Vários podem ser os motivos que levam alguém a passar pela dor da mutilação. É verdadeiramente terrível perder parte do corpo que, normalmente, amamos. Podemos não ser perfeitos, mas com certeza, nosso corpo muito nos agrada.
É com ele, e por intermédio dele, que nos locomovemos, trabalhamos, participamos da vida em sociedade, amamos e nos divertimos. Assim, qualquer dano ao nosso patrimônio físico só é superado com grandes dificuldades.
A principal delas é a aceitação, pois não se admite a ocorrência de evento que nos atinja tão severamente. Ainda que os riscos sejam consideráveis, nunca se está preparado para o pior. Ninguém jamais está preparado para o pior.
Vivencia-se um pesadelo sem fim e, todas as vezes que se acorda e se olha para aquela parte, constata-se com pesar que ela não está mesmo lá. A pessoa percebe-se mutilada. Falta um pedaço em seu corpo físico.
Fica pensando em como poderia ter evitado tal situação e, intimamente se culpa, acreditando que deveria ter sido mais previdente e precavida, menosarrojada, mais cuidadosa. Perde-se um bom tempo tentando encontrar motivos que justifiquem essa situação.
Mesmo assim, por mais que se pense, nada fará mudar o resultado inequívoco que ora se apresenta. Faz-se necessário a resignação. Isso não é conformismo. É a aceitação inevitável de algo que aconteceu e não tem mais como deixar de ser. É a única coisa que trará um pouco de paz para quem anda sofrendo tanto.
Sei que alguns prefeririam ter morrido. O impacto da ausência de conformidade física gera o constrangimento de muitas pessoas. Às vezes, suscita a piedade alheia e eu sei que você pode não gostar disso, mas vai ter que aprender a lidar com novas situações daqui pra frente.
Muitos estarão dispostos a ajudá-lo e procurarão compreender a sua dor. Aceite essa disponibilidade. Isso o tranquilizará, pois o fará ver que não está só, que pode contar com os demais.
Sim, eu sei que você terá que aprender a lidar também com a curiosidade das outras pessoas. Fazer o quê?! Você passou a ser visto como alguém diferente dos demais, e isso desperta curiosidade porque foge do comum.
Terá que repetir várias vezes a mesma história, pois muitos vão lhe perguntar o que ocorreu. Procure contá-la cada vez com menos emoção. Aos poucos, falar sobre sua experiência não lhe trará tanto amargor e você passará a vê-la como coisa da vida, possível a qualquer um.
Procure não se demorar no luto pela parte perdida. Esse tempo é precioso para desenvolver as habilidades necessárias para compensar essa carência. É provável que precise se submeter a sessões de fisioterapia e acompanhamentos psicológicos.
Isso é muito bom e vai lhe ajudar a enfrentar esse momento difícil. Faça as pazes com o tempo, pois ele será seu maior aliado nessa batalha de superação das novas limitações. Confie em Deus e peça alívio para todas as dificuldades iniciais. Com perseverança, você vai vencer mais essa prova da vida.
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* Texto escrito e enviado pela escritora Maria Regina Canhos Vicentin [E-mail: contato@mariaregina.com.br --- Site: www.mariaregina.com.br].
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