Rio Salgado e Jaguaribe: Poluição aumenta degradação a cada dia

Sujeira espalhada por todo o percurso das margens e dentro dos Rios Salgado e Jaguaribe. O que antes podia ser apenas ficção, em tempos de rios limpos, agora é cada vez mais real e triste o atual caso desses mananciais.

E nesta segunda-feira (17), o Jornal Diário do Nordeste trouxe, em seu caderno Regional, o caso de abandono que se encontram o Rio Jaguaribe (exemplo de Iguatu) e Rio Salgado (exemplo de Icó). Veja abaixo a matéria sobre o Rio que banha o território icoense, mas não como antes.

RIO SALGADO
Moradores são afetados por poluição responsabilidade


Icó. A cada cheia do Rio Salgado fica a evidência de que a ação do homem destruindo a natureza traz consequências drásticas para os moradores de cidades e vilas ribeirinhas. Neste ano, não foi diferente.

No município de Icó, as águas das fortes chuvas que banharam o sertão cearense invadiram mais áreas agricultáveis, destruíram barreiras naturais e penetraram com força nas ruas da cidade. Esse quadro é resultado direto da falta das matas ciliares, derrubadas ao longo das duas últimas décadas.

O Rio Salgado sofre e pede socorro ante a destruição sistemática das matas ciliares, do depósito de entulho e de lixo, nas margens e no leito. Para agravar a situação, a falta de sistemas de saneamento básico nas vilas rurais e nas cidades faz com que, diariamente, sejam despejadas águas fétidas de esgotos residenciais e comerciais.

Na margem esquerda do Salgado, essa situação é mais evidente. Esse é um problema antigo, mas que se repete com frequência, pois não há fiscalização por parte dos órgãos competentes. A julgar pela falta de um projeto de proteção ao meio ambiente, essa situação que se agrava com o crescimento das cidades.

Após a cheia do ano passado, o nível das águas voltou ao leito normal e, com as margens livres, novas agressões ao Rio Salgado voltaram a ser registradas. "A gente sempre vê o pessoal jogando entulho e alguns trazem lixo", contou a lavadeira Socorro Rodrigues. "O rio está cada vez mais aterrado", disse uma outra lavadeira, Francisca Custódio, que há 15 anos lava roupa na margem do Salgado, três vezes por semana.

"Na enchente, muita coisa foi espalhada e o lixo desceu até o Rio Jaguaribe", diz o agricultor Antônio Lima. Em alguns pontos, a situação se agrava em face da presença de embalagens de agrotóxicos, da retirada de areia e do corte da mata ciliar.

Em áreas como José Barreto e a prainha do Rio Salgado, já recomeçaram a colocação de entulho, quase dentro da água. "Falta fiscalização dos órgãos competentes. Dessa forma, a prática delituosa contra o rio continua", observa o empresário Getúlio Oliveira.

As agressões atingem com maior incidência a margem direita a partir da Ponte Piquet Carneiro, na área urbana, até o encontro do Salgado com o Jaguaribe, na zona rural. O agricultor Manoel Pereira diz que há três décadas, o rio era mais estreito.

"A cada enchente fica mais largo, invadindo as roças. Quando eu era jovem, o rio era diferente. A gente podia tomar banho porque a água era limpa e não tinha esse negócio de poluição, esgoto, mas agora não dá mais".

Donos de caçambas que prestam serviço aos moradores recolhendo entulhos e lojistas que jogam lixo são agressores diretos e permanentes do Rio Salgado, pois depositam nas margens material impróprio.

As sucessivas administrações municipais não enfrentam o problema e nem buscam parcerias com outras instituições. Na prática, o que se observa é a falta de projeto de combate à poluição, de recuperação de áreas degradadas e de preservação das margens e do leito do Salgado.

O agrônomo e ambientalista Paulo Ferreira Maciel vê com preocupação a degradação que atinge os rios no Interior cearense. "Esse é um quadro generalizado", disse. "Infelizmente o agricultor e o morador da cidade agridem a natureza, destroem os seus recursos naturais, poluem rios e lagoas".

Triste, mas consciente sobre as consequências da poluição e morte lenta dos rios, Maciel defende a aplicação de políticas públicas, com urgência, para a recuperação das matas ciliares, implantação de saneamento básico e construção de unidades de tratamento de esgoto, evitando o despejo de águas fétidas e de esgoto nos rios.

HONÓRIO BARBOSA
REPÓRTER

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Publicado por Jornalismo

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