Eleições 2012: Por que Icó não pode ter pesquisa e debate?

Inicia-se setembro, o mês que deverá ser decisivo para as eleições municipais em Icó. Pesquisa eleitoral, decisões do Tribunal Regional Eleitoral do Ceará [TRE-CE] e TSE, se algum postulante recorrer, e a campanha.

Os números tem sua importância de apresentar um momento e uma tendência, mas este mês pode trazer muitas "surpresas" aos 52 mil eleitores icoenses. Estas novidades entram na pauta no quadro Icó em Debate.

Nos próximos dias, o Tribunal Regional Eleitoral do Ceará [TRE-CE] irá analisar os recursos dos candidatos a vereador Francisco Evandro de Araújo [PSD] e Ricardo Nunes [PTB], que tiveram os registros de candidatura indeferidos [não confirmados].

Além deles, integra a lista o candidato à Prefeitura Jaime Júnior [DEM]. Vale lembrar que o TRE-CE já indeferiu as candidaturas dos vereadores Flamarion Nunes Pereira [PSD] e Marconiêr Chagas Mota [PMDB]. Ainda foram indeferidos os candidatos à Câmara Municipal Antônio Weelio Saraiva "Corintiano" e Maria Lucicleide da Silva. Cabe recurso junto ao TSE.

A PESQUISA E OS NÚMEROS - Icó vive um momento um tanto emblemático. Um Município que, em sua história, principalmente quando era uma importante entreposto, tinha comportamento e ação de cidade grande, ousava e fazia história. Hoje, receia e exita.

Isso pode ser exemplificado na confirmação da recente pesquisa do Ibope/Diário do Nordeste, que foi confirmada no último dia 30 de agosto. Após dezenas de anos com pesquisas internas e números mirabolantes, seja para o candidato da situação ou da oposição, aparece uma pesquisa feita por um meio de comunicação a nível de Nordeste.

Citamos este fato em razão da desconfiança da população nos números. E é preciso abrir um parêntese aqui. A pesquisa eleitoral feita pelo Ibope não irá apenas mostrar quem está a frente, neste momento. Irá apresentar quais os problemas que a população acha mais urgente e como avalia as gestões municipal, estadual e federal. Pesquisa não ganha eleição, mas apresenta uma microrrealidade considerável.

Aí pode vir o questionamento: Não são 301 entrevistados em um universo de 52 mil eleitores? Verdade. Cabe considerar que pesquisa não é voto. Além disso, é interessante citar que as maiores pesquisas realizadas neste ano eleitoral, no Brasil, acontecem em São Paulo, que tem 8,6 milhões de eleitores e são entrevistadas 1.001 pessoas. A quantidade de entrevistados segue o tamanho do município. Em Iguatu, também foram 301 eleitores.

Mas pode vir outra pergunta que já foi ventilada em Icó: "A estatística responsável tem o sobrenome da família 'Nunes', que atualmente detém o poder local". A frase, além de preconceituosa, é clichê e apenas induz ao erro.

Para uma parte da população que não conhece a estatística responsável pela pesquisa eleitoral em Icó, fazemos o papel jornalístico de informá-los. Márcia Cavallari Nunes [foto] é mestre em Ciências Políticas, com concentração em Pesquisa de Opinião Pública pela Universidade de Connecticut-E.U.A., e Bacharel em Estatística pela Universidade de São Paulo. Trabalha há 23 anos com pesquisa.

Atualmente ocupa o cargo de Diretora Executiva do IBOPE Opinião. Ela integra o o Conselho do Centro de Estudos de Opinião Pública da Universidade de Campinas [CESOP-Unicamp]. Publicou diversos artigos , entre eles “O Papel das Pesquisas”, 2000, “Pequisas Qantitativas: O império dos números”, 1994, “Desigualdade Educacional e plebiscito: níveis de conceituação, do abstrato ao aleatório” e “Pesquisa Quantitativa”, 1992.

Em um dos apontamentos dela sobre o tipo de pesquisa que é realizada em Icó, ela afirma: "O que importa não é o tamanho da amostra e sim sua representatividade: todos os grupos sociais e regiões geográficas devem aparecer em proporção próxima à da população pesquisada".

E O DEBATE? Outro ponto falho observado na política icoense, além do aparente medo de pesquisas, é a ausência do debate. Importante meio de se conhecer e confrontar ideias e modos de pensar dos candidatos sobre o Município, esta ferramenta está provavelmente guardada nas lendárias botijas que ninguém encontra.

Assim como citado em diversos espaços icoenses e iniciado aqui, através do Icó em Debate, é preciso o protagonismo de entidades relevantes como a CDL [Câmara de Dirigente Lojistas], Lojas Maçônicas, Paróquias, LÉO Clube, LIONS, Associações, Sindicatos que precisam de um "puxão de orelha" e mostrar-se para a sociedade em uma época em que a cidadania, o voto, a escolha do futuro é debatida.

Não trata-se de uma crítica pela crítica. Apenas ressaltar que, se essas entidades são grandes como dizem ser, devem colocar em prática a teoria. O Icó é Notícia deixa no ar a provocação, no sentido positivo da palavra, para que de fato as entidades e a sociedade se mobilizem. O Icó precisa. O futuro é agora.Adicionar imagem
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Publicado por Jornalismo

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