O tempo não para (Editorial do Jornal Notícias do Vale - n° 190)

Quando Cazuza cantou “O tempo não para”, fazendo apologia aos acontecimentos que de uma forma ou de outra seguirão no tempo, também chamou a atenção para dizer que se não for realizado agora estará sendo perdido tempo precioso que não será possível recuperar jamais.

Assim é o tempo da vida que vai seguindo em frente sem poder parar para respirar e dar um tempo. Chegamos ao final do quarto mês das administrações municipais que se abancaram no poder no último dia primeiro de janeiro.

Quatro meses já se foram e aquilo que não foi feito neste tempo estará perdido para sempre, pois o “tempo não para”. Há notícias de prefeituras que já realizaram muitas atividades nos quatro meses que se foram.

Ruas foram pavimentadas, postos de saúdes foram abertos, estradas foram concertadas, hospitais estão atendendo, escolas foram construídas e entraram em funcionamento preparando o tempo futuro.

Há notícias, embora raras, de administradores empossados que tomaram conta das rédeas da administração com simplicidade e competência e estão colocando em prática um projeto simples e executável buscando elevar a auto-estima da população para a superação dos traumas do dia a dia, preparando assim a construção de um futuro melhor para todos sem as famosas distinções de raças, cores, credos, capitais e pensamentos políticos, ideológicos e partidários.

Há notícias, estas bem mais raras, de homens que assumiram o cargo e olharam para seus munícipes como ingredientes importantes de uma receita que deverá ser construída com a participação de todos, cujo sabor principal será sempre o bem comum.

E no Icó, que notícia há? O povo se pergunta: Quem somos? Onde estamos? Para onde vamos? Ninguém poderá responder ao certo, pois o administrador municipal não disse ainda em que espécie de bicho o povo foi classificado, muito menos anunciou o que pretende fazer com ele e para onde o levará.

A sociedade vai derivando pelo oceano das dúvidas e nenhuma ação governamental efetiva chegou ao conhecimento da população para a concretização das intenções e dos gestos, apontando qual o caminho que todos deverão seguir.

O município está sofrendo pelas ações do inverno rigoroso sobre uma frágil infra-estrutura de estradas, esgotos e drenagens e também está carente da falta de ações governamentais. Mesmo sem acessibilidade ao plano municipal, o que se pode presenciar é que o governo tem sido dominado por uma espessa camada de arrogância e vaidade.

Pronunciando ainda os discursos da campanha vai se distanciando da simplicidade que caracteriza todos aqueles que realmente sabem o que fazer e para onde ir. Em sua história recente Icó tem tido pequenos avanços e grandes recuos e ainda se recente dos resultados regressivos da administração que antecedeu a atual.

Há tanta coisa para fazer, tanta obra para construir e tanta resposta para dar. O desejo de todos aqueles que gostam do Icó é que tudo corra para o lado do bem, mas já quatro meses se passaram. Pode até ser pouco tempo, mas, ao tomar posse, começa a contagem regressiva do mandato e agora já há quatro meses a menos para realizar.

Não sabemos ao certo o que foi feito com os recursos que entraram no município e com o tempo que foi gasto. Pode até ser que um grande plano esteja em gestação, não sabemos, porém, como anda o encaminhamento e quando nascerá o fato novo que alimentará as esperanças de todos. É preciso ter cuidado. Há muito que fazer e, como sabiamente lembrou Cazuza, “o tempo não para”.
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Publicado por Jornalismo

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