JESUS DE NAZARÉ E O PADRE JOSÉ AUGUSTO*

Era agosto de 2008, no sitio Santa Maria, distrito de Icozinho. Realiza-se a tradicional missa daquela pacata comunidade, com a presença de centenas de munícipes icoenses, principalmente de muitos conterrâneos nossos que vieram de São Paulo somente para prestigiar o evento religioso e do calendário local.

O Pe. José Augusto é o convidado, há quase trinta anos, para celebrar a missa, por já ter história religiosa no distrito de Icozinho, inclusive por sua irreverência (comentários diversos) e por conhecer bem as pessoas e a região.

A missa inicia. Todo ritual católico e devidamente posto. Mensagens, orações, preces para um mundo melhor.

Daí vem à hora da homilia (exortação religiosa fundada num ponto da Escritura), momento em que o Padre fala ao povo, conta uma história bíblica ou em algumas vezes, faz um discurso moral para chamar a comunidade para a discussão da vida presente.

O Padre José Augusto, diferente dos demais, ressaltou que estávamos naquele momento (agosto de 2008), em período eleitoral, aonde o nosso povo deveria votar melhor, “pois todos nós sabemos quem são os políticos do Icó. Os honestos e os desonestos; quem votar nos desonestos é porque não quer o bem do povo” (sic).

Doravante, surge uma pessoa, dentro do templo católico do local, levanta-se e diz que “não estava ali para ouvir discursos políticos” (sic).

O nosso valente Padre José Augusto não se intimidou, pegou um crucifixo grande, com imagem de Jesus na Cruz e respondeu: “VOCÊ CONHHECE ESTE HOMEM? O NOME DELE É JESUS DE NAZARÉ. ELE FOI CRUCIFICADO, FOI MORTO, FOI PERSEGUIDO, PORQUE LUTAVA CONTRA OS PODEROSOS; CONTRA OS FACÍNORAS; CONTRA OS BANDIDOS DA POLÍTICA DESDE AQUELA ÉPOCA. NÓS TEMOS QUE DISCUTIR POLÍTICA SIM. SABE POR QUÊ? PORQUE A SENHORA ENCONTRA-SE DESEMPREGADA HÁ VÁRIOS ANOS. NÃO É VERDADE?” (sic).

Ao final da homilia, o padre José Augusto fora aplaudido de pé pelas centenas pessoas, que assustadas inicialmente, assistiam aquela discussão dentro da Igreja.

Soube-se depois, que políticos do Icó, já acostumados com o estilo do Padre José Augusto, bem como prevendo que ele poderia fazer um ríspido discurso naquela comunidade rural, teria “mandado” aquela humilde mulher, que se encontrava desempregada, para tentar constranger o Padre José Augusto.

Não conseguiu!!!

*TEXTO ESCRITO POR FABRÍCIO MOREIRA DA COSTA.
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