriam indenizadas e os responsáveis seriam punidos.

O povo brasileiro tem estado nas mãos de tantos prefeitos, governadores e presidentes incompetentes e desonestos, que basta um desses executivos fazer o seu dever de casa, ou seja, apenas o necessário que é ovacionado, elogiado.

“Não! Este atual prefeito é o melhor e mais dinâmico que teve nesta cidade nas últimas décadas. Paga o funcionalismo e fornecedores em dia, mantém a cidade limpa, agora temos médico, e medicamentos.” Este adágio é corrente em alguns locais onde se aglomere pessoas nas cidades do interior brasileiro.

Há poucos minutos li no twitter.com vários comentários. Inclusive de gente de currículo recheado de títulos, dizendo que a atitude do Serra em ir até a obra do Rodoanel, onde ocorreu o acidente, e garantir reparar todos os danos causados com a queda das vigas de concreto armado, lhe agregaria valor diferencial aos outros candidatos.

Aí vem a pergunta: deve ser considerado bom dirigente, ou portador de imensa qualificação administrativa, ou merecedor de honra ao mérito, ou até digno de um busto em praça pública, fazer o corriqueiro, o rotineiro nos serviços públicos?

Pagar as obrigações sociais, manter os serviços básicos, preservar a infra-estrutura da cidade, ser honesto no trato com os recursos recebidos, alcovitar os munícipes no gabinete para lhe iluminar em algum problema, tem algo de espetacular e ou fantástico nesta maneira de gerenciar?

Para aquelas pessoas incautas, os famosos cegos políticos, isso representa uma atitude extrema e vantajosa de um governante. Mas, para os que sabem discernir entre o reto e o curvo, os que são portadores de sensibilidade crítica, os que não se alimentam porque espelham-se nos outros, este costume deveria ser a realidade, o cotidiano, o rotineiro. Esse governante se quer seria merecedor de qualquer elogio ou deferência. Pelo contrário, deveria ser alcunhado de incompetente e estagnado.

O povo precisa conhecer e aprender a separar o gerenciador arroz com feijão, aquele que se dedica apenas ao habitual, daquele administrador inovador, empreendedor, e criativo. Aquele que consegue retirar seu povo dos problemas crônicos que os atormentam. Ou pelo menos faz um gesto de vontade de levar seus comandados a dias melhores. Deve-se avaliar quem faz a diferença.
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* Texto escrito e enviado por Arimatéia Macêdo – www.arimateia.com – Novembro de 2009

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Publicado por Jornalismo

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