Chuvas em Ipaumirim causam transtornos e prejudicam população

As chuvas que vem caindo recentemente na cidade de Ipaumirim, distante cerca de 60 km de Icó e 435 km da capital cearense, Fortaleza, vêm causando sérios prejuízos e alterando a rotina na cidade.


Somente neste mês de abril, já choveu na cidade até as precipitações de ontem para hoje, 266 mm (falta a chuva de hoje, dia16/04), e há alguns dias 102 mm atingiram o município na maior chuva registrada no Ceará para o dia 9 de abril. Desde o mês de janeiro, já foram registrados 1.283 mm em Ipaumirim. Confira a tabela da Funceme que registra as chuvas no município.




Em uma reportagem especial feita pelo Portal UOL que foi exibida nesta terça-feira, 15, a cidade foi retratada em um momento atípico para o sertão cearense, que tanto carece de água: o excesso dela. AO foco da reportagem se centrou na mudança do cotidiano desta pequena cidade do interior do Ceará, com pouco mais de 12 mil habitantes.



Um exemplo da alteração na vida diária dos habitantes deste município se localiza na Rua E, no Bairro São José, próximo ao riacho Pendências. Em um local extremamente precário, onde o esgoto corre a céu aberto, cerca de 600 pessoas convivem com essa situação morando em 23 casas de taipa no bairro mais pobre de Ipaumirim.



No dia 9 de abril, quando se registrou uma das chuvas mais fortes registradas nesta cidade, de 102 mm, a Rua E ficou quase que completamente submersa pelo riacho que não amedrontava ninguém, mas que acordou. Além disso, mais dois açudes ajudaram a completar o estado de caos que passou a comunidade.



Um exemplo do povo desta cidade, que luta diariamente, mas que teve que com as chuvas perdeu o seu investimento. Esse é o caso de Francisco Washington Soares. Ele plantou feijão, milho e jerimum em uma área próxima ao riacho Pendências, mas devido ao aumento no nível das águas, restou apenas parte da colheita do feijão para a família, por alguns dias. O milho tem a esperanças de escapar duas receitas, já o jerimum não teve a mesma “sorte”. Como morador da área tem uma casa de taipa, moradia irregular feita de barro socado, que é instável, e mais ainda em tempos chuvosos como esta época.



O exemplo dele remete a situação das famílias deste bairro, e mais particularmente desta rua, que fica próxima ao riacho. Para os ribeirinhos, sejam eles de qualquer lugar, sabem que a natureza não espera, ela leva tudo. Mas os rios e riachos não têm a culpa, eles tentam seguir o seu curso. O homem é o responsável por alterar e aumentar a velocidade de erosão, descaracterizando e matando o leito e seu caminho. O que acontece, e como a reportagem citou esse exemplo, é que as margens desprotegidas dos leitos são levadas junto com as águas fortes.



O site UOL também traz mais um caso das rotinas alteradas pelas chuvas que caem na cidade. O exemplo é o da doceria Big Doce, que são mantidas pelo empresário Big Dog e João Paulo. As águas da “grande chuva” atingiram a fábrica em um nível de 1,7 m de altura em menos de uma hora. Apesar de conseguir salvar alguns utensílios, o prejuízo se contabilizou em mais de R$ 5 mil, espalhados em 60 sacas de açúcar perdidas, além de dois frezzers queimados e muitas cocadas perdidas com o avanço das águas. Mesmo com esse baque, o empresário mantém a confiança e espera crescer mais. Hoje a fábrica tem 15 empregados e capacidade de produção de 23.000 cocadas.



Um outro caso de perda de plantação pela força das águas aconteceu em uma cidade próxima, em Umari. Um exemplo é do agricultor José Almir, que estima ter perdido, segundo a reportagem do UOL, em torno de R$ 5 mil em 150 sacas de milho.



Uma área bastante afetada pelas chuvas foi a zona rural de Ipaumirim. Com as terras sem árvores ou qualquer cobertura vegetal, as águas em contato com o solo se transformam em lama e tornam a travessia um teste de paciência. Buracos surgem e dificultam a locomoção de passageiros para a cidade. As chuvas que caíram na quarta-feira passada, dia 9, fizeram a zona rural ficar ilhada e suspender até o dia 22 as aulas do município.



A recuperação das estradas está estimada em torno de R$ 60 mil e R$ 70 mil para serem gastos nos 250 km de estradas comprometidos. Uma maneira de driblar os altos gastos está em usar piçarra, uma terra grossa, para tapar os buracos e minimizar os efeitos presentes nas estradas de terra que cortam a zona rural.



Um perigo também presente para os moradores do bairro São José, em Ipaumirim, como de toda população ribeirinha do Ceará, que foi vítima das águas, reside na situação de risco para casos de verminoses e doenças do estômago e intestino. Estes casos, junto a problemas respiratórios, conjuntivite e contaminação são conseqüências do contato com água misturada a dejetos.



O que prejudica a diminuição nos casos que ocorrem é a precária estrutura do saneamento básico da localidade. O lixo e o esgoto não têm um tratamento adequado e são despejados no riacho. As cheias trazem a água contaminada e prejudicam a saúde dos habitantes. Além dessa deficiência, a população não mantém uma higiene, aumentando a possibilidade de problemas de saúde.



Em áreas alagadas por muito tempo, a chance de doenças aparecerem é maior. Um exemplo seriam as cidades de Icó e Lavras da Mangabeira, que ficam a beira do Rio Salgado, que recebe muita água em tempo de muita chuva. Aí reside o perigo de contrai a cólera, pela água suja, e a leptospirose, se ocorrer a presença de urina de rato.

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Publicado por Jornalismo

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