O vaqueiro Raimundo Romualdo da Paixão, 50 anos, acostumado com a lida com o rebanho bovino desde a adolescência, na localidade de Barreiras, zona rural de Iguatu, procura um jeito de melhor alimentar o gado, salvar o pasto nativo e ordenhar o leite diariamente. Nas últimas semanas não tem sido fácil o trabalho dele e dos criadores. O excesso de chuva na região Centro-Sul deixou as áreas de pastagens alagadas e os currais descobertos inundados. Resultado: prejuízo para a bovinocultura.
A terra está encharcada, os animais pisam no capim, que vira lama, e sem comer suficiente cai a produção de leite. O vaqueiro Raimundo da Paixão diz que já não sabe o que fazer. E com razão mostra-se preocupado. “O capim está ficando enlameado, ruim para alimentar o gado”, diz. “Para tirar o leite a gente perde muito tempo, trabalho e água para lavar as vacas”.
Os criadores tentam encontrar áreas menos encharcadas, mas as roças estão dentro d'água. Diariamente chove na região e o quadro de dificuldades cresce a cada semana. O secretário de Agricultura de Iguatu, Valdeci Ferreira, estima que o excesso de chuva provocou em média uma queda de 30% da produção leiteira. “O quadro é de extrema dificuldades e prejuízo para quase todos os criadores”, observou. “A nossa expectativa é que a quadra invernosa seria um período favorável, mas ocorreu o contrário”.
As áreas de capineiras estão alagadas e muitos criadores tiveram que remanejar o gado para outras roças. “O trabalho com o gado está complicado” diz o produtor José Paulino Neto. “A minha produção diária de leite caiu 40%”. Num período normal de chuva, deveria ordenhar 500 litros, mas só consegue 300 litros diariamente. “O gado come pouco e mal porque o capim virou lama, não consegue fazer a digestão e dorme mal porque as roças alagadas impede que os animais se deitem”.
O produtor rural Paulino Neto é integrante da Unidade Pecuária de Iguatu (Upeci), entidade que reúne dezenas de criadores e produtores de leite. “A reclamação é geral e o quadro de dificuldades e prejuízo atinge todo município”, confirmou. “Vamos ter um ano perdido para a lavoura e para a pecuária”. A elevada quantidade de chuva traz uma situação contraditória. A pastagem nativa fica estragada com o pisoteio dos animais que não se alimentam suficiente e perdem peso.
A quadra invernosa quando registra chuva dentro da média favorece a pecuária. É um período em que nasce a pastagem nativa e os criadores reduzem custo e aumenta a produção de leite. Entretanto, neste ano, está ocorrendo o inverso. O excesso de chuva provoca prejuízo, queda da produção leiteira e aumento da mão-de-obra para cuidar do rebanho. O casco dos bichos cai e aparecem doenças e infecções.
Até mesmo para fazer a silagem, corte do sorgo e armazenamento do produto para alimentar o gado no período de verão, os criadores encontram dificuldades. “Os tratores não podem entrar nas roças porque atolam e não há como cortar os pés e fazer a silagem”, diz o vaqueiro Raimundo da Paixão. “Se continuar chovendo neste mês, deverá haver perda da produção de sorgo”.
Se continuar chovendo forte neste mês, a tendência é de ocorrência de uma situação de emergência para o setor agropecuário. “O excesso de chuva traz prejuízo para os pequenos e grandes agropecuaristas”, observa o secretário Valdeci Ferreira. “Atinge todo o setor”. Os que sofrem mais são os pequenos criadores, que não têm capital e encontram dificuldades para superar os prejuízos. O município de Iguatu dispõe de significativas áreas de pastagens. A terra é plana e baixa favorecendo a inundação das áreas de criação.
_________________________
* Texto Por Honório Barbosa e enviado por Getúlio Oliveira (Edtor-chefe do Jornal Notícias do Vale)
0 comentários :
Postar um comentário