Quaresma – Tempo de mudança *

Mais uma quaresma, mais uma campanha da fraternidade: “Que a saúde se difunda sobre a terra!” Fiquei pensando que muitos não sabem o que fazer diante dos apelos da campanha da fraternidade e simplesmente os ignoram.

Quando se fala em quaresma logo se imagina privação, sofrimento, renúncia, jejum, abstinência... Ora, essas coisas parecem não fazer sentido nestes tempos modernos em que se procura dar vazão aos instintos e impulsos, buscando a satisfação imediata dos desejos.

A impressão que se tem é que é muito difícil, quase impossível, adotar uma postura diferente. Na verdade, isso é mesmo mais impressão que realidade. Podemos empreender algumas mudanças sem que isso nos seja custoso demais. Basta que comecemos pelas coisas simples.

Outro dia recebi um e.mail que sinalizava para a importância do elogio e do reconhecimento das qualidades do outro, como forma de valorização. É verdade que, em muitos momentos, necessitamos avidamente de reconhecimento, incentivo, elogios... E se não os temos junto de nossos entes queridos buscamos através de outras pessoas.

Assim, o cônjuge que não se sente valorizado no lar, com o tempo, passa a buscar essa valorização em outro lugar, e muitas vezes, acaba encontrando fora de casa o que dentro não havia. Isso acontece também com os filhos que insistem em chamar a atenção e quando não são notados partem para coisas inusitadas e, por vezes, inadequadas.

O mesmo ocorre com amigos que são esquecidos, com pais que se cansam de apenas dar e gostariam igualmente de receber. A situação é geral, e sucede dessa forma porque não temos um olhar crítico em relação ao nosso egocentrismo. Queremos muito ser atendidos em nossas necessidades, mas esquecemos de igualmente atender aos demais.

Proponho um exercício bastante fácil nesta quaresma, e que poderá reverter em lindos frutos. Para executá-lo não precisamos nos privar de nada, apenas distribuir o que temos sobrando, começando pela nossa capacidade de observação.

Olhemos ao redor e percebamos as pessoas que estão carentes de um elogio ou reconhecimento. Pode ser nosso cônjuge, nosso pai ou mãe, nosso filho ou filha, nosso amigo, nosso chefe, nosso colega de trabalho, nosso vizinho... O balconista da padaria, a caixa do supermercado, ocarteiro... Enfim, qualquer pessoa em princípio pode estar necessitada do nosso reconhecimento e incentivo.

Identificada a pessoa ou pessoas mais necessitadas, podemos começar a fazer nossa boa ação da quaresma sem qualquer privação. Reconheçamos algumas qualidades que essa pessoa possui e digamos isso a ela. Mostremos como ela nos é importante. Relembremos momentos em que a sua gentileza ou cuidado foram importantes para nós.

Agradeçamos pela companhia, pela atenção, pela disponibilidade em nos atender quando necessário. Mostremos para a pessoa como ela faz diferença neste mundo, aquecendo o frio da indiferença com um sorriso e um olhar atento.

Tenho certeza de que a nossa quaresma não será mais a mesma e de que estaremos atendendo ao apelo do Senhor, pois a saúde começa dentro de nós, através dos pensamentos que cultivamos, e se exterioriza em gestos concretos de compaixão para com o próximo, disseminando o conceito de bem-viver e sensibilizando para a prática de hábitos de vida saudáveis. Se pudermos e desejarmos fazer mais que isso, façamos como o Espírito do Senhor nos sugerir e inspirar, pois há muito a ser feito!


* Texto escito e enviado pela escritora Maria Regina Canhos Vicentin [E-mail: contato@mariaregina.com.br - Site: www.mariaregina.com.br].
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Publicado por Jornalismo

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