Cidadão Censurado

Quanto mais se imagina que a nossa cidade caminha para o progresso, mais somos bombardeados por notícias totalmente opostas.

Além de sermos quase que privados de direitos básicos como saúde, educação, cultura, saneamento básico, dentre outros; ainda não podemos reclamar desta verdadeira baderna, que somos coibidos a aceitar por diversas causas. 

Aos que lutam pelo fim da desigualdade, da política do pão e circo e desta verdadeira palhaçada no nosso torrão, saberão agora de um fato de deixar qualquer “cidadão de verdade” indignado:

Aos que não sabem, eu, Carlos Dias, trabalho desde o ano passado como monitor da área de Jornal do programa “Mais Educação’’ do Governo Federal. 

O projeto foi implantado em escolas do município desde 2012. Neste período nunca tive problemas com cerceamento das minhas ações e opiniões fora de sala de aula, mesmo lutando pelos direitos de todos e contra a imundice da política geral da nossa cidade.

Eis que em um dia qualquer, cansado pela falta de ação da nossa Secretaria de Cultura por pura falta de competência e de vontade dos que, supostamente, detém o poder, faço uma postagem numa rede social:

‘’A Secretaria de cultura de Icó morreu?

Cadê o Teatro?

Cadê a música?

Cadê a poesia?

Cadê as artes plásticas?

Cadê o incentivo?

Cadê a vergonha na cara?

R.I.P ‘’

No mesmo dia da postagem [18/02], recebo uma ligação dizendo que uma funcionária de uma das secretarias do município quer falar comigo e prontamente confirmo o encontro. No outro dia recebo a notícia que uma pessoa ligada ao gabinete do prefeito pediu que: “eu não postasse mais esse tipo de coisa e que esta

foi uma postagem que supostamente denegriu a imagem da secretaria de cultura do município e já que o meu emprego tem intermédio da prefeitura eu devo sempre elogia-la. Como eu não faço isto deveria me calar”.

É isso mesmo leitores: EU FUI CENSURADO!

Censurado no meu direito de cobrar algo tão simples e tão valioso: cobrar por ações que promovam integração cultural a todos.

Um absurdo!

Mas, pergunto-lhes: eu realmente denegri a imagem da Secretaria? Ou isto é reflexo da própria ineficácia da mesma? Por que ao invés de censurar eles não procuram ouvir o cidadão? Enfim, estas são perguntas bastante pertinentes.

Então me ponho a imaginar:

Quantos são os que sabem da imundície que é a política na nossa cidade e não se manifestam por medo de perderem seus cargos? Meu Deus, que tragédia!

Se todos se manifestassem as coisas poderiam ser bem melhor! Mas pra estes é mais cômodo calar e se permitirem ser subjugados pelos gordos burgueses. Porém, eu não sou assim, não sou de acomodar-me.

Estou aqui para ser a mosca na sopa, a pedra no sapato. Não me calarei, não serei censurado e sempre lutarei pelos meus direitos e pelos direitos de todos.

Meu próprio papel como educador é este: conscientizar, mostrar a realidade. E mais ainda, como ser humano devo ter caráter, ser digno e justo, não vou deixar fatos tão terríveis passar na minha frente e ficar de braços cruzados.

Irei bradar aos quatro ventos dizendo “basta!” ao pão e circo, “basta!” a hipocrisia e “basta!” a censura!

Sou jovem, sou humano, sou competente, e não me submeto a isto!

Vamos à luta e viva a liberdade de expressão!


* Texto escrito e enviado pelo estudante Carlos Dias, monitor do programa "Mais Educação" do Governo Federal
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Publicado por Jornalismo

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