Pedro Franklin Theberge nasceu em Marcé, França, em 1811. Formado em Medicina pela Universidade de Paris, em 1837. No ano seguinte, Dr. Theberge muda-se para o Recife, Brasil, com sua esposa Maria Elisa Soulé Theberge e seu filho Henrique Theberge. Em 1841 ajuda a fundar a sociedade de Medicina de Pernambuco. Em 1845 passa a residir no Icó, Ceará, florescente cidade da época. Icó, Sobral e Aracati representavam, na época, os três principais centros comerciais e de serviços do Estado, onde o Icó possuía uma localização estratégica na rota das boiadas e comércio da carne salgada, do centro-sul do Estado, inclusive da Paraíba.
Em 1845 quando Theberge chegou ao Icó, esta tinha uma população estimada em 15.000 habitantes e seu território incluía Orós e era influenciada politicamente pelas famílias, Dias, Duarte Brandão, Pinto Nogueira e Carneiro Monteiro.
Pedro Theberge passa a dedicar-se ao atendimento dos habitantes da imensa região do Salgado e parte do Jaguaribe. Atendia com presteza e proficiência. Estudava e escrevia, passando também a ser um importante historiador do Ceará do século XX, anotando tudo o que via e o que lia.
Interessou-se principalmente pela História do Ceará e passou a viajar para diversas localidades estudando os arquivos de cartórios e Igrejas. Em 1862, já possuidor de imensa bagagem de documentos, conclui o seu livro “Esboço histórico sobre a Província do Ceará”, livro que só foi publicado em 1869 por seu filho Henrique Theberge (1838-1905) e reeditado em 1973 pela Secretaria de Cultura do Ceará.
Em 1860 Pedro Theberge com a ajuda de seu filho Henrique, engenheiro, idealiza e financia o 1° teatro do Ceará.
Não podemos deixar de destacar o carinho que Pedro Theberge possuía pelo Icó. Construiu com recursos próprios um teatro, um bem para a coletividade e algo inédito para os cearenses na época.
Em abril de 1862 a cólera-morbus chega ao Ceará. Era uma doença mortal. A epidemia começou pelo Icó passando para Lavras da Mangabeira, Telha (Iguatu) e demais municípios.
A Princesa dos Sertões, título recebido em 1859, foi um dos municípios mais atingidos, infectando mais de 33% da população, onde por dia mais de 100 pessoas eram infectadas pela bactéria. O Teatro do Dr. Theberge foi transformado em um hospital devido ao grande número de doentes.
Em maio de 1862 já haviam morrido 421 pessoas no Icó, na maior parte, mulheres. Só havia dois médicos no Icó, o próprio Pedro Theberge e Rufino Alencar, que prestaram bons serviços, procedendo com louvável zelo pela população, assim afirmou na época o jornal cearense “Pedro II” de 25 de junho de 1862.
No dia 27 de maio de 1862 Pedro Theberge escreve para o jornal “O Cearense” dizendo: “O Dr. Rufino de Alencar, acometido de cólera nos primeiros dias da semana da Páscoa, viu-se também obrigado, na noite do segundo dia da sua doença, a ir acudir ao seu sogro, cuja morte, acompanhada de circunstâncias terríveis, o que abalou tão fortemente, que todos receavam uma recaída funesta. Felizmente, dois dias depois, achava-se firme no seu posto, correndo de casa em casa, afrontando o rigor da estação”. Os registros da cólera no Icó aparecem até o ano de 1864.
No dia 08 de maio de 1864, Dr. Pedro Franklin Theberge morria no Icó aos 53 anos, cidade que escolheu para viver e nela permaneceu durante 18 anos.
Seus restos mortais foram levados para a Igreja Senhor do Bonfim a pedido de seu filho Henrique Theberge em 1872, onde foi colocada a lápide com os dizeres “Aqui jaz os restos mortais do Doutor Pedro Theberge, que como viesse da França para o Brasil, tornou-se querido e aceito por todos. Por isso sempre dizia, sou francês de nascimento, porém brasileiro de coração.”
Hoje, o Teatro da Ribeira dos Icós representa um dos principais monumentos do nosso município e do Estado do Ceará, tombado pelo IPHAN em dezembro de 1997 e a imensa praça que fica em frente ao teatro passou a ser denominada Largo do Theberge no governo municipal do saudoso José Walfrido Monteiro, prefeito de 1973 a 1977.
OBS: Sugiro à Secretaria de Cultura do Município de Icó que preste uma homenagem a Pedro Theberge, colocando um quadro ou banner com sua foto e biografia em justiça aos serviços prestados e ao amor que esse francês, radicado em Icó, tinha por nossa terra.
* TEXTO DE PAULO HENRIQUE AMANCIO AMORIM
** Fontes: Esboço Histórico da Província do Ceará – Pedro Franklin Theberge
História do Ceará – Airton de Farias
Icó em fatos e memórias, Volume I e II – Miguel Porfírio de Lima
Revista do Instituto do Ceará
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