O Icó é côncavo ou convexo? É plano e pleno.*

Um bom dia aos meus diletos conterrâneos! Hoje conversaremos sobre a nossa cidade de forma direta, sem eufemismo ou sonhos. Não quero com esse texto defenestrar nenhum conterrâneo, deixando-o sem estímulos para visitar essa terra tão sofrida.

Nos textos anteriores, sempre dirigi-me à vocês retratando as coisas boas que o CAMI (Conselho fictício que criei) havia realizado no Icó. Um grande amigo ao lê o texto “O Icó sentirá saudades do CAMI”, interrogou-me porque que esse Conselho que tantas coisas boas fez à população dessa cidade, havia de ser destituído.

Foi então que resolvi não mais retratar o nosso Icó, com todas as benfeitorias que a minha ficção havia atingido, pois se um estranho pôde acreditar que a minha cidade estaria em situação tão satisfatória, como dizia o texto acima citado, também poderia passar pela cabeça de algum conterrâneo distante, um pouco desinformado, que aquilo era verdade e largar tudo no lugar onde hoje mora e querer retornar ao Icó, pois hoje a cidade já tinha condições de oferecer-lhe uma vida mais digna do que antes.

Amigos conterrâneos, aproveitando o feriado de 7 de setembro e querendo matar a saudade desse torrão, de meus familiares e de alguns amigos, resolvi fazer uma visita de surpresa. Após três anos sem visitar o Icó, mesmo sabendo da noticias através do inseparável site “Icó é Notícia”, pensei encontrar algumas mudanças, mesmo que não fossem algo muito extraordinário, mas que tivesse havido alguma mudança, decepcionei-me.

Antes de relatar tais desmandos, quero deixar bem claro a todos que os textos que escrevo não têm nenhuma conotação político-partidária, simplesmente sou uma filho que assim como todos, gostaria de vê sua mãe em uma situação melhor. Não podemos hoje culparmos determinados grupos políticos de hoje, pela situação em vive o Icó.

Somos todos culpados, pois quando calamos, estamos dando o nosso consentimento, para que façam o que bem quiserem conosco. Se voltarmos no tempo não muito distante, veremos que toda a geração icoense de 68, 69 e 70 que foram meus contemporâneos, estão hoje em outros estados ou em Fortaleza, tentando uma vida mais digna. Será que não fomos omissos com nossa terra? Deixando que outras pessoas traçassem os seus destinos.

Não poderemos também esquecer que o Icó é uma das cidades mais velhas da região Centro-Sul do Ceará, no entanto amarga a situação menos favorável dentre as demais. Então o que fizeram nossos conterrâneos, que a administraram no período de sua fundação, no período de sua emancipação: nada.

Mesmo nos tempos mais remotos já havia agravantes que entravavam o desenvolvimento do Icó, pois que não conhece o fato pelo qual a linha férrea não passou pelo Icó, onde naquela época um grande comerciante icoense, pensando somente em si, não permitiu tal progresso, pois atrairia concorrentes aos seus negócios. Lamentável.

Se nos adentramos ao fator político, nos depararemos com fatos mais graves, onde um não faz porque não está no poder e vice versa. Infelizmente o Icó ainda mantém a equivocada tradição de que só se faz política se formos inimigos (Grupo – A e Grupo – B).

Política é uma coisa essencial à vida do ser humano, pois estamos a todo momento trabalhando com política, seja em casa com os filhos, com a esposa ou esposo, no trabalho, em tudo que fazemos, política é a arte da articulação, é procurar a solução de qualquer problema da melhor maneira possível, é representar e fazer ser representado sempre que precisar, portanto não cabe dentro da ciência política levarmos ou trazermos algo de familiar ou pessoal, política deve ser tratada com dignidade e respeito, pois ela precisa desses princípios básicos.  

Assim como fiz com os textos fictícios da época do CAMI irei relatar alguns dos maiores desmandos e descasos, que hoje acontecem em nossa terra natal.

Hoje quem passa às margens do Rio Salgado, não encontra mais um rio e sim um esgoto a céu aberto. Aterrado pelo assoreamento de suas margens, o lixo ali depositado divide espaços com as lavandeiras, que ainda persistem em lavarem suas roupas naquela água(será que lava?).

Lamentavelmente a juventude icoense está em ruínas. Estive durante três dias na cidade, não presenciei em momento algum, quaisquer eventos direcionados a integração dos jovens da cidade.

Mas se você se dirigir a qualquer bar da cidade, você encontrará em grande número jovens embriagando-se, independente de sexo, mas com um agravante: muitos com idade inferior a 15 ou 16 anos. Podem a até pensar que não procurei tais eventos, pois como sou apreciador de umas geladas, irão dizer que só andei nos bares da cidade. 

Voltarei ao Icó outras vezes, pois a defendo em qualquer situação, e sou um defensor de minha cidade, assim como acontece em família, você pode falar mal, mas não aceita que ninguém fale mal de sua família. Mesmo com todas essas mazelas o povo do Icó ainda traz consigo a eterna reputação de um povo acolhedor e de bom coração.

Quero aqui usar esse espaço para pedir desculpar ao nobre conterrâneo Rubens Brasil, o qual convidou-me para ir até a sua radio, mas no momento em eu esperava que encerrasse a entrevista com o Ex-Prefeito J. Júnior, para poder atender ao seu convite houve aquela pane na energia elétrica da cidade, mas outras oportunidades surgirão, obrigado.

Mesmo concordando que escrevi textos muito sonhadores, não desisto da idéia de que todo sonho pode tornar-se realidade, principalmente se sonharmos juntos. Então icoenses, nós temos uma força imensurável, que só depende de nós para colocá-la em prática, pois assim como disse o Senador Mão Santa (PMDB-PI) quando governou o Piauí – “O POVO É PODER”, o povo pode tudo que quiser, se souber usar a sua força.

O início do texto, fiz questão de esclarecer que o que escrevo não tem nada de político-partidária, até porque não sou eleitor do município. Mas conversando com o grande amigo Narcélio (COICÓ), e claro não poderia deixar de existir o assunto política, sabendo de alguns acontecimentos que antecederam o pleito passado, resolvi escrever esse texto do livro Maktub (Paulo Coelho).

 

“Na antiga Roma, um grupo de feiticeiras conhecidas como Sibilas escreveu nove livros contando o futuro de Roma. Levaram os nove livros para Tibério.


– Quanto custa? – perguntou o imperador de Roma.

– Cem moedas de ouro – responderam as Sibilas.

Indignado, Tibério expulsou-as. As Sibilas queimaram três livros e voltaram:

– Continuam custando cem moedas de ouro – disseram.

Tibério riu e não aceitou: pagar por seis livros o mesmo que pagaria por nove?

As Sibilas queimaram mais três livros e voltaram com os três restantes:

– Continuam custando cem moedas de ouro – disseram.

Tibério, mordido pela curiosidade, terminou por pagar – mas só conseguiu ler parte do futuro de seu Império.

  Diz o mestre:

Faz parte da arte de viver, não barganhar com a oportunidade.

   

“Só a realidade pode superar a beleza dos sonhos”

  (Damião Diniz)


 
Aos meus diletos conterrâneo um abraço
___________________________________
*Texto de Damião Diniz – Teresina(PI), 12 de setembro de 2009  
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