
O grande nome do cordel tradicional de Juazeiro do Norte é Severino Jose da Silva, o Severino do Horto. Nascido em 1922, no interior de Pernambuco, veio para a terra do Padre Cícero, em 1949, a tempo de conviver com beatos, ver o pé-de-tambor (árvore sagrada dos romeiros) ser cortada para a montagem da antena de televisão, nos anos 60, e se impregnar deste ideário que mistura poesia e profecia.
Casou, teve três filhos, trabalhou na agricultura, na construção da basílica dos Franciscano, e passou a viver no Horto, por ser o lugar sagrado, onde mantinha uma barraquinha para vender rosários, orações, imagens, novenas e benditos.
Entrou em choque com os Salesianos, que, em conjunto com a Prefeitura de Juazeiro, resolveram fazer a pi"revitalização" do lugar mais pulsante da cidade. Na verdade, trata-se da assepsia, da disciplina das barracas, preparação para o chamado "turismo religioso", e não sobrou lugar para Severino, que viveu cerca de trinta anos no Horto.
O que chama a atenção desse herdeiro do cordel de João de Cristo Rei, é a enunciação de uma fala profética, misto de doutrina e exemplo. Pode eventualmente escreve algo jornalístico, como o homem que matou a mulher com mais de 60 facadas; o ônibus que pegou fogo na subida do Horto, sem vítimas; mas ele é um doutrinador, um divulgador da palavra sagrada, evidentemente, traduzida para os códigos populares.
Severino é uma pessoa tranquila, que mora (ainda) numa casa no Horto, com pouco conforto, escreve seus folhetos regularmente, e os publica na cidade. Até 1996, na tipografia de seu amigo Manoel Caboclo.
Mais que um poeta, é um beato a seu modo, um homem de fé, que não caiu na escatologia da virada do milênio, mas que quer corrigir o mundo, por meio da palavra e da oração.
* Texto extraido do livro Arte da Tradição: Mestres do Povo. Paginas:97 e 98 - Autor: Gilmar de Carvalho -- Enviado pelo ator, diretor e professor Bené Tavares.
Casou, teve três filhos, trabalhou na agricultura, na construção da basílica dos Franciscano, e passou a viver no Horto, por ser o lugar sagrado, onde mantinha uma barraquinha para vender rosários, orações, imagens, novenas e benditos.
Entrou em choque com os Salesianos, que, em conjunto com a Prefeitura de Juazeiro, resolveram fazer a pi"revitalização" do lugar mais pulsante da cidade. Na verdade, trata-se da assepsia, da disciplina das barracas, preparação para o chamado "turismo religioso", e não sobrou lugar para Severino, que viveu cerca de trinta anos no Horto.
O que chama a atenção desse herdeiro do cordel de João de Cristo Rei, é a enunciação de uma fala profética, misto de doutrina e exemplo. Pode eventualmente escreve algo jornalístico, como o homem que matou a mulher com mais de 60 facadas; o ônibus que pegou fogo na subida do Horto, sem vítimas; mas ele é um doutrinador, um divulgador da palavra sagrada, evidentemente, traduzida para os códigos populares.
Severino é uma pessoa tranquila, que mora (ainda) numa casa no Horto, com pouco conforto, escreve seus folhetos regularmente, e os publica na cidade. Até 1996, na tipografia de seu amigo Manoel Caboclo.
Mais que um poeta, é um beato a seu modo, um homem de fé, que não caiu na escatologia da virada do milênio, mas que quer corrigir o mundo, por meio da palavra e da oração.
* Texto extraido do livro Arte da Tradição: Mestres do Povo. Paginas:97 e 98 - Autor: Gilmar de Carvalho -- Enviado pelo ator, diretor e professor Bené Tavares.
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