Nessa perspectiva, o ensino de Língua Portuguesa, no Brasil, centrou-se em uma abordagem puramente normativa, que extinguia as variantes linguísticas informais da prática docente.
Contudo, na década de 80, eclode uma intensa divulgação de estudos da Linguística [Estudos do Funcionalismo, da Linguística Textual, da Análise do Discurso, da Pragmática e da Sociolinguística]. É nesse cenário que a língua passa a ser concebida como recurso de interação social [atividade social], o que ocasionou diversas alterações na metodologia de ensino, na estrutura e na organização dos livros didáticos.
Um exemplo que pode ilustrar esse fato é o livro didático adotado pelo MEC, Por uma vida melhor, da coleção Viver, aprender. Recentemente, esse livro recebeu inúmeras críticas de diversos setores da sociedade [sob a acusação de levar o erro para os bancos escolares]. As críticas devem-se ao fato de as autoras abordarem um fenômeno linguístico que todas as pessoas fazem uso, a variação linguística. Em outras palavras, o fato de adequar a fala ao momento comunicativo [situação comunicativa].
Por exemplo, a linguagem que utilizamos em momentos informais [conversas com parentes, vizinhos, amigos etc.] não é a mesma que utilizamos em momentos que requerem os usos formais da língua [apresentação, entrevista de emprego etc]. (ALKMIM, 2003). Em geral, os momentos informais permitem construções que fogem da Gramática Normativa. São exemplos desse fenômeno: o tá [em detrimento do está], o pra [em detrimento do para], etc.
Por exemplo, a linguagem que utilizamos em momentos informais [conversas com parentes, vizinhos, amigos etc.] não é a mesma que utilizamos em momentos que requerem os usos formais da língua [apresentação, entrevista de emprego etc]. (ALKMIM, 2003). Em geral, os momentos informais permitem construções que fogem da Gramática Normativa. São exemplos desse fenômeno: o tá [em detrimento do está], o pra [em detrimento do para], etc.
Todos esses fenômenos surgem da informalidade do momento comunicativo, o que contribui para que o falante opte por uma determinada construção linguística durante o ato verbal. Essa temática seria o que a Sociolinguística [Subárea da Linguística que trata da diversidade linguística, isto é, do caráter variável da língua], conceitua como variação situacional [ou também variação de estilística ou de registro], por meio da qual o falante usa a língua de acordo com o ouvinte ou com o momento comunicativo (ALKMIM, 2003).
Essas são as CERTAS OCASIÕES a que as autoras fazem alusão no livro didático em questão. Durante décadas, esses fenômenos linguísticos não obtiveram explicações. Por esse motivo, eram caracterizados como erros [e ainda são].
Essas são as CERTAS OCASIÕES a que as autoras fazem alusão no livro didático em questão. Durante décadas, esses fenômenos linguísticos não obtiveram explicações. Por esse motivo, eram caracterizados como erros [e ainda são].
Nesse sentido, o livro didático em foco não faz apologia ao erro, mas destaca a plasticidade da língua e a necessidade de o falante dominar suas variantes, usando-as de acordo com sua escolha e com o momento comunicativo.
De acordo com Santos (2002, p.30), “nos últimos 30 anos, surgiu uma ampla literatura na qual se discutiu o modo como vinha se processando o ensino de língua materna no Brasil”. Esses estudos ocasionam uma substancial mudança nos parâmetros norteadores do ensino de Língua Portuguesa e, por conseguinte, mudanças na metodologia e no objeto de ensino dessa disciplina.
Surge, assim, o propósito de formar um falante competente, ou seja, um falante que esteja apto a utilizar a língua de forma heterogênea. Por essa razão, as autoras abordam esses usos linguísticos no livro didático em tela.
De acordo com Santos (2002, p.30), “nos últimos 30 anos, surgiu uma ampla literatura na qual se discutiu o modo como vinha se processando o ensino de língua materna no Brasil”. Esses estudos ocasionam uma substancial mudança nos parâmetros norteadores do ensino de Língua Portuguesa e, por conseguinte, mudanças na metodologia e no objeto de ensino dessa disciplina.
Surge, assim, o propósito de formar um falante competente, ou seja, um falante que esteja apto a utilizar a língua de forma heterogênea. Por essa razão, as autoras abordam esses usos linguísticos no livro didático em tela.
Referências:
SUASSUNA, Lívia; MELO, Iran Ferreira; COELHO, Wanderley Elias. Projeto Didático como Espaço de Articulação entre Leitura, Literatura, Produção de Texto e Estudo Gramatical. In: BUNZEN, Clécio & MENDONÇA, Márcia. (Org.). Formação do Professor de Ensino Médio: Desafios e Perspectivas para o ensino de Língua Materna. São Paulo: Parábola, 2006.
SANTOS, Carmi Ferraz. A Formação em Serviço do Professor e as Mudanças no Ensino de Língua Portuguesa. ETD – Educação Temática Digital, Campinas, SP, v.3, n.2, p.27-37, jun. 2002.
ALKMIM, Tânia Maria. Sociolinguística. In: MUSSALIN, Fernanda; BENTES, Ana C. (orgs.). Introdução à Linguística. Domínios e fronteiras. São Paulo: Cortez, 2003.
____________________ ALKMIM, Tânia Maria. Sociolinguística. In: MUSSALIN, Fernanda; BENTES, Ana C. (orgs.). Introdução à Linguística. Domínios e fronteiras. São Paulo: Cortez, 2003.
* Texto escrito e enviado por Silvio Profirio da Silva - Graduando em Letras da Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE).
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