A Secretaria da Cultura, por meio de sua coordenação editorial e da coleção Nossa Cultura, distribuirá em todas as 192 bibliotecas públicas municipais de 184 municípios do Estado do Ceará a obra “Romanceiro de Bárbara” do autor Caetano Ximenes Aragão. O objetivo é divulgar cada vez mais títulos como este, de relevante importância literária e histórica.“Romanceiro de Bárbara” publicada em 2010 pela Secretaria da Cultura do Estado do Ceará como integrante da coleção Nossa Cultura, série Luz do Ceará, de resgate da memória literária do estado, traz a apresentação do poeta Francisco Carvalho, texto originalmente publicado no caderno "Exercícios de Literatura", das Edições UFC (1990), e um habilidoso estudo biobibliográfico do Prof. Alves de Aquino, o Poeta de Meia-Tigela.
Em sua 2ª edição, 30 anos após a 1ª, a obra, um conjunto de 77 poemas de exercício de variadas experiências formais, expressividade e extraordinária flexibilidade rítmica, além de acentuada influência da poesia popular do Nordeste, foi escrita originalmente entre julho de 1975 a agosto de 1978, período final de regime ditatorial militar e início do processo de abertura política, com o intuito de registrar a trajetória histórica de Bárbara de Alencar, nascida no Exu, Pernambuco, em 1760, e morta no Piauí, em 1832.
No meio do poema, o autor cita amigos e personalidades, como Blanchard Girão, Moreira Campos, Francisco Carvalho, Francisco Auto, Braga Montenegro, Raimundo Ivan (deputado cassado em 1964, assim como Blanchard), além de citações de Gustavo Barroso, José de Alencar, Fernando Pessoa, Alfredo Bosi, Camões, padre Roma, José Luís de Mendonça, Domingos José Martins, Carlos Drummond e outros.
Caetano diz ser Romanceiro de Bárbara, uma metáfora sobre a liberdade, e é exatamente o que nos parece. Ressentia o Poeta o esquecimento do Ceará daquela considerada a "primeira presa política do Brasil" que, à época, sofreu prisão, violência, maus tratos, exílio e teve seus bens confiscados. Mas, resistiu, e por isso e outras razões é uma heroína marginalizada na História de nosso País.
O Poeta leu o que pôde de e sobre Bárbara de Alencar, encontrando inclusive, por meio do médico e historiador Irineu Pinheiro, a afirmação de ser Bárbara, entre as mulheres, mediante sua participação no movimento de 1817, a precursora da Independência e da República brasileiras.
Aquino, em seu estudo de Apêndice, confirma o papel de Bárbara, suplantando a história no imaginário do autor: "Já que Bárbara de Alencar não pode ser apontada como presença nos sucessos de 1824 [refere-se à Confederação do Equador], o poeta transfigura a personagem, dela extraindo todo o potencial mítico e supra- histórico. Pairará a imagem da Matriarca para além da limitação temporal, numa transmutação de sua pessoa na própria encarnação da rebeldia e da liberdade que, em si mesmas, não têm tempo".
A Secretaria da Cultura vem, por meio de sua coordenação editorial e da coleção Nossa Cultura, trazendo à luz títulos como este, de relevante importância literária e histórica, fazendo justiça ao autor, Caetano Ximenes Aragão, e à personagem, Bárbara de Alencar, e distribuindo a obra em todas as 192 bibliotecas públicas municipais de 184 municípios do Estado do Ceará.
BIOGRAFIA - Caetano Ximenes de Aragão nasceu em 24 de fevereiro de 1927, em Alcântaras, Ceará. Filho de Roberto e Edite Ximenes de Aragão, concluiu o curso Primário em Sobral. Na década de 40, seu pai o matriculou no Colégio Castelo Branco, em Fortaleza. Após a conclusão do Ginasial, e por não haver escola médica no Ceará, dirigiu-se a Salvador, Bahia, onde concluiu o Científico, ingressando - o mais jovem entre os colegas - na Faculdade de Medicina da Universidade Federal.
Graduado em 1952, foi orador de sua turma. Clínico, regressou a Alcântaras onde passou a consultar, gratuitamente, durante um mês, para os pobres do município, logo depois exercendo o ofício em Tianguá. Médico de natureza extremamente humanista e coletiva, exerceu sua admirável carreira em Fortaleza no Hospital Geral (HGF) e Instituto José Frota.
Talvez como compensação às dores que presenciou, confeccionou os versos que, em 1975, enfeixaram O Pastoreio da Nuvem e da Morte, seu primeiro livro, prefaciado pelo amigo Francisco Carvalho. Dividido entre a Medicina e a Literatura, participou, em 1979, da Revista Siriará, com o poema “Do Gênese”.
Em 1980, viria o épico livro-poema Romanceiro de Bárbara, em que ainda mais amplamente apareciam os anseios de transformação social do Poeta, simpatizante confesso do Socialismo. Seguem-se Sangue de Palavra (1981), Canto Intemporal (1982) e Caetanias (1985). Foi, então, acometido de grave enfermidade que, em apenas dois meses, em 14 de julho de 1995, o fez desviver. Deixou inéditos o humorado Ilha dos Cornos e Canto pela Paz, ambas publicações póstumas de 1996 e 2004, respectivamente.
* Com informações da Secult
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