Poeira. Muita poeira. Nas roupas, malas e tudo o mais que você tiver trazido. Essa visão pode parecer catastrófica para quem não gosta de sujeira. Não deixa de ser.Mas para quem viaja mais de dois mil km ou até mais e busca aprender e praticar a torça de conhecimentos acadêmico e popular isso é apenas o símbolo de um trabalho.
Aliás, que trabalho? Essa palavra é pesada demais para quem faz as ações por prazer. Assim é o rondonista e assim aconteceu esta operação “Centro Norte/ Retorno”, realizado em diversos estados no Centro-Oeste e Norte do Brasil.
Durante os dez dias de realização das ações, a palavra trabalho não se conjugava como obrigação, mas como aprendizado contínuo de dezenas de rondonistas. Mas o que é ser realmente rondonista? Difícil defini-lo em poucas palavras ou em muitas palavras. Só sabe quem participa, mas podemos trazer algumas definições.
Na verdade, definição é muito burocrática. Seremos mais informais e mais humanos, pois participar do Projeto Rondon é conviver com a realidade desse Brasil, no seu interior, frágil em estrutura mas forte em seu calor humano.
Poucas vezes na vida são determinantes para que você veja realmente o que é importante. E o importante é crescer junto, respeitar as diferenças e ver que mesmo nas dificuldades cotidianas o brasileiro busca construir dias melhores. Essa visão só se dá para quem sai dos livros e papeis e parte para a prática, vê o Brasil.
A cada dia, em cada ação, a presença das pessoas, não pensando em sua quantidade. Vendo cada uma e sua singularidade, a vontade de aprender deles com os estudantes e professores na verdade escondia a verdadeira realidade: nós, rondonistas, quem aprendemos com cada pessoa.
Cada sorriso e abraço de uma criança que guarda em si a esperança do futuro. Cada olhar meio desconfiado e uma recepção acima de todas as expectativas feita por adultos e idosos.Em cada gesto simples (que simples?), em cada conversa ao pé do ouvido e atenção dispensada por todos e, acima de tudo, não somente falar, aprender a escutar e trocar conhecimento.
Tudo isso representa um pouco do ser e ver rondonista. Passaria o dia todo nestas mal traçadas linhas na busca do definir o Projeto Rondon, porque as palavras tentam mas não conseguem definir o real sentimento de quem vive in loco os problemas e a busca das soluções.
Palavra nenhuma conseguiria descrever um olhar de uma criança ou de um idoso atento ou disperso sobre tantas pessoas ou sobre um rondonista. Não compreendemos as vezes que o importante de um momento e determinante em um futuro pode ser um acalento, abraço e uma palavra confortante. A partir daí se pode continuar as ações, nas diversas áreas desde a saúde até as comunicações.
O gesto de fazer palestras, oficinas e de levar a capacitação seria apenas mecânico se não tratássemos a todos e a nós mesmos como ser humanos.
A cada pessoa que participou e que em seu coração agora tem um rondonista que se encontrava adormecido, mantenha em suas almas esse sentimento, que tomou conta de seu ser em cada contato.
Pois com essa nova energia você fará diferença não somente na vida de outros, já que foi deixada a semente que vingará, mas a diferença se fará em vocês mesmos.
Você, eu e todos podemos modificar nossas vidas para melhor. A união começa com a frase: “Rondonista eu sou”.
__________________________________
* Texto escrito por Yuri Guedes de Lavor -
Rondonista representante do curso de Jornalismo da Universidade Estadual da Paraíba - trabalhos realizados em Nova Roma-GO nos dias 5 a 15 de julho de 2009
0 comentários :
Postar um comentário