Análise de Conjuntura Política: A simbologia da vitória de Jaime Júnior em Icó

A vitória dos candidatos Jaime Júnior/Diassis Pereira à Prefeitura de Icó, no último dia 7/10, derrotando a atual dupla Marcos Nunes/Charles Peixoto, a meu ver, reveste-se de uma simbologia especial: 

A quebra do monopólio de uma oligarquia, representada por dois representantes de famílias que mantiveram no poder nas décadas de 1980/90. Nunes/Peixoto. 

Não são necessariamente os clãs Nunes/Peixoto em si que foram os detentores do poder local, mas a idéia ou ideologia do retorno ou a conservação de anos em que o município viveu, na verdade um saudosismo às velhas elites icoenses, que tão bem essas últimas, através de seus atores, souberam representar. 

A competição para entrar no governo é, em parte, uma competição para obter privilégios. [Krueger, 1974, p. 293] e é exatamente isso que acontece com a eleição de Jaime Júnior. Com ele imagina-se que outros grupos sociais negligenciados pela ‘elite’ anterior terão chances de partilhar do poder municipal – fato que aconteceu provisoriamente quando Jaime Júnior foi prefeito por nove meses, em 2009, e foi bem avaliado. 

A eleição de Jaime Júnior deve ser aplaudida, pois mostra o rompimento com a continuidade de grupos políticos que se perpetuam no poder, nocivos à saúde democrática. Mas até onde essa descontinuidade de classes privilegiadas é real? Até onde a mudança de poder é uma mudança real de atitude política personalista e patrimonialista? Até onde o simples mudar as pessoas sem a transformação das estruturas do estado [o município é um estado em miniatura] terá efeito benéfico à sociedade?

Certamente a junção de interesses, os mais diversos, na coligação num raio do DEM ao PT, incluindo-se o PSDB, PV, PR e PSL, será conflituosa, afinal a luta de classes, dogmatizada por Marx ainda vale para os nossos tempos e os interesses do pessoal do PT não são os mesmos do pessoal do DEM, nem tão pouco do PSDB. 

Terá a coligação “Mudança com Coragem e Honra” sustentabilidade por muito tempo ou será mera chuva de verão, que tão logo passem as emoções da vitória, surjam as contendas e divergências e por fraqueza da 'coligação' entregue novamente o poder às ‘velhas’ oligarquias, afinal a diferença entre uma e outra corrente foi de 2.4 mil votos, significativa num eleitorado de 36 mil eleitores. 

Todavia esses eleitores não são eleitores 'ideológicos' são flutuantes em seu posicionamento político, a depender da conjuntura política do momento, como a questão da seca que assola partes do Nordeste e município do Icó, e que possivelmente o poder municipal não conseguiu atentender às demandas sociais. 

Se a administração Jaime Junior pautar-se na sobriedade, afastando-se o mais possível do personalismo e do patrimonialismo terá vida curta, pois como acima afirmamos, a busca pelo poder é a busca por privilégios e num município pobre, como é o caso de Icó, muitos dos apoiadores de Jaime estão em busca de uma sombra na ‘árvore’ da prefeitura. E, caso, adentre pela política do assistencialismo, nepotismo, personalismo e patrimonialismo, em pouco se diferenciará da política anterior. 

* Texto escrito por Washington Luiz Vieira, em seu blog Opinion
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Publicado por Jornalismo

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