A Comissão de Defesa Social da Assembleia Legislativa do Ceará [AL-CE] realizou, nesta segunda-feira [21], uma audiência pública [foto] com o tema “A Violência no Campo”.Na ocasião, foi lebrado O assassinato de José Maria Filho, mais conhecido por "Zé Maria Tomé", em meio à luta dele pela reforma agrária, direito a terra e defesa do meio ambiente.
A deputada Rachel Marques [PT] reafirmou a luta de Tomé e cobrou mais agilidade na investigação da morte do ambientalista assassinado em Limoeiro do Norte, em abril de 2010.
Rachel lembrou a luta do ambientalista contra o uso indiscriminado de agrotóxicos no Vale do Jaguaribe e alertou que os conflitos por terra e a violência no campo têm aumentado.
O professor da Uece, João Rameres, fez um histórico da violência rural no Brasil e lembrou que, na Chapada do Apodi, a pulverização de agrotóxicos era feita por aviões, até sobre as casas dos agricultores. “A morte de Zé Maria Tomé não foi só um crime contra a vida, mas contra uma comunidade inteira. Essas empresas usam uma estrutura feita pelo Estado, que não protege a população”.
O delegado do Departamento de Policiamento do Interior, Jocel Dantas, disse que os assassinos de Zé Maria Tomé já foram presos e a investigação sobre os mandantes prossegue em sigilo. Dantas ressaltou ainda que “apesar das várias lutas envolvendo questões de terra no Ceará, nenhum outro crime ligado a esta questão foi registrado do Estado após a morte do ambientalista”.
O promotor Edílson Batista também disse que há poucos casos de violência ligados a disputas de terra no Estado. Ele destacou, porém “que este é um assunto polêmico, pois a questão agrária vem se perpetuando no Brasil e isso vem gerando muitos conflitos”.
A ouvidora do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária [Incra], Fabíola Gomes ressaltou que a concentração da posse de terras no Brasil é histórica e a violência gerada por esses conflitos tem aumentado bastante. “A concretização da reforma agrária é fundamental para acabar com essa violência e para o desenvolvimento do País”, pontuou Fabíola.
Também participaram do debate o vereador João Alfredo [PSoL]; a procuradora da República, Nilce Cunha Rodrigues; o coordenador estadual do Movimento dos Sem Terra [MST], Luis Eduardo Sousa; liderança de entidades rurais e representantes do Ibama, da Defensoria Pública do Estado e da Comissão de Justiça e Paz da CNBB
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