1. A iniciativa do governo é muito interessante, através da contínua busca duma forma de uso da água, no Nordeste, região com quase 80 % de sua área dominada pelo clima semi-árido.
A revolução chinesa conseguiu distribuir alimentação ao povo chinês, hoje com quase 20 % da população da terra, manteve intactos os palácios suntuosos que os antigos governantes moravam, com a alegação de que não devemos esquecer os erros do passado pra não repeti-los no futuro.
Vimos na administração dos militares de 1964 a 1984, diretriz de governo que repercutia a voz dos donos de terras, fábricas e grandes comércios, propalada por Delfim Neto, que não se podia aumentar os salários e sim “FAZER CRESCER O BOLO, PRA DEPOIS DISTRIBUÍ-LO“, portanto, o governo anterior, do presidente João Goulart, estaria errado em aumentar salários e melhor distribuir as terras e fazer negócios com a China, Polonia, Rússia, que tinham preços mais baixos nos carros, tratores e máquinas que nosso país precisava importar pra crescer.
Perpetua-se ainda hoje, uma análoga política delfiniana na formação e uso de reservas hídricas nordestinas, ou seja, envidam-se mais esforços e escassos recursos financeiros, no CRESCIMENTO DO BOLO DAS RESERVAS, do que na DISTRIBUIÇÃO DO USO DA ÁGUA ARMAZENADA.
Temos notícias que novos açudes serão construídos no Ceará, inclusive com os recursos remunerados com juros representativos. Dentre muitos, num açude gastarão mais de R$ 230 milhões pra armazenar uns 500 milhões de m3 dágua, (aprox. $ 0,23 dolar/m3), reserva pra uso futuro, (quantos anos ?... ), numa região do Ceará que já tem mais de 1 bilhão de m3 armazenados em açudes, alguns com construção de mais de 30 anos atrás e, ainda não se usou 20% de seu potencial;
1.a. O núcleo de agrônomos da Ibiapaba, em 1979, manifestou-se sobre esta máxima, acerca de formar mais reservas hídricas, sendo a solução pra redenção nordestina. Na ocasião, projetava-se a construção do açude Jaburu I, com volume estimado em 220 milhões de m3 e futura irrigação de 21 mil hectares. Falou-se que fora tomado empréstimo em banco estrangeiro, orçando em 18 milhões de dólares, (aprox. $ 0,08 dolar/m3).
Passaram-se 12 anos pra que o açude, findo em1980, tivesse uso, com a construção de adutora da Cagece, em inicio abastecendo cerca de três cidades da Ibiapaba. Hoje, após 30 anos da construção, temos quase 180 mil pessoas se utilizando desse abastecimento, com menos de 7 milhões m3 de água/ano, (consumo diário de 110 litros/hab), na região próxima ao Jaburu. Usa-se água em menos de 3 mil hectares de irrigação, portanto, ainda não usamos 20% do armazenamento da água daquele açude;
1.a.1. No perímetro irrigado Lima Campos, (Icó-CE), abandonou-se a maior parte dos 2.800 ha, por não se usar a energia da gravidade em 2.100 ha, (apenas 700 ha usam gravidade), faltando a construção de um ramal de canal de distribuição, orçado em R$ 30 milhões. O perímetro foi construído em 1933;
1.b. O núcleo de agrônomos disse ainda que a região onde se construiu o Jaburu I, era sujeita a infiltrações e que seria mais adequada a construção de algumas barragens menores, seqüenciadas do que uma grande isolada;
1.c. Construiu-se barragem, uns três anos após o Jaburu, na usina Agrosserra, no mesmo rio do Açude Jaburu I, antes deste uns 20 km, em Ibiapina-Ce, e gastou-se 260 mil dólares, (valor de 1983), para armazenar 2,3 milhões de m3 de água,(aprox. $ 0,11 dolar/m3). Quatro barragens destas, dariam pro consumo da Cagece, hoje, na região da Ibiapaba;
1.c.1. Note-se que, apesar da barragem do Jaburu ter volume declarado de mais de 100 vezes a da usina Agrosserra, e decorridos quase dois anos da construção duma pra outra, o custo do metro cúbico de água armazenada, foi de U$ 0,11 na menor e de U$ 0,08 na maior. Acentue-se mais ainda, que a garganta do rio no Jaburu é ótima pra barragem e na Agrosserra menos vantajosa tecnicamente;
As taxas que remuneram os empréstimos contraídos pelos municípios, estados, país, em construções deste tipo, são hoje próximas da SELIC, quase 10% ao ano, mais acréscimos devido ao risco país, (no caso de empréstimo externo), comissão do banco intermediador, podendo-se estimar que é próximo desta taxa, o custo financeiro duma construção que se tencione fazer hoje.
No empréstimo do Jaburu I, estimo taxas próximas de 20% a.a., portanto, o valor da época de 18 milhões de dólares, em menos de 4 anos dobrou de valor, e quando teve um uso representativo, (12 anos após sua construção), o montante era quase 10 vezes. Assim, o valor da construção do Jaburu, atingiu o equivalente a 10 novas construções doutros açudes similares ao Jaburu I, acumulando-se os juros ao custo inicial, desde sua construção até o uso representativo de suas águas armazenadas;
2. RECOMENDAÇÕES/QUESTIONAMENTOS
2.1. LEI DE RESPONSABILIDADE HÍDRICA – é preciso normatizar a construção e uso das reservas hídricas nordestinas. É de baixa eficiência econômica, endividar o estado/município/país, na construção de mais açudes, quando temos menos de 30 % do uso das reservas já existentes, portanto, é interessante que crie-se uma lei que percentualize-se, por exemplo, o valor de 50%, do uso das reservas hídricas existentes, quando atingido o uso de metade das águas armazenadas, permita-se a construção de novas reservas hídricas. O Ceará tem 17 bilhões m3 dagua armazenado;
2.2. TOPICALIZAÇÃO DAS CONSTRUÇÕES DAS BARRAGENS – movimento nos meios de transporte privados no Brasil, comprovou ser possível usarem-se motocicletas e topics no transporte de passageiros, com redução do custo e manutenção de cada veículo transportador de passageiros, além de redução do uso de combustíveis, desde que moto gasta ¼ do combustível comparado com um taxi e uma topic 1/3 do que gasta um ônibus, enquanto que cada proprietário de moto e vans, cuida do próprio negócio e distribue-se a renda.
Se optarmos por barragens menores sequenciando um mesmo rio, com sifões/canais e uso sincronizados ao evoluir das captações e perdas dágua, além de inovações dos processos construtivos, poderemos topicalizar as empresas responsáveis por construções e democratizar os resultados destes investimentos;
2.2.a. MODERNIZAÇÃO/MENORES CUSTOS/POPULARIZAÇÃO DA CONSTRUÇÃO – os barramentos dos rios são feitos seguindo-se uma técnica, na maior parte das vezes, apiloando/socando barro/piçarras úmidas. Será que o Brasil que capta petróleo a 3 000 m no fundo do mar, é capaz de desenvolver tecnologia, ou adaptar alguma já existente, que barateie ou instrumentalize a construção de barragens com máquinas de escavação, transporte e compressão do material usado, de forma que analogamente ao que sucedeu-se com as vans no transporte coletivo, outro instrumental permita a minoração do monopólio da construção de barragens através das grandes empreiteiras, e surjam consórcios de pequenas construtoras ?... ;
2.2.b. EMBRAPA RECURSOS HIDRICOS- temos pesquisa agropecuária no Brasil, sendo em cada região, unidades da embrapa, incubidas da pesquisa dum segmento, assim temos das verduras, caprinos, leite, frutas tropicais, trigo, uva e vinho, etc., com excelentes resultados no desenvolvimento de nosso país, eis uma boa obra dos militares, como foi a Embraer.
Acho que é necessário e teria ótimo alcance econômico e social, a criação da Embrapa das barragens, isto é, formando-se no semi-árido uma unidade que pesquisaria/adaptaria inovações na construção e uso das reservas hídricas, ou agregando-se numa regional, (na Embrapa Sobral-Ce., ou no DNOCS), um departamento que projetaria a modernização de construções e usos de barragens;
2.2.c. ESCOLA TÉCNICA DE EXPLORAÇÕES HÍDRICAS – O governo federal vai construir em torno de 200 escolas técnicas, porque não dedicarmos uma delas as explorações econômicas da água? Fazia-se uma dentro do centro de treinamento do DNOCS de Pentecostes-CE., e formavam-se técnicos em uso da irrigação, construção de barragens, explorações agropecuárias da água, peixes, camarões, etc.;
2.3. DESAFIOS E OBSTÁCULOS -VISÃO DE INTEGRAÇÃO/CONJUNTO
2.3.a. DEL MONTE E CUSTO DA ENERGIA – tem o Ceará unidade de agricultura irrigada na chapada do Apodi, compondo parte de município de Limoeiro do Norte, com solos comparáveis as terras roxas do estado do Paraná, (citados entre os melhores do Brasil), água farta, estradas, energia, tecnologia de ponta, mão de obra especializada entre outros.
A indústria Del monte, lá fixada, entretanto, analisa encerramento ou redução de suas atividades de agricultura irrigada, devido ao custo da energia elétrica, portanto, tem-se desafios a implementação da irrigação que priorizam-se as novas construções de barragens, qual seja, reduzir o custo do transporte da água na irrigação;
2.3.b. ACUMULAÇÃO DE ÁGUA , ENERGIA, E DE SOLO ERODIDO NAS BARRAGENS- há mil anos atrás, os povos Incas e Maias, na cordilheira dos Andes, já desenvolviam engenharia que utilizava a energia na captação dágua mais elevada para usar noutra área mais baixa, qual o percentual utilizado ou utilizável, através desta forma de uso, dentre nossas barragens ?;
Qual o volume real de água de nossas barragens ?; quantos drenos/sifões, citados por Hipéredes Macedo,(funci governo Ceará), estão aterrados, sem utilidade ?; Quando a Funceme estima a água armazenada baseia-se no volume inicial da construção?, fica diminuido o volume de armazenamento com o assoreamento erosivo?, quanto?... Seria possível destinarem-se 10 alunos de pos-graduação/doutorado de áreas técnicas correlatas pra aprofundarem os assuntos ?;
2.3.b.1. CONTROLE DE EROSÃO – Seria proveitoso, quando das construções de novos barramentos ou nas bacias dos nossos grandes açudes já construídos, iniciar-se, desenvolvimento de plano integrado de conservação de solos que, desde o início da construção dos novos açudes, contivesse área de vegetação permanente de alguns metros ao redor do espelho dágua, na desapropriação da área a ser inundada, agregasse recursos para desapropriação dos metros correspondentes sugeridos em leis, da margem do rio barrado, visando-se a manutenção de mata ciliar permanente.
Os bancos não financiem, ou se financiados, diferenciasse os encargos financeiros, estimulando aos produtores que utilizassem plantios em nível e paulatino terraceamento dos imóveis, QUE O PLANEJAMENTO ESTIMASSE CUSTOS DO BARRAMENTO ATÉ USO FINAL DA ÁGUA, entre outras;
2.3.4. FISCALIZAÇÃO – voltando a construção da barragem do açude Jaburu I, nesta construção tem uma placa aposta quando de sua conclusão em 1980, diz ter uma altitude de 722 m acima do nível do mar, na cota de sangria mínima e de 725 m na sangria máxima, ( estão sendo griladas as terras indenizadas nestes 3m + 5,5m). Devido a conflitos de terra, entre moradores e proprietários que tiveram parte de seus imóveis indenizados na construção do açude, mesmo assim os proprietários insistiram e têm a posse da área já paga.
Interveio o IDARCE, que transportando o registro de nível do FIBGE, existente na rodovia BR 222, constatou que a altitude real do barramento, tinham 5,5 m a menos que o citado na placa de inauguração. $ 18 milhões de dólares foi o total, estimo que o não aplicado valia mais de 4 milhoes de dólares de 1980, ( mais de um mensalão). Precisamos instrumentalizar a defesa do contribuinte, e nas barragens feitas ou a serem construídas, com formação de comissão de acompanhamento e processo fiscalizatório. Foi só o Jaburu I, que teve redução secreta de seu tamanho?;
2.3.5. ACOMPANHAMENTO DO USO- tal qual faz a Funceme, quando divulga os níveis d´água nos açudes, deveria regularmente ser informado o quanto se usa do total utilizável em cada açude, assim motivando-se as lideranças/população a expandir ou tornar mais eficiente as respectivas utilizaçõe
s dos açudes de seus municípios/regiões;
2.3.6. PEIXE CAIPIRA – vemos um potencial que “tartarugamente” desenvolve-se, é a utilização pecuária das águas dos açudes. A tecnologia usada, ainda, parece (análogas as criações avícolas), com criações modernas de frangos e galinhas, assim temos até hoje as granjas de peixes, com filhotes de peixes feitos a semelhança dos pintinhos e alimentados com ração industrial.
Voltamos a provocar um pensamento de que universidades, engenheiros de pesca, profissionais do ramo, noutro segmento da Embrapa, poderiam estudar e desenvolver a criação do peixe caipira, onde tivéssemos maior uso de insumos locais, tais como frutos e pastos orgânicos, assim reduziríamos o nível de gordura dos peixes criados; mini incubatórios de peixes/alevinos, onde trocava-se um pouco menos de produtividade, por redução de custos. Quais outras explorações adequam-se aos nossos açudes, camarões, mariscos, algas ?;
2.3.7. CRIATIVIDADE – notícia-se que o ministro Minc veio até Fortaleza, entre outras, queimou 600 kg de redes de pesca/nylon, usadas na pesca irregular e apreendidas pelo IBAMA. Tal qual faz-se com peixes, caranguejos, lagostas apreendidas, porque não destina-se a doação das redes?
Seria material utilizável em pesquisas pra uso de análoga tecnologia de ferro cimento, (tecnologia que aprimora o uso do ferro em peças de concreto), desta forma teríamos a feitura do nylon/cimento, talvez, construindo-se placas pro uso de cisternas captadoras de água de chuvas, ou utilizando-se na inovação e construção de pequenas barragens com nylon/cimento, proteção para quadras esportivas escolares, espaldeiras/latadas para uso agrícola, proteção de cargas em carrocerias de caminhões;
2.3.8. DRAGAGEM DE AÇUDES – A erosão carreia para os açudes material dragável. É possível a realocação, com deposição nos costados/jusantes das barragens, se tecnificarmos a retirada, usando-se energia da água armazenada, reforçando e ampliando as capacidades dos açudes dragados;
3. LOCALIZAÇÃO DE NOVOS AÇUDES – Devido a altitude, quando a cada 180 m de elevação, reduz-se um grau centígrado na temperatura média, bem como a formação geográfica dos rochedos e suas influências nas correntes de ventos, formação de nuvens/precipitação das mesmas, tendem nossas serras/chapadas/planaltos, serem locais com precipitações pluviométricas diferenciadas, chovendo mais do que no semi-árido, portanto, nestes ou nos seus sopés, devem se priorizar as construções de açudes menores, que mais do que acumular água, acumulam energia gravitacional, devido a altura.
O Jaburu I tem mais de 700 m, barateando o transporte d´água, enquanto os açudes do semi-árido ficam próximos dos 300 m acima do nível do mar. Nossas serras tem potenciais pra formação de açudes, que permitiriam captar e usar mais do que os 24 m3/s, pretendidos iniciais no projeto da transposição do rio São Francisco, sem custo de bombeamento, ao contrario, contendo a energia da altura.
A distribuição d´água da Cagece, enquanto descendo a serra da Ibiapaba, utiliza redutor de velocidade da água, ao invés de melhor uso desta energia, com acionamento de turbinas em microusinas de energia elétrica, perdendo-se milhares de kWh;
4. EFICIENTE USO DOS RECURSOS PÚBLICOS – As comunidades beneficiadas direta ou indiretamente com a construção de novos açudes devem ser ouvidas em todas as fases do processo. Igualmente, devem ser demonstrados os valores destinados à construção dos novos açudes, comparando o valor a investir com a implementação de outros empreendimentos tais como: construção de casas, pavimentação de ruas, estradas, modernização de escolas e hospitais, etc., desta forma poderiam optar pelo benefício que achassem prioritários.
Em vários países, principalmente no Brasil, existem inúmeros canais de irrigação que atravessam regiões secas com muitos agricultores pobres que não têm acesso a água. Ressalte-se que além da água é preciso integrar o uso da terra, com tecnologia, instrumentais, infra-estrutura de estradas, escolas, energia elétrica, habitações, políticas fiscais que proporcionem opções rentáveis de exploração.
EM BOA PARTE DO NORDESTE É MAIS VIÁVEL INVESTIR NA COMPLEMENTAÇÃO DA EXPLORAÇÃO DUMA RESERVA HÍDRICA JÁ EXISTENTE, QUE CONSTRUIR NA VIZINHANÇA DAQUELA, NOVA RESERVA/AÇUDE.
HAJA VISTA QUE NOS PRIMEIROS ANOS SUA UTILIZAÇÃO RESTRINGE-SE AO FORNECIMENTO DE ÁGUA BARRENTA A 20/30 FAMÍLIAS E OUTROS TANTO DE ANIMAIS, ALÉM DO LAZER PROPORCIONADO PELA INSTALAÇAO DE UM BARZINHO E UM BALNEÁRIO.
DEPOIS DE 5 A 7 ANOS, (quando os juros e correções do investimento, atingem o montante equivalente ao gasto na construção do açude), O AÇUDE ATINGE USO DE 10 a 30 % DO POTENCIAL TOTAL UTILIZAVEL. DESDE DOM PEDRO AO LULA. ATÉ QUANDO?...
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* Texto enviado pelo Engenheiro Agrônomo Francisco das Chagas Pinto Alcantara
A revolução chinesa conseguiu distribuir alimentação ao povo chinês, hoje com quase 20 % da população da terra, manteve intactos os palácios suntuosos que os antigos governantes moravam, com a alegação de que não devemos esquecer os erros do passado pra não repeti-los no futuro.
Vimos na administração dos militares de 1964 a 1984, diretriz de governo que repercutia a voz dos donos de terras, fábricas e grandes comércios, propalada por Delfim Neto, que não se podia aumentar os salários e sim “FAZER CRESCER O BOLO, PRA DEPOIS DISTRIBUÍ-LO“, portanto, o governo anterior, do presidente João Goulart, estaria errado em aumentar salários e melhor distribuir as terras e fazer negócios com a China, Polonia, Rússia, que tinham preços mais baixos nos carros, tratores e máquinas que nosso país precisava importar pra crescer.
Perpetua-se ainda hoje, uma análoga política delfiniana na formação e uso de reservas hídricas nordestinas, ou seja, envidam-se mais esforços e escassos recursos financeiros, no CRESCIMENTO DO BOLO DAS RESERVAS, do que na DISTRIBUIÇÃO DO USO DA ÁGUA ARMAZENADA.
Temos notícias que novos açudes serão construídos no Ceará, inclusive com os recursos remunerados com juros representativos. Dentre muitos, num açude gastarão mais de R$ 230 milhões pra armazenar uns 500 milhões de m3 dágua, (aprox. $ 0,23 dolar/m3), reserva pra uso futuro, (quantos anos ?... ), numa região do Ceará que já tem mais de 1 bilhão de m3 armazenados em açudes, alguns com construção de mais de 30 anos atrás e, ainda não se usou 20% de seu potencial;
1.a. O núcleo de agrônomos da Ibiapaba, em 1979, manifestou-se sobre esta máxima, acerca de formar mais reservas hídricas, sendo a solução pra redenção nordestina. Na ocasião, projetava-se a construção do açude Jaburu I, com volume estimado em 220 milhões de m3 e futura irrigação de 21 mil hectares. Falou-se que fora tomado empréstimo em banco estrangeiro, orçando em 18 milhões de dólares, (aprox. $ 0,08 dolar/m3).
Passaram-se 12 anos pra que o açude, findo em1980, tivesse uso, com a construção de adutora da Cagece, em inicio abastecendo cerca de três cidades da Ibiapaba. Hoje, após 30 anos da construção, temos quase 180 mil pessoas se utilizando desse abastecimento, com menos de 7 milhões m3 de água/ano, (consumo diário de 110 litros/hab), na região próxima ao Jaburu. Usa-se água em menos de 3 mil hectares de irrigação, portanto, ainda não usamos 20% do armazenamento da água daquele açude;
1.a.1. No perímetro irrigado Lima Campos, (Icó-CE), abandonou-se a maior parte dos 2.800 ha, por não se usar a energia da gravidade em 2.100 ha, (apenas 700 ha usam gravidade), faltando a construção de um ramal de canal de distribuição, orçado em R$ 30 milhões. O perímetro foi construído em 1933;
1.b. O núcleo de agrônomos disse ainda que a região onde se construiu o Jaburu I, era sujeita a infiltrações e que seria mais adequada a construção de algumas barragens menores, seqüenciadas do que uma grande isolada;
1.c. Construiu-se barragem, uns três anos após o Jaburu, na usina Agrosserra, no mesmo rio do Açude Jaburu I, antes deste uns 20 km, em Ibiapina-Ce, e gastou-se 260 mil dólares, (valor de 1983), para armazenar 2,3 milhões de m3 de água,(aprox. $ 0,11 dolar/m3). Quatro barragens destas, dariam pro consumo da Cagece, hoje, na região da Ibiapaba;
1.c.1. Note-se que, apesar da barragem do Jaburu ter volume declarado de mais de 100 vezes a da usina Agrosserra, e decorridos quase dois anos da construção duma pra outra, o custo do metro cúbico de água armazenada, foi de U$ 0,11 na menor e de U$ 0,08 na maior. Acentue-se mais ainda, que a garganta do rio no Jaburu é ótima pra barragem e na Agrosserra menos vantajosa tecnicamente;
As taxas que remuneram os empréstimos contraídos pelos municípios, estados, país, em construções deste tipo, são hoje próximas da SELIC, quase 10% ao ano, mais acréscimos devido ao risco país, (no caso de empréstimo externo), comissão do banco intermediador, podendo-se estimar que é próximo desta taxa, o custo financeiro duma construção que se tencione fazer hoje.
No empréstimo do Jaburu I, estimo taxas próximas de 20% a.a., portanto, o valor da época de 18 milhões de dólares, em menos de 4 anos dobrou de valor, e quando teve um uso representativo, (12 anos após sua construção), o montante era quase 10 vezes. Assim, o valor da construção do Jaburu, atingiu o equivalente a 10 novas construções doutros açudes similares ao Jaburu I, acumulando-se os juros ao custo inicial, desde sua construção até o uso representativo de suas águas armazenadas;
2. RECOMENDAÇÕES/QUESTIONAMENTOS
2.1. LEI DE RESPONSABILIDADE HÍDRICA – é preciso normatizar a construção e uso das reservas hídricas nordestinas. É de baixa eficiência econômica, endividar o estado/município/país, na construção de mais açudes, quando temos menos de 30 % do uso das reservas já existentes, portanto, é interessante que crie-se uma lei que percentualize-se, por exemplo, o valor de 50%, do uso das reservas hídricas existentes, quando atingido o uso de metade das águas armazenadas, permita-se a construção de novas reservas hídricas. O Ceará tem 17 bilhões m3 dagua armazenado;
2.2. TOPICALIZAÇÃO DAS CONSTRUÇÕES DAS BARRAGENS – movimento nos meios de transporte privados no Brasil, comprovou ser possível usarem-se motocicletas e topics no transporte de passageiros, com redução do custo e manutenção de cada veículo transportador de passageiros, além de redução do uso de combustíveis, desde que moto gasta ¼ do combustível comparado com um taxi e uma topic 1/3 do que gasta um ônibus, enquanto que cada proprietário de moto e vans, cuida do próprio negócio e distribue-se a renda.
Se optarmos por barragens menores sequenciando um mesmo rio, com sifões/canais e uso sincronizados ao evoluir das captações e perdas dágua, além de inovações dos processos construtivos, poderemos topicalizar as empresas responsáveis por construções e democratizar os resultados destes investimentos;
2.2.a. MODERNIZAÇÃO/MENORES CUSTOS/POPULARIZAÇÃO DA CONSTRUÇÃO – os barramentos dos rios são feitos seguindo-se uma técnica, na maior parte das vezes, apiloando/socando barro/piçarras úmidas. Será que o Brasil que capta petróleo a 3 000 m no fundo do mar, é capaz de desenvolver tecnologia, ou adaptar alguma já existente, que barateie ou instrumentalize a construção de barragens com máquinas de escavação, transporte e compressão do material usado, de forma que analogamente ao que sucedeu-se com as vans no transporte coletivo, outro instrumental permita a minoração do monopólio da construção de barragens através das grandes empreiteiras, e surjam consórcios de pequenas construtoras ?... ;
2.2.b. EMBRAPA RECURSOS HIDRICOS- temos pesquisa agropecuária no Brasil, sendo em cada região, unidades da embrapa, incubidas da pesquisa dum segmento, assim temos das verduras, caprinos, leite, frutas tropicais, trigo, uva e vinho, etc., com excelentes resultados no desenvolvimento de nosso país, eis uma boa obra dos militares, como foi a Embraer.
Acho que é necessário e teria ótimo alcance econômico e social, a criação da Embrapa das barragens, isto é, formando-se no semi-árido uma unidade que pesquisaria/adaptaria inovações na construção e uso das reservas hídricas, ou agregando-se numa regional, (na Embrapa Sobral-Ce., ou no DNOCS), um departamento que projetaria a modernização de construções e usos de barragens;
2.2.c. ESCOLA TÉCNICA DE EXPLORAÇÕES HÍDRICAS – O governo federal vai construir em torno de 200 escolas técnicas, porque não dedicarmos uma delas as explorações econômicas da água? Fazia-se uma dentro do centro de treinamento do DNOCS de Pentecostes-CE., e formavam-se técnicos em uso da irrigação, construção de barragens, explorações agropecuárias da água, peixes, camarões, etc.;
2.3. DESAFIOS E OBSTÁCULOS -VISÃO DE INTEGRAÇÃO/CONJUNTO
2.3.a. DEL MONTE E CUSTO DA ENERGIA – tem o Ceará unidade de agricultura irrigada na chapada do Apodi, compondo parte de município de Limoeiro do Norte, com solos comparáveis as terras roxas do estado do Paraná, (citados entre os melhores do Brasil), água farta, estradas, energia, tecnologia de ponta, mão de obra especializada entre outros.
A indústria Del monte, lá fixada, entretanto, analisa encerramento ou redução de suas atividades de agricultura irrigada, devido ao custo da energia elétrica, portanto, tem-se desafios a implementação da irrigação que priorizam-se as novas construções de barragens, qual seja, reduzir o custo do transporte da água na irrigação;
2.3.b. ACUMULAÇÃO DE ÁGUA , ENERGIA, E DE SOLO ERODIDO NAS BARRAGENS- há mil anos atrás, os povos Incas e Maias, na cordilheira dos Andes, já desenvolviam engenharia que utilizava a energia na captação dágua mais elevada para usar noutra área mais baixa, qual o percentual utilizado ou utilizável, através desta forma de uso, dentre nossas barragens ?;
Qual o volume real de água de nossas barragens ?; quantos drenos/sifões, citados por Hipéredes Macedo,(funci governo Ceará), estão aterrados, sem utilidade ?; Quando a Funceme estima a água armazenada baseia-se no volume inicial da construção?, fica diminuido o volume de armazenamento com o assoreamento erosivo?, quanto?... Seria possível destinarem-se 10 alunos de pos-graduação/doutorado de áreas técnicas correlatas pra aprofundarem os assuntos ?;
2.3.b.1. CONTROLE DE EROSÃO – Seria proveitoso, quando das construções de novos barramentos ou nas bacias dos nossos grandes açudes já construídos, iniciar-se, desenvolvimento de plano integrado de conservação de solos que, desde o início da construção dos novos açudes, contivesse área de vegetação permanente de alguns metros ao redor do espelho dágua, na desapropriação da área a ser inundada, agregasse recursos para desapropriação dos metros correspondentes sugeridos em leis, da margem do rio barrado, visando-se a manutenção de mata ciliar permanente.
Os bancos não financiem, ou se financiados, diferenciasse os encargos financeiros, estimulando aos produtores que utilizassem plantios em nível e paulatino terraceamento dos imóveis, QUE O PLANEJAMENTO ESTIMASSE CUSTOS DO BARRAMENTO ATÉ USO FINAL DA ÁGUA, entre outras;
2.3.4. FISCALIZAÇÃO – voltando a construção da barragem do açude Jaburu I, nesta construção tem uma placa aposta quando de sua conclusão em 1980, diz ter uma altitude de 722 m acima do nível do mar, na cota de sangria mínima e de 725 m na sangria máxima, ( estão sendo griladas as terras indenizadas nestes 3m + 5,5m). Devido a conflitos de terra, entre moradores e proprietários que tiveram parte de seus imóveis indenizados na construção do açude, mesmo assim os proprietários insistiram e têm a posse da área já paga.
Interveio o IDARCE, que transportando o registro de nível do FIBGE, existente na rodovia BR 222, constatou que a altitude real do barramento, tinham 5,5 m a menos que o citado na placa de inauguração. $ 18 milhões de dólares foi o total, estimo que o não aplicado valia mais de 4 milhoes de dólares de 1980, ( mais de um mensalão). Precisamos instrumentalizar a defesa do contribuinte, e nas barragens feitas ou a serem construídas, com formação de comissão de acompanhamento e processo fiscalizatório. Foi só o Jaburu I, que teve redução secreta de seu tamanho?;
2.3.5. ACOMPANHAMENTO DO USO- tal qual faz a Funceme, quando divulga os níveis d´água nos açudes, deveria regularmente ser informado o quanto se usa do total utilizável em cada açude, assim motivando-se as lideranças/população a expandir ou tornar mais eficiente as respectivas utilizaçõe
s dos açudes de seus municípios/regiões;
2.3.6. PEIXE CAIPIRA – vemos um potencial que “tartarugamente” desenvolve-se, é a utilização pecuária das águas dos açudes. A tecnologia usada, ainda, parece (análogas as criações avícolas), com criações modernas de frangos e galinhas, assim temos até hoje as granjas de peixes, com filhotes de peixes feitos a semelhança dos pintinhos e alimentados com ração industrial.
Voltamos a provocar um pensamento de que universidades, engenheiros de pesca, profissionais do ramo, noutro segmento da Embrapa, poderiam estudar e desenvolver a criação do peixe caipira, onde tivéssemos maior uso de insumos locais, tais como frutos e pastos orgânicos, assim reduziríamos o nível de gordura dos peixes criados; mini incubatórios de peixes/alevinos, onde trocava-se um pouco menos de produtividade, por redução de custos. Quais outras explorações adequam-se aos nossos açudes, camarões, mariscos, algas ?;
2.3.7. CRIATIVIDADE – notícia-se que o ministro Minc veio até Fortaleza, entre outras, queimou 600 kg de redes de pesca/nylon, usadas na pesca irregular e apreendidas pelo IBAMA. Tal qual faz-se com peixes, caranguejos, lagostas apreendidas, porque não destina-se a doação das redes?
Seria material utilizável em pesquisas pra uso de análoga tecnologia de ferro cimento, (tecnologia que aprimora o uso do ferro em peças de concreto), desta forma teríamos a feitura do nylon/cimento, talvez, construindo-se placas pro uso de cisternas captadoras de água de chuvas, ou utilizando-se na inovação e construção de pequenas barragens com nylon/cimento, proteção para quadras esportivas escolares, espaldeiras/latadas para uso agrícola, proteção de cargas em carrocerias de caminhões;
2.3.8. DRAGAGEM DE AÇUDES – A erosão carreia para os açudes material dragável. É possível a realocação, com deposição nos costados/jusantes das barragens, se tecnificarmos a retirada, usando-se energia da água armazenada, reforçando e ampliando as capacidades dos açudes dragados;
3. LOCALIZAÇÃO DE NOVOS AÇUDES – Devido a altitude, quando a cada 180 m de elevação, reduz-se um grau centígrado na temperatura média, bem como a formação geográfica dos rochedos e suas influências nas correntes de ventos, formação de nuvens/precipitação das mesmas, tendem nossas serras/chapadas/planaltos, serem locais com precipitações pluviométricas diferenciadas, chovendo mais do que no semi-árido, portanto, nestes ou nos seus sopés, devem se priorizar as construções de açudes menores, que mais do que acumular água, acumulam energia gravitacional, devido a altura.
O Jaburu I tem mais de 700 m, barateando o transporte d´água, enquanto os açudes do semi-árido ficam próximos dos 300 m acima do nível do mar. Nossas serras tem potenciais pra formação de açudes, que permitiriam captar e usar mais do que os 24 m3/s, pretendidos iniciais no projeto da transposição do rio São Francisco, sem custo de bombeamento, ao contrario, contendo a energia da altura.
A distribuição d´água da Cagece, enquanto descendo a serra da Ibiapaba, utiliza redutor de velocidade da água, ao invés de melhor uso desta energia, com acionamento de turbinas em microusinas de energia elétrica, perdendo-se milhares de kWh;
4. EFICIENTE USO DOS RECURSOS PÚBLICOS – As comunidades beneficiadas direta ou indiretamente com a construção de novos açudes devem ser ouvidas em todas as fases do processo. Igualmente, devem ser demonstrados os valores destinados à construção dos novos açudes, comparando o valor a investir com a implementação de outros empreendimentos tais como: construção de casas, pavimentação de ruas, estradas, modernização de escolas e hospitais, etc., desta forma poderiam optar pelo benefício que achassem prioritários.
Em vários países, principalmente no Brasil, existem inúmeros canais de irrigação que atravessam regiões secas com muitos agricultores pobres que não têm acesso a água. Ressalte-se que além da água é preciso integrar o uso da terra, com tecnologia, instrumentais, infra-estrutura de estradas, escolas, energia elétrica, habitações, políticas fiscais que proporcionem opções rentáveis de exploração.
EM BOA PARTE DO NORDESTE É MAIS VIÁVEL INVESTIR NA COMPLEMENTAÇÃO DA EXPLORAÇÃO DUMA RESERVA HÍDRICA JÁ EXISTENTE, QUE CONSTRUIR NA VIZINHANÇA DAQUELA, NOVA RESERVA/AÇUDE.
HAJA VISTA QUE NOS PRIMEIROS ANOS SUA UTILIZAÇÃO RESTRINGE-SE AO FORNECIMENTO DE ÁGUA BARRENTA A 20/30 FAMÍLIAS E OUTROS TANTO DE ANIMAIS, ALÉM DO LAZER PROPORCIONADO PELA INSTALAÇAO DE UM BARZINHO E UM BALNEÁRIO.
DEPOIS DE 5 A 7 ANOS, (quando os juros e correções do investimento, atingem o montante equivalente ao gasto na construção do açude), O AÇUDE ATINGE USO DE 10 a 30 % DO POTENCIAL TOTAL UTILIZAVEL. DESDE DOM PEDRO AO LULA. ATÉ QUANDO?...
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