Personagens Históricos: VICENTE FERREIRA LAVOR "PAPAGAIO"


A família Lavor era uma das grandes famílias do setecentos no Icó. Sesmeiros e fazendeiros de gado desde o século XVII. Por volta de 1825, essa família migrou, em parte, para o Maranhão. Os motivos dessa diáspora foram as secas de 1804, 1809, 1810, 1814, 1816-1817, que provocaram a falência dos agropecuaristas. Juntando-se às precárias condições econômicas que assolavam no Ceará, houveram as grandes conturbações políticas imediatamente anteriores e posteriores à Independência do Brasil: A Insurreição Pernambucana de 1817 e a Confederação do Equador de 1924, que tiveram grande impácto no Icó, até como centro intelectual e político dos movimentos insurrecionais. Isso no primeiro quartel do Século XIX.

Nos informa João Brígido dos Santos “ (...) para levarem vida mais plácida e mais farta. Do Icó, onde foi intensíssimo o flagelo, mudou-se para o Maranhão uma parte da família Lavor (...)" incluindo o jovem de sangue quente Vicente, famoso já nos seus envolvimentos políticos modernos e anti-monarquistas e por certo participara dos dois movimentos. Certamente, pensaram os mais velhos, que melhor seria criarem os filhos longe desses perigos e agitações.

Vicente Ferreira Lavor, nascido por volta de 1801, mais tarde já jornalista famoso por suas polêmicas em São Luiz do Maranhão, se intitularia de “Papagaio”, num duplo sentido: Uma pilhéria às suas origens e por falar demais, ou melhor escrever demais, tanto nos jornais, quanto nos pasquins, que enfurecia muita gente!


Conforme informações de João Brígido dos Santos, in Ceará: Homens e Fatos nos informa que “Do Icó, onde mudou-se para o Maranhão uma parte da família Lavor. Vicente Ferreira Lavor ("Papagaio") andou nas brigas andou nas brigas de partido daquela província. Esse indivíduo escreveu ali um furibundo jornal intitulado Sentinela” (in Ceará homens e fatos p. 186) O sentinela era um jornal que "detonava" os imperiais e as forças opressoras. Na verdade Lavor Papagaio era um critico insuflador das massas. Benza-te Deus que tem muita gente asssim.

Ou seja, Vicente envolvera-se nos conflitos citados, não bastassem os envolvimentos no Ceará de onde tinham migrado o jornalista Lavor “Papagaio” como vinha a ser chamado no Maranhão começou a se envolver nos movimentos que seriam chamados posteriormente de “Cabanagem”.

“A Cabanagem foi uma revolta na qual a população pobre se insurgiu contra a elite política e tomou o poder entre 1835 a 1840, tendo como causa a extrema pobreza em que se encontravam os ribeirinhos e a irrelevância política à qual a província foi relegada após a independência do Brasil. De cunho popular, a revolução também contou com a participação de elementos das camadas média e alta da região, entre os quais se destacam os nomes do padre João Batista, Gonçalves Campos e do jornalista Vicente Ferreira Lavor Papagaio. “A denominação Cabanagem remete ao tipo de habitação (cabana) da população ribeirinha, constituída por mestiços, escravos libertos e indígenas.”


Para promover agitação e propaganda da Cabanagem Batista Campos, líder revolucionário "importou" do maranhão Vicente Lavor que iria incendiar a imprensa em Belém. A princípio através de grandes jornais de circulação. Restritos esses jornais os artigos circulariam através “da planfletagem mais desabrida a cargo de Lavor Papagaio” in Memorial da Cabanagem: esboço do pensamento político-revolucionário no Grão-Pará.

Figuraram como as figuras mais notáveis na Cabanagem O padre João Batista Gonçalves Campos e o jornalista icoense Vicente Ferreira Lavor Papagaio.

PARA ENTENDER A CABANAGEM:

Cabanagem (1835-1840) - Pará Quando declarada a independência, a província do Grão-Pará ainda continuava ligada com Portugal e o governo de D. Pedro I foi instituído à força. A economia local estava estagnada e os soldados insatisfeitos com o soldo, o poder central e as autoridades. (Única rebelião em que as camadas mais pobres ocuparam o poder, tendo como participantes fazendeiros, comerciantes, militares e a população mais pobre da região.)

Motivos:

• A péssima condição de vida das camadas mais baixas da população;
• A insatisfação das elites (Irrelevância política à qual a província foi relegada após a independência do Brasil);
• Insatisfação do povo com o novo presidente da província (Bernardo Lobo de Souza);
• A relação conflituosa entre os comerciantes e fazendeiros;
• A oposição ao recrutamento forçado.Líderes: Antônio e Francisco Vinagre (lavradores), Felix Antonio Clemente Amlcher (fazendeiro), Eduardo Angelim (seringueiro), Vicente Ferreira Lavor (jornalista), Cônego Batista Campos.

Presidentes da província:

Bernardo Lobo de Souza - Nomeado pelo GOVERNO CENTRAL, foi assassinado dando início a ação dos rebeldes.
¹ Félix Clemente Malcher - Os cabanos o colocaram no poder, mas foi contra os próprios rebeldes, sendo assim deposto e também assassinado.
² Francisco Pedro Vinagre – Nomeado pelos cabanos, foi acusado de traição (Ajudando tropas legalistas e prometido entregar a presidência da Província a quem fosse indicado pelo Governo Regencial). Com ajuda de Francisco Vinagre as FORÇAS REGÊNCIAIS RETOMARAM BELÉM. Manuel Jorge Rodrigues – Nomeado pelo GOVERNO CENTRAL, pela traição de Francisco Vinagre.
³ Eduardo Angelim – Depois da derrota na capital os cabanos foram para o interior e conseguiram a adesão de uma camada mais humilde da população. Retomaram Belém após nove dias de luta e Eduardo Angelim foi escolhido para o terceiro governo cabano. (Durou apenas dez meses)

Repreensão:

Abril de 1836 – O até então regente Feijó mandou uma tropa comandada pelo brigadeiro Francisco José Soares de Andréia, que conquistou a capital.
Os cabanos voltaram para o interior, e continuaram sob o governo de Eduardo Angelim por mais três anos (APENAS NO INTERIOR, A CAPITAL ESTAVA SOB O GOVERNO DO GOVERNADOR ELEITO PELO GOVERNO CENTRAL.)
1840 – A situação da Província foi controlada pelas tropas do governo central com violência e brutalidade.Cerca de 30 mil pessoas morreram em incidentes criminosos promovidos por mercenários e pelas tropas governamentais.

FONTE: http://historia2c2008.blogspot.com/2008/05/revoltas-regnciais-continuao.html
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